112 gênios da literatura russa

O que se pode ler em português dos gigantes da literatura clássica e contemporânea russa (e em russo)?

O que se pode ler em português dos gigantes da literatura clássica e contemporânea russa (e em russo)?

Prokudin-Gorski / colagem
Russa ou em russo, a obra destes autores move o mundo dos livros no maior país do mundo e além. Descubra quem são os maiores clássicos e contemporâneos da língua e o que ler em português!

Tolstói e Dostoiévski dispensam apresentações, mas há muitos outros escritores russos tão grandes quanto esta dupla imbatível. O Russia Beyond compilou uma seleção dos nomes mais representativos da literatura russa e em russo, produzida por russos, exilados e naturais de países da ex-União Soviética.

112. Borís Akúnin (1956 - )

Autor é best-seller de romances de detetives e adaptações de sua obra ao cinema são sucesso de bilheteria.

Nascido na Geórgia e registrado originalmente como Grigóri Tchkhartichvili, este escritor é um dos maiores best-sellers do país e seus romances de detetives são ultrapopulares na Rússia.

Diversos de seus romances, a maior parte situados na rússia tsarista do final do século 19 e início do 20, foram adaptados para o cinema e viraram sucesso de bilheteria.

Seu principal protagonista, o detetive Erast Fandorin, é considerado o Sherlock Holmes russo e um dos personagens mais carismáticos da literatura moderna.

Outro projeto de Akúnin é “A História do Estado Russo”, um volume em vários tomos que busca entender por que a Rússia manteve a estabilidade em meio a tantas revoltas e revoluções.

Seu pseudônimo, inicialmente, era B. Akúnin, que traz diversas alusões, como uma combinação da palavra japonesa “aku-nin” (Satã ou vilão) com o nome do afamado anarquista russo Mikhail Bakúnin.

Em português, algumas de suas obras foram publicadas pela editora Objetiva (“Leviatã”, “A jogada turca”, “Rainha do Inverno”, “A morte de Aquiles”) e pela Suma (“O valete de espadas”). "A Rainha do inverno" também saiu pela portuguesa Editorial Presença. 

111. Arquimandrita Tíkhon Chevkunóv (1958 - )

Abade traz alegorias bíblicas em didática soviética.

Tíkhon Chevkunóv é o abade do pequeno - mas muito ativo - monastério moscovita Sretênski. Segundo a imprensa, ele também seria o confessor pessoal de Vladímir Putin.

Em seu livro “Santidades profanas e outras histórias” ele escreve sobre milagres e relatos verdadeiros sobre as vidas de monges e padres ortodoxos e auxilia o leitor a entender melhor a Igreja Ortodoxa Russa contemporânea.

Os contos, porém, não parecem com a literatura religiosa comum escrita para novatos, e combina uma didática em estilo soviético a alegorias bíblicas em textos filosóficos que exigem algum conhecimento prévio da fé.

O livro foi publicado pela primeira vez em 2011 e traduzido para diversas línguas, mantendo-se como best-seller no país até hoje. Ainda não há obras suas vertidas para o português.

110. Oleg Zaiontchkóvski (1959 - )

Fazendo de Moscou sua protagonista, Zaiontchkovski mistura humor de circunstância e reflexão filosófica à característica rispidez russa.

O escritor Zaiontchkóvski ganha lugar no ranking com sua novela “A felicidade é possível”, um evocativo e encantador tributo a Moscou. Na literatura russa já virou clichê descrever alguma cidade como protagonista, mas a Moscou de Zaiontchkóvski é tão viva e abrangente que é impossível deixá-la de fora desta lista.

As personagens interagem com uma cidade antropomorfizada, o que faz do romance algo fora do comum na literatura contemporânea russa.

Ao contrário do que é de se esperar também, a obra não lida com os triunfos e terrores da história ou com o horrores proféticos de um futuro de distopia. A Moscou retratada é a contemporânea, com suas pressões e prazeres diários.

Zaiontchkovski combina humor de circunstância e reflexão filosófica com a característica rispidez russa.

Suas obras ainda não foram vertidas para o português. 

109. Elena Chvarts (1948-2010)

A obra de Chvarts era publicada apenas em “samizdat”, saindo pela primeira vez por uma editora só em Nova York, em 1985.

Antes da década de 1990, a poesia de Elena Chvarts era publicada em “samizdat”, as publicações artesanais de textos próprios, muitas vezes proibidos, da era soviética. Sua primeira coleção de poesia a ser publicada oficialmente por uma editora saiu em Nova York em 1985.

Sua poesia lida, sobretudo, com a busca da humanidade e do poeta por um lugar neste mundo. Chvarts gosta de misturar religião e fatos históricos, assim como realidade e misticismo.

“Seus poemas são desafiadores, razão pela qual ela é considerada uma herdeira da Era de Prata”, diz o pesquisador acadêmico Aleksandr Kobrínski. As revistas literárias só passaram a publicar sua obra a partir do final dos anos 1990.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

108. Guérman Saduláev (1973 - )

“Sou tchetcheno” compõe uma meditação fragmentada de Saduláev sobre guerra, identidade e falta de raízes.

Saduláev ganhou fama após sua obra “Sou tchetcheno” (publicada em inglês como "I am a Chechen", ainda sem versão portuguesa). Ele nasceu no vilarejo tchetcheno de Chali e se mudou para Leningrado (hoje, São Petersburgo), em 1989, para estudar direito.

O escritor vive até hoje na “capital das artes” russa, mas mantém laços firmes com a república russa da Tchetchênia.

Os nove contos de “Sou tchetcheno” compõem uma meditação fragmentada do escritor sobre a guerra, a identidade e a falta de raízes, e são resultado da complicada mistura de memórias ficcionalizadas a um lamento doloroso.

A guerra da Tchetchênia precisa de mais contadores de histórias contemporâneos que não estejam servindo a nenhum dos lados da propaganda.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

107. Andrêi Astvatsaturov (1969 - )

Ficção autobiográfica e ensaios literários fizeram o nome de Astvatsaturov, que ainda é pouco traduzido no exterior.

Pouco traduzido e complicado de pronunciar, Andrêi Astvatsaturov é um pesquisador da Universidade de São Petersburgo renomado por sua ficção autobiográfica que retrata a vida e o desenvolvimento criativo por meio de diversos flashbacks da infância.

Ele ganhou fama ainda em 2009, com “Pessoas no nu”, a primeira obra de uma trilogia composta ainda por “Skunkamera” (2010) e “Outono nos bolsos”.

Em 2016, ele lançou uma coleção de ensaios sobre literatura americana e britânica intitulada “Não só Salinger”, que combina filologia com a criatividade que lhe é inerente.

Sua obra ainda não foi vertida ao português.

106. Tchinguíz Aitmátov (1928-2008)

Aitmátov trouxe do Quirguistão rural uma literatura com a imensidão das estepes em que o homem é apenas uma parte ínfima da natureza.

O “lobo das estepes” russo Tchinguíz Aitmátov vem da zona rural do Quirguistão, de onde trouxe uma literatura com a imensidão das estepes onde um ser humano é apenas parte ínfima da natureza.

Um de seus principais romances, “O dia dura mais de 100 anos” é uma expressão clara de sua visão e da importância do ritual e da memória.

Ele próprio resumiu esta ideia: “De tempos antigos até hoje, o desejo de tirar do ser humano sua individualidade foi um dos propósitos das ambições imperiais e hegemônicas. Uma pessoa sem memória do passado, confrontada  com a necessidade de definir seu lugar no mundo... uma pessoa privada da experiência histórica de sua nação e de outras pessoas se vê fora da perspectiva histórica e é capaz apenas de viver o presente”.

Entre os anos 1980 e 1990, alguns de seus títulos saíram no Brasil, como "Djamiliá", "O navio branco" e "O cão malhado a beira-mar correndo". "O Navio Branco" e "Djamila" também saíram pela portuguesa Relógio d'Água.

105. Vera Polozkóva (1986 - )

Os recitais de Polozkóva são sucesso de público.

Ídolo de garotas românticas russas, Vera Polozkóva ganhou popularidade por meio da internet, onde começou a publicar poemas na plataforma de blogues mais usada pelos russos, o Live Journal, sob o codinome Vero4ka.

Seus poemas quase sempre consistem de um diálogo entre a protagonista e seu amado, muitas vezes com a temática de alguma ruptura ou desentendimento. Por isso, os críticos classificaram sua poesia de ingênua e amadora.

Mas Polozkóva enche os clubes de ouvintes para recitar seus poemas, fazendo de cada ocasião uma performance. Ela incorpora suas personagens poéticas e as filma em vídeo, acrescentando elementos musicais, fílmicos, teatrais e literários.   

Sua obra ainda não foi editada em português. 

104. Aleksandr Guenis (1953 - )

Guenis é o último dos moicanos entre os escritores soviéticos que emigraram para os EUA.

Guenis é o último dos moicanos dos emigrantes soviéticos, e se mudou para os EUA em 1977. Logo após chegar a Nova York, ele fez amizade com os compatriotas Joseph Brodsky e Serguêi Dovlátov.

“Minha escolha pela América foi meio ao acaso”, disse Guenis ao Russia Beyond em 2012. “Eu não conhecia nada sobre o país exceto por Hemingway e Faulkner”, completou.

Mas de uma coisa ele estava certo: queria dar no pé da URSS e dedicar sua vida à literatura russa.

A partir de então, ele escreveu mais de uma dezena de títulos que se tornaram best-sellers na Rússia e apresentou um programa semanal em russo na Rádio Free Europe/Liberty por 27 anos.

Ele também é colaborador do jornal russo Nôvaia Gazeta, e um de seus livros mais recentes, “Endereço de devolução”, traz anedotas e memórias sobre amigos e ídolos, entre eles, Dovlátov, Vladímir Sorókin, Tatiana Tolstáia etc.

Sua obra ainda não saiu em português.

103. Aleksandr Vvedênski (1904-1941)

Textos de Vvedênski são de difícil compreensão. Autor é ídolo das Pussy Riot, que se dizem suas discípulas.

“As Pussy Riot são discípulas e herdeiras de Vvedênski”, disse a líder do grupo, Nadejda Tolokônnikova em seu julgamento de agosto de 2012.

Ainda jovem, o poeta russo Aleksandr Vvedênski, que morreu em um trem-prisão, foi parte da vanguarda futurista de Leningrado. Muito de seu trabalho se perdeu ou foi destruído, e o que restou foi publicado sobretudo postumamente.

Seus textos não são fáceis de entender, porém. Por exemplo, as 100 e tantas linhas de “O significado do mar”, escrito em 1930, começam com “para tornar tudo claro, viva de trás para frente”.

O poema também não têm letras maiúsculas ou pontuação e os nomes se reúnem, aparentemente, ao acaso.

Sua obra ainda não foi editada em português.

102. Vera Pávlova (1963 - )

Do primeiro sutiã ao amar como pela última vez, Pávlova cobre diversos aspectos da sexualidade feminina.

A poesia de Vera Pávlova tem uma conotação erótica óbvia. Seus poemas nos mostram os diversos estágios de desenvolvimento de uma garota e as experiências amorosas e íntimas de uma mulher moderna – desde a compra de seu primeiro sutiã à reflexão sobre a virgindade antes da primeira vez, até um amor tão intenso como se fosse a última vez, cobrindo todos os estágios de uma relação.

Seus poemas são frequentemente escritos em versos livres e podem curtos a ponto de terem apenas dois versos.

Apesar de sua obra ainda não ter sido publicada em português, há títulos seus disponíveis em inglês, como "Album for the young (and old)" e "If there is something to desire".

101. Marina Stepnóva (1971 - )

Experiência como enfermeira e jornalista auxiliaram escrita de Marina Stepnóva.

O primeiro romance de Marina Stepnóva, “Cirurgião” (2005), une um cirurgião plástico contemporâneo a um assassino persa do século 11. Ela mesma descreve a obra como “um romance muito negro sobre talento e vontade própria”.

Stepnóva utilizou sua própria experiência médica para escrevê-lo, já que cresceu em uma família de médicos e trabalhou como enfermeira em um hospital para tratamento de câncer quando tinha apenas 15 anos, onde ela viu “o verdadeiro e terrível sofrimento humano”.  

Stepnóva foi editora por muitos anos da revista masculina XXL. Quando a publicação fechou, ela virou escritora em tempo integral.

Em seu extraordinário romance de 2011 “As mulheres de Lázaro”, conta a história de seu avô, Lázaro, um gênio científico, e três gerações de mulheres em sua vida. O romance foi para as finais de diversas premiações e está vertido para 23 idiomas, mas ainda não o português. Em inglês, saiu como "The women of Lazarus".

100. Anna Starobínets (1978 - )

Histórias de terror de Starobínets já lhe renderam comparações com Stephen King e até Kafka.

A jornalista Anna Starobínets virou a “Rainha do Horror” russo depois de publicar vários contos para adolescentes que são medonhos de ler até para adultos.

Seu romance “Uma idade estranha”, por exemplo, tornou-a aclamada pela crítica. Ele conta a história da mãe de um menino gordinho que esconde doces sob o travesseiro e que um dia descobre seu diário, onde ele descreve uma formiga rainha vivendo em sua mente que tem o plano de tomar controle sobre o corpo do garoto e conquistar a humanidade.

Na Rússia, ela já foi comparada a Stephen King e até Kafka. Suas histórias falam sobre assuntos prementes por meio de personagens esquizofrênicas e contos de fadas às avessas.

O leitor nem sempre entende o que é real ou imaginado, mas apenas que a omissão nunca é benigna em família ou na sociedade, e que todos os monstros vêm de algum útero materno.

Sua obra não foi vertida ainda ao português, mas diversos de seus títulos saíram em inglês e espanhol.

99. Tatiana Tolstáia (1951 - )

Parente distante de Lev Tolstói, Tatiana Tolstáia é um fenômeno na literatura contemporânea russa.

Um fenômeno na literatura russa, Tolstói Tatiana Tolstáia foi reconhecida inicialmente por seus contos, mas a fama verdadeira veio há 17 anos, com seu romance “Kís” (transliterado do russo, o título é intraduzível, proveniente de uma palavra inexistente na língua e que remete ao modo de chamar gatos. Em inglês, foi vertido para “Slynx”). Esta distopia pós-apocalíptica visa a descrever o caráter nacional russo baseada nas ruínas da civilização em uma linguagem cheia de neologismo e dialetos. Aliás, a escritora é parente distante do conde mais amado da literatura russa, Lev Tolstói.

Ainda não há títulos seus em português.

98. Ígor Sakhnóvski (1958 - )

Romance de estreia de Sakhnóvsky conta sobre sua avó e é surpreendentemente sensual.

“A cornucópia de material não ficcional da vida faz da fantasia desnecessária”, diz Sakhnóvski. Sua prosa pseudodocumental lhe rendeu sucesso já no primeiro romance, “As necessidades vitais dos mortos” (1999, ainda sem publicação em português, mas que saiu em inglês como "The vital needs of the dead").

Dedicado a sua falecida avó, o livro é surpreendentemente sensual, e conta a história das primeiras memórias de um jovem sobre sua avó “nua e noturna” e como ela se mantém presente em sua vida bem depois da morte.

Em sua segunda novela, “O homem que sabia tudo” (2007, também sem versão em português), Sakhnóvski experimenta com gêneros, torcendo a narrativa até seus limites. De repente, o protagonista ganha superpoderes e é perseguido por diversas agências de inteligência do mundo.

97. Elena Tchijóva (1957 - )

Tchijóva ganhou fama com romance que retrata trajetória de uma menina muda criada por uma mãe solteira e três avós postiças em um apartamento comunal.

Elena Tchijóva ganhou fama com seu romance “Tempo das mulheres” (2009), um conto bonito e, ao mesmo tempo, triste, sobre a vida na Leningrado soviética. A jovem Sofia, muda, é uma de suas narradoras mais importantes, enquanto ouvimos seus pensamentos e sua voz adulta compondo a história.

Ela tenta compreender a vida em um apartamento comunal dos anos 1960 onde cresce com uma mãe solteira e três avós postiças. As adultas a criam em um clima que mistura uma religião secreta, alegorias e francês, enquanto a mantêm longe do orfanato.

A mudez de Sofia vira uma metáfora para o silêncio forçado daqueles tempos. Os monólogos fragmentados de Tchijóva abraçam a guerra e as mulheres, a fome e o ato de cozinhar.

Ainda sem publicações em português, ela tem já algumas obras em inglês e espanhol, como "The time of women" e "El tiempo sin ventanas"

96. Olga Slávnikova (1957 - )

Críticos classificaram Slávnikova como “seguidora ilustre do realismo mágico”.

Seu trabalho mais famoso é a distopia “2017”, escrito em 2006, mesmo ano em que é lançado “Metrô-2033”, de Glukhóvski (ver abaixo). A obra é uma contribuição ambiciosa e pós-moderna à venerada tradição literária.

Nos míticos Montes Rifeus, exploradores buscam pedras preciosas, enquanto nas ruas de uma cidade russa, o romance se desenrola tendo como pano de fundo o centenário da Revolução de 1917 – semelhante a um chamado à reincidência da violência. Slávnikova tece essas tramas paralelas e cenários junto a metáfora e fantasia.

Seu primeiro grande romance, “Uma libélula aumentada ao tamanho de um cachorro” também foi bem recebido pelos críticos, que escreveram que ela é uma seguidora ilustre das tradições do realismo mágico. Mas ela mesma considera outra obra, “Sozinho no espelho”, como seu melhor e mais subestimado romance.

A autora ainda não foi publicada em português, mas alguns de seus títulos já estão disponíveis em inglês, como "Light-headed", "2017: A novel" etc.

95. Román Sêntchin (1971 - )

Sêntchin segue a linha da “prosa rural” russa.

O crítico literário Lev Danílkin escreveu certa vez que o romance “Eltichevi” (2009), de Sêntchin, “é o oposto de Robinson Crusoé”: uma clara degradação do espírito humano, perdendo ao mundo exterior em todas as áreas”.

Román Sêntchin nasceu na República Siberiana de Tivá e se mudou para Moscou nos anos 1990. Hoje ele é editor-chefe da revista “Literatúrnaia Gazeta”.

“Eltishevi” é escrito no gênero conhecido como “prosa rural” (em russo, “derevênskaia próza”), com perdedores como personagens principais. Sêntchin continua no gênero em “Zona de inundação” (2015), romance sobre os trágicos destinos das pessoas forçadas a abandonar suas casas para abrir caminho a uma nova hidrelétrica.

Seus títulos ainda não saíram em português, mas é possível encontrar "Minus", entre outros, em inglês. 

94. Serguêi Chargunóv (1980 - )

Jornalista cresceu em família antissoviética, o que aumentou seu interesse tanto pela contracultura, como pelo próprio movimento comunista.

Jornalista cresceu em família antissoviética, o que aumentou seu interesse tanto pela contracultura, como pelo próprio movimento comunista. / Foto: TASS / Antôn Novoderejkin

O pai de Chargunóv foi um padre ortodoxo com uma prensa ilegal subterrânea, então ele cresceu naturalmente suspeitando dos que estavam no poder. Ele tinha atração por muita coisa antissoviética - como livros, revistas e rádio de contracultura -, mas também se sentiu seduzido pelo lado oposto, ou seja, o mundo comunista, que era proibido em sua família.

Chargunóv trabalhou como jornalista cobrindo as guerras da Tchetchênia e da Geórgia, assim como a revolução no Quirguistão.

Sua principal obra, “Um livro sem fotografias”, resgata as últimas décadas da história russa por meio de flashes da vida do autor: uma foto em preto e branco das barricadas de Moscou no outono de 1993 e o Chargunóv adolescente que foi assistir a essa, escondido pela cortina de fumaça.

Hoje, o escritor é deputado no parlamento russo e editor-chefe do site “Svobôdnaia préssa”.

Sua obra ainda não foi vertida ao português, mas há títulos seus em inglês, como "A Book Without Photographs".

93. Vladímir Charov (1952 - )

Charov tenta redesenhar a história russa e seus livros estão recheados de hipóteses impensáveis.

Escritor e ensaísta, Charov estreou como poeta em 1979. Alto e detentor de basta barba branca, ele guarda misteriosa semelhança com Lev Tolstói. Seus livros estão imbuídos de motes bíblicos e tentativas de repensar a história russa.

Seu romance “A ressurreição de Lázaro” interpreta as repressões de Stálin como um plano de oficiais de segurança de alta moral para salvar as almas dos mortos.

Seu último título, “Retorno ao Egito” é escritor em forma de cartas entre os descendentes do escritor Nikolai Gógol. Suas vidas seguem adiante através da revolução e eles pensam que se Gógol apenas tivesse escrito o segundo volume de “Almas Mortas” (que o autor queimou por não satisfazer-se com o resultado), então a Rússia poderia ter tomado outro rumo.

Ainda não há títulos seus em português, mas o autor foi vertido para o inglês em obras como "The Rehearsals" e"Before and During".

92. Máia Kutchérskaia (1970 - )

Obra de Kutchérskaia é voltada sobretudo a temas religiosos.

Kutchérskaia é escritora e crítica literária e tem uma escola de escrita criativa – um grande passo em um país onde se acredita que o autor tem ou um talento nato ou nada.

Seu interesse por literatura religiosa ortodoxa fica claro em suas premiadas obras “O Deus da Chuva” e “Fé e Humor: Notas da Moscóvia”.

A escritora também escreveu uma biografia do Grão Duque Konstantín Pávlovitch Românov e um livro de contos evangélicos para crianças, entre outros.

Sua obra ainda não foi vertida para o português.

91. Mikhaíl Elizárov (1973 - )

Cantor punk e escritor, Elizárov tem trajetória comparada à de Sorókin por críticos, evoluindo da prosa polêmica à inteligente.

Toda a controversa obra de Mikhaíl Elizárov levou a um embate intenso entre os críticos. Seu romance “Pasternak”, por exemplo, causou polêmica ao retratar o escritor vencedor do Nobel como um demônio que tentava envenenar as mentes dos intelectuais com suas obras.

Seu romance seguinte, “O bibliotecário”, foi altamente elogiado pelos críticos e ganhou o Rúski Buker. O romance é uma exploração total do passado soviético: as batalhas quase bélicas de bibliotecas por cópias de velhos romances que rendem a seus leitores poderes mágicos. Os críticos comparam a evolução dos trabalhos de Elizárov a Vladímir Sorókin (ver abaixo): da prosa escandalosa à inteligente.

Elizárova também é cantor e escreve letras de músicas, e gravou quatro álbuns no estilo bardo-punk-chanson russa.  

O autor ainda não foi vertido para o português, mas tem títulos em inglês, como "The Librarian".

90. Elena Fanáilova (1962 - )

Fanáilova é classificada como uma poeta severa por usar, por vezes, baixo calão e dar declarações políticas cortantes.

Elena Fanáilova escreve uma poesia que explora a temática amorosa. Seu poema “Eles querem ainda mais um Afeganistão”  (2001) conta a história de um soldado enviado para lutar em Grózni, entrelaçada à de sua relação com a mulher.

Ela pega um avião para vê-lo, faz abortos, envelhece. Ele experimenta a realidade diária da guerra, estupra moradoras locais com seus colegas soldados e volta para casa.

“Agora, os amantes têm, ambos, 40 anos... Nunca encontrarei outro país como este”.

Fanáilova trabalha para a Rádio Svobôda (também conhecida como Free Europe/Liberty) e é frequentemente classificada como um poeta severa devido a suas descrições realistas das pessoas (como nos versos “Uma mulher de um só braço em uma praia remove sua prótese e então nada e toma sol”), por seus palavrões (“Não sou uma pessoa vazia, um recipiente de merda”) e por suas ásperas declarações políticas (“A nação me saúda... ela é tomada refém todos os dias e ainda parece não senti-lo”).

A autora ainda não foi publicada em português, mas tem uma coletânea de poemas vertida para o inglês intitulada "The Russian Version".

89. Maria Gálina (1958 - )

Prosa mítica de Gálina tem elementos elaborados, mas é de fácil digestão.

Nascida em Tver, ao norte de Moscou, Gálina cresceu em Odessa, onde estudou biologia marinha. Ela diz que sua ascendência russo-ucraniana lhe deu o status neutro que sente que todos os escritores precisam.

“Não sei realmente qual minha nacionalidade. É mais fácil para mim ser simplesmente um ser humano”, diz.

Gálina acredita ainda que sua prosa ajude “a desmantelar a rígida imagem da realidade  na mente do homem moderno”, independente do sexo de seu leitor.

Muitos de seus romances têm protagonistas masculinos. “Medvédki” (em português, “Paquinhas”) conta a história de um escritor ermitão que cria pastiches personalizados em que os clientes podem se tornar heróis da literatura clássica, em uma obra que mistura mistério, suspense, farsa e uma saga de família.

Já seu romance de fantasia “Guivi e Chenderovitch” trata de duas personagens de bem com a vida que são sugadas para um mundo mítico de lendas entrelaçadas. O resultado é uma malha de histórias da antiga mitologia grega e árabe, magia oculta inglesa e misticismo judeu tão leve de ler que é difícil acreditar.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

88. Sacha Sokolóv (1943 - )

Filho de prováveis espiões, Sokolóv é o mais misterioso dos escritores russos contemporâneos e vive como um eremita no Canadá.

Sokolóv é um dos escritores russos mais misteriosos da atualidade. Nascido em Ottawa, no Canadá, em uma família de oficiais da inteligência soviética (e, provavelmente, espiões), ele se mudou para a União Soviética mas acabou retornando ao Canadá, onde vive em um rincão escondido e raramente aparece para o público ou concede entrevistas.

Ele ganhou fama quando seus romances foram publicados pela editora Ardis Publishers, fundada pelos norte-americanos Carl e Ellendea Proffer, que levavam manuscritos banidos da União Soviética para publicação nos EUA.

Seu “Uma escola de tolos” (1973) é um romance fantasmagórico sobre um estudante que tem distúrbio de múltiplas personalidades. Já “Entre cachorro e lobo” (1980) é escrito em três gêneros: poesia, narrativa clássica e coloquial e cartas de fluxos de consciência.

Após terminar seu último romance, “Palisanria”, Sokolóv decidiu dedicar-se apenas a ensaios, contos e poemas.

Sua obra ainda não foi vertida ao português, mas diversos de seus títulos já saíram em inglês, como “A school for fools”, “Between dog and wolf” e “In the house of the hanged”.

87. Evguêni Grichkovéts (1967 - )

Grichkovéts começou contando sua experiência na Marinha e o livro-perfomance foi seguido de outros.

Quando jovem, Grichkovéts serviu na Marinha Russa em um navio da frota do Oceano Pacífico. Depois de terminar o serviço militar, colocou suas memórias e impressões em “Como comi cachorro”. Apesar da expressão em russo existir com o sentido de “tornar-se especialista”, Grichkovéts a usa no sentido literal para contar como realmente comeu carne canina.

A obra descreve toda a insustentabilidade de um ser que acorda de manhã e não quer ir à escola e a falta de sentido da rotina militar que ele vivenciou durante o seviço na Marinha.

Depois do sucesso da performance da obra, que foi apresentada como “one-man show”, ele escreveu diversos outros textos do gênero, gravou músicas com bandas famosas e fez parte de diversos filmes. Seus monólogos sobre a vida russa têm enorme popularidade no YouTube.

Sua obra ainda não foi publicada em português, mas em espanhol é possível encontrar "La camisa" e há ainda outros títulos seus vertidos ao francês.

86. Mikhaíl Chíchkin (1961 - )

Chíchkin virou persona non grata após recusar-se a fazer parte da delegação oficial de escritores russos do Book Expo America.

Este emigrante russo que hoje vive na Suíça se recusou a participar da delegação oficial de escritores russos do Book Expo America, causando polêmica e se tornando persona non grata nos círculos literários do país.

Chíchkin disse certa vez que o escritor é “uma conexão entre dois mundos”, como o é o protagonista de sua obra-prima, “Venerin volós”, um intérprete do serviço de imigração suíço – função que o próprio escritor executou.

Os protagonistas de outro romance seu, “Pismôvnik” (do russo, uma espécie de conjunto de modelos para composição de cartas com conteúdos diversos), são um casal separado pela guerra. Eles se comunicam por cartas onde compartilham cada detalhe de suas vidas: a infância, as famílias, o cotidiano, suas alegrias e tristezas.

Seu  "Cartas de Amor e de Guerra" saiu pela portuguesa Itaca. 

85. Maksimiliân Volóchin (1877-1932)

Volóchin deixou de ser publicado após ascensão dos bolcheviques. Sobre eles, escreveu: “Algum grupo irá liberar novamente Moscou para acorrentar a Rússia novamente”.

Logo após a Revolução de 1917, o poeta Volóchin se estabeleceu em Koktebel, um local de beleza estonteante na costa sul da península da Crimeia.

Sua casa virou um misto de comuna literária e salão de artes, onde escritores de diversos pontos de vista políticos e artísticos faziam suas peregrinações.

Durante a sangrenta Guerra Civil, Volóchin transformou sua casa em abrigo, tanto para bolcheviques, como para membros do exército branco. Ele era um dos poucos se esforçando para tentar reunir o povo.

“Algum grupo irá liberar novamente Moscou para acorrentar a Rússia novamente”, escreveu sobre os bolcheviques. Depois que esses tomaram o poder, seus poemas deixaram de ser publicados.

Sua casa na Crimeia hoje abriga um museu onde é realizado anualmente um festival para reunir poetas de diversos países.

Sua obra ainda não foi vertida para o português, mas títulos como "Ways of Caim" estão disponíveis em inglês. 

84. Dmítri Glukhóvski (1979 -)

Glukhóvski escreveu seu primeiro livro aos 22 anos de idade. Sucesso bombástico veio com a internet.

Há mais de 15 anos, Glukhóvski escreveu, aos 22 anos de idade, “Metrô 2033” (em português pelas Edições Asa e Kobo Editions), que conta a história de sobreviventes de um acidente nuclear. Ele mandou o manuscrito a uma editora que respondeu com entusiasmo, mas particularmente preocupada com o fato de o personagem principal morrer no final, não deixando esperanças de uma sequência.

Apesar da rejeição, Glukhóvski publicou todos os 13 capítulos do romance on-line. Aos poucos, “Metrô 2033” ganhou popularidade. Encorajado pela resposta positiva dos leitores, Glukhóvski retomou o livro e reescreveu grande parte dele. Quando terminou, ofereceu a uma editora – desta vez, apoiado por milhares de leitores.

A obra fez tanto sucesso que já ganhou dois novos tomos, “Metrô 2034” e “Metrô 2035”. “Fiz nome graças à internet. Todos os meus romances estão disponíveis on-line, em seus próprios websites, acompanhados de trilhas sonoras e imagens”, diz Glukhóvski.

Sua obra foi traduzida para mais de 35 idiomas e Hollywood adaptará “Metrô 2033” para as telonas em breve.

83. Serguêi Lukiânenko (1968 - )

Lukiânenko escreve livros de terror.

Lukiânenko evoca um mundo sobrenatural singularmente russo. Seu primeiro best-seller de vampiros, a série “Patrulha da noite”, publicada inicialmente em 1998, que foi adaptada para o cinema e virou blockbuster e ímã de fãs.

Bruxas, feiticeiros, lobisomens, feiticeiras, súcubos e, claro, vampiros habitam o sombrio mundo moscovita com uma atmosfera única. Ele escreveu ainda outros quatro livros na série, considera sua própria obra como pós-modernista e ganhou diversos prêmios literários.

Em português, alguns de seus títulos já publicados são "Os Guardiães do Dia", "Os Guardiães do Crepúsculo" e "Os Guardiães da Noite", todos pela Editorial Presença.

82. Irmãos Strugátski brothers: Borís (1933-2012) e Arkádi (1925-1991)

Arkádi (esq.) e Borís Strugátski tiveram parte de seus trabalhos censurados na era soviética.

Os irmãos Strugátski são os mais celebrados escritores de ficção científica da União Soviética, e seu livro mais conhecido, “Piquenique na beira da estrada”, inspirou o filme “Stalker”, de Andrêi Tarkóvski.

A utopia dos Strugátski tocava uma questão fundamental da sociedade soviética, a questão do trabalho. Eles imaginaram como o “subbôtnik” (a tradição soviética de dias de trabalhos comunitários”) transformaram os dias de trabalho em um paraíso, o filisteu em um partidário de comuna e o ser metade animal em metade deus. Por isso, alguns de seus trabalhos foram censurados. 

Seu “Segunda-feira começa no sábado” era o equivalente soviético de “Harry Potter”, e estava comprometido com a burocratização da mágica ao torná-la nativa, acessível e digna de inveja.

Entre seus títulos publicados em português, estão: "Prisioneiros do Poder" (Livros o Brasil), "Certamente Talvez" (Civilização Brasileira), "Floresta sem Fim" (Europa-América), "Até o Fim do Mundo" (Europa-América), "Os Viajantes" (Europa-América), "O miúdo" (Caminho) e "Rotas para o amanhã" (Editorial Bruguera).

81. Dmítri Prígov (1940-2007)

Prígov foi um dos maiores nomes do Conceitualismo de Moscou.

Dmítri Aleksândrovich Prígov foi, provavelmente, uma das figuras mais excêntrica se fora do comum da cena cultural russa, conhecido por seus trabalhos inovadores e poemas gráficos, que não eram meros versos, mas objetos geométricos.

Um de seus trabalhos estampa um edifício de Moscou. Autor de dezenas de instalações e performances de arte desde o final dos anos 1980, seus trabalhos hoje ornam galerias do mundo todo.

Mas outras formas de arte também eram objeto de seu trabalho: por exemplo, ele escreveu 35 mil poemas, com traduções para o inglês, o italiano e o alemão de alguns deles.

A música de vanguarda foi outra de suas paixões, e ele foi um dos principais representantes do Conceitualismo de Moscou, um gênero genuinamente russo com uma nova visão da arte. Como muitos outros movimentos artísticos de ponta, a arte de Prígov era extraoficial e não conformista.

Sua obra ainda não foi publicada em português. 

80. Téffi (1872-1952)

Prígov foi um dos maiores nomes do Conceitualismo de Moscou.

Apelidada Téffi, Nadêjda Lokhvitskaia foi uma das fontes de luz mais badaladas entre os prosaístas dos anos anteriores à Revolução de 1917. A tal ponto que a escritora era abordada nas ruas de Moscou por admiradores de todos os lados – tanto tsaristas como leninistas.

Ela se misturava com figuras da alta sociedade como Raspútin e escreveu sobre essas com uma isenção inabalável e cortante. Téffi escolheu de propósito um pseudônimo andrógino - proveniente de “tolo”, já que esses supostamente dizem a verdade – e se estabeleceu no nicho de artigos satíricos e vinhetas da vida contemporânea.

Em suas memórias, pode-se encontrar tanto artistas russos, como poetas, escritores e figuras famosas que causavam tanto escândalo.

Sua obra ainda não foi vertida para o português, mas é possível encontrar muitos de seus títulos em inglês e espanhol. 

79. Aleksandr Sneguirióv (1980 - )

Sneguiriôv ganhou o Prêmio de Estreia para Jovens Escritores em 2009.

Sneguiriôv ganhou o Prêmio de Estreia para Jovens Escritores em 2009. Seu romance “Neftnaia Venera” (em tradução livre, “Vênus de petróleo” (2008) foi indicado para diversos dos principais prêmios literários, e suas obras foram traduzidas para o inglês, alemão e sueco.

Seu romance mais recente, “Vera”, que ganhou o Prêmio Rúski Buker de 2005, conta a história de uma jovem que está buscando a si mesma, quer ter filhos e coloca todas suas forças em encontrar um amor. Mas conseguir isso acaba não sendo tão fácil.

Os contos de Sneguirióv são montados em peças teatrais como parte do projeto “Leituras sem princípios”. Além de escrever, Sneguiriôv é editor-chefe da revista “Drújba narôdov” (em tradução livre, “Amizade entre os povos”).

Sua obra ainda não foi vertida para o português.

78. Siguizmúnd Krjijanóvski (1887-1950)

Krjijanóvski criou uma das principais obras do realismo mágico soviético.

As histórias experimentais do soviético Krjijanóvski, nascido na Polônia, são joias da era modernista, reminiscentes de Bulgákov e Biéli, de Kafka e de Proust. Como o tcheco Kafka, a maior parte dos trabalhos do russo foram publicadas postumamente; como Bulgákov, seu surrealismo febril é uma resposta à vida na Moscou Soviética, mas muito mais.

A obra de Krjijanóvski tem um universalismo que transcende a política da URSS da década de 1920. Seus principais trabalhos são “Klub ubits bukv” (em tradução livre, “Clube dos assassinos de letras”) e “Avtobiografia trupa” (“Autobiografia de um cadáver”), exemplo do realismo mágico soviético, e “Vozvraschenie Miunhgauzena” (“O retorno de Munchausen”).

No Brasil, a editora 34 publicou seu “O marcador de página e outros contos”.

77. Mikhaíl Príchvin (1873-1954)

Príchvin era um entusiasta da fotografia e louvado por Górki.

Toda criança soviética se lembra dos “Calendário da natureza” escrito por Príchvin, uma coleção de contos infantis glorificando as belezas naturais russas. O escritor viajou por todo o norte russo e reuniu informações sobre as tradições e dialetos locais, tangendo até mesmo o Extremo Oriente, onde escreveu sobre os animais selvagens locais.

Sua linguagem é tão bela que o escritor soviético Maksim Górki escreveu que ele tinha um talento excepcional para fazer tudo o que descrevia parecer ao alcance das mãos usando apenas combinações flexíveis de palavras simples.

Príchvin também era um entusiasta da fotografia, e alguns de seus livros, como “Na terra dos pássaros destemidos”, foram ilustrados com fotos que ele mesmo tirou.

Os diários de Príchvin são especialmente recomendados por pesquisadores, que dizem que o material é ainda mais valioso em termos de herança literária.

Seu "Ginseng" saiu em português pela editora Claridade.

76. Fiódor Sologúb (1863-1927)

Sologúb tem figura de destaque na literatura, altamente original, apesar de ser considerado um sucessor de Gógol e Dostoiévski.

Sologúb passou toda uma década escrevendo seu romance mais popular, “O Diabo Mesquinho” (no Brasil, o título saiu pela editora Kalinka), que terminou em 1902.

O protagonista, um professor de província chamado Peredonov, é um homem difícil, covarde, insuportavelmente banal que tem prazer em machucar os outros e mal consegue esconder sua loucura sob um véu de homem de respeito.

Uma das personagens mais formidáveis do romance não é nem pessoa, mas sim a alucinação de Peredonov, uma criatura chamada Nedotikomka.

Sologúb, que é considerado um sucessor de Gógol e Dostoiévski, é, ainda assim, altamente original e tem posição de destaque.

O escritor se mantém  na linha do realismo, mas consegue descrever a vida cotidiana provinciana sutil e mística, fazendo um balanço entre sonhos e realidade, medo e desespero, sentimentos tão fortes em cidades dos rincões do país.

Além da Kalinka, a 34 publicou seu "Luz e sombras" em português.

75. Andrêi Guelásimov (1965 - )

O siberiano Guelásimovtem obras vertidas para diversos idiomas e seu “Khôlod” parece ser a quintessência do romance russo.

Nascido na Sibéria, na cidade de Irkutsk, Andrêi Guelássimov é autor de diversos romances que foram traduzidos mundo afora. “Jájda” (em tradução livre, “Sede”) segue três homens que retornam da guerra na Tchetchênia e buscam por um quarto amigo.

“God obmana” (em tradução livre “Ano da mentira”) foca no mesmo período daquele, o final dos anos 1990, com a criminalidade que marcou o país e a negligência financeira. Este é um dos episódios mais controversos da história da Rússia contemporânea, mas o livro é escrito de forma engraçada e satírica com elementos grotescos.

Já a história de “Stépnie bógui” (“Reis da estepe”) se situa em 1945 na enorme fronteira leste da Rússia com a China. Em um pequeno vilarejo nas estepes, as pessoas esperam pelo retorno de tropas soviéticas após a guerra. Um menino isolado de 11 anos cujo pai morreu faz amizade com outro solitário, mas por razões diferentes: ele é um prisioneiro de guerra japonês.

Já “Khôlod” (em tradução livre, “Frio”, que saiu em inglês como “Into the Thickening Fog”) causa, muitas vezes, a impressão de ser a quintessência do romance russo, e começa com uma briga com bebedeira pesada em uma cidade congelada do norte, com cachorros, demônios e uma angústia existencial.

Sua obra ainda não saiu em português, mas é possível encontrar "la sed" em espanhol.

74. Alísa Ganíeva (1985 - )

Proveniente do Daguestão, Ganíeva foi apontada pelo The Guardian como uma das pessoas mais talentosas e influentes vivendo em Moscou na atualidade.

Criada na república russa do Daguestão, Ganíeva vive desde 2002 em Moscou, onde trabalha como crítica literária e editora. Seu romance de estreia, “Salam Dalgat”, ambientado no Cáucaso do Norte, foi escrito sob um pseudônimo masculino, Gulla Khiratchev.

A obra ganhou o Prêmio Literário de Estreia para Jovens Autores e é cheia de descrições vivas do Daguestão. Com a descrição autêntica de uma visão de mundo masculina é difícil acreditar que ela tenha sido escrita por uma mulher.

Seu segundo livro, “Praznítchnaia gora” (em tradução livre, “A montanha festiva”), explora a possível secessão do Cáucaso da Federação Russa, assim como questões do Islamismo e da globalização.

O romance de 2015 “Jeníkh e nevêsta” (em tradução livre, “Noivo e noiva”), que foi indicado ao prêmio Rúski Buker, descreve um casamento no Cáucaso. Ganíeva foi apontada pelo jornal britânico The Guardian como uma das pessoas mais talentosas e influentes vivendo em Moscou na atualidade.

Sua obra ainda não saiu em português, mas é possível encontrar seu "La montaña festiva" em espanhol.

73. Fazíl Iskandêr (1929-2016)

Iskandêr era filho de um iraniano com uma soviética e sua escrita é marcada pelo entrelaçamento de culturas: abecásia, georgiana, armênia e russa.

Iskandêr nasceu em Sukhumi, capital da Abecásia, filho de pai iraniano e mãe proveniente do vilarejo de Tcheguem, no Cáucaso. Neste contexto, sua escrita se afeiçoou a memórias de uma cidade multiétnica em que abecásios, georgianos (a Abecásia, então, era parte da Geórgia), armênios e russos viviam lado a lado. 

“Sou um escritor russo, mas canto a história da Abecásia”, costumava dizer o escritor. Sua principal coleção de escritos voltada à Abecásia é “Sandro iz Tchenguema” (em tradução livre, “Sandro de Tchenguem”) celebra o estilo de vida tradicional abecásio e captura a poesia de uma sociedade patriarcal.

Um de seus livros mais conhecidos, “Krôliki i udavi” (em tradução livre, “Coelhos e jiboias”), publicado pela primeira vez na URSS em 1982, é uma alegoria filosófica sobre as interações entre as camadas mais altas e baixas da sociedade. O livro foi um hit instantâneo entre intelectuais soviéticos.

Sua obra ainda não está disponível em português.

72. Dmítri Bíkov (1967 - )

Bíkov é um dos escritores mais badalados da Rússia contemporânea e ativista político.

Um dos escritores mais badalados da Rússia contemporânea, Bíkov é um homem multitarefas: escritor, poeta, articulista, professor e ativista político. Suas conferências on-line sobre literatura russa são muito populares e seu projeto conjunto com o ator Mikhaíl Iefremov, “Cidadão Poeta”, tem milhões de visualizações no YouTube.

Ele também escreveu diversas biografias sobre escritores russos e é conferencista convidado da Universidade de Princeton.

Sua obra ainda não está disponível em português, mas em inglês é possível adquirir títulos como "Living Souls".

71. Aleksandr Têrekhov (1966 - )

Um dos romances mais aclamado de Têrekhov e que ganhou diversos prêmios é “Nêmtsi” (em português, “Alemães”), que retrata a vida dos burocratas de Moscou.

Têrekhov, como muitos outros, começou a carreira como jornalista, mas foi o livro de 800 páginas “Kâmenni most” (em tradução livre, “Ponte de pedra”, publicado em inglês como "The Stone Bridge"), uma história a la Romeu e Julieta ambientada na era soviética. Pseudo-documental, a obra traz a investigação contemporânea de um acidente bizarro que ficou no passado.

Em 1943, na “Bolshói kâmenni most” (em português, “Grande Ponte de Pedra”), um adolescente de 15 anos assassinou uma colega de classe devido a seu amor não correspondido e depois se suicidou. O mais interessante, porém, é que os jovens pertenciam aos círculos próximos a Stálin.

Outro romance aclamado de sua autoria que ganhou diversos prêmios é “Nêmtsi” (em português, “Alemães”), que retrata a vida dos burocratas de Moscou.

Seus trabalhos ainda não foram publicados em português.

70. Iúri Mamléev (1931-2015)

Mamléev é considerado o criador do “realismo metafísico” e sua obra mais aclamada examina as experiências de um homem que comete uma série de crimes para tentar penetrar nos mistérios da vida e da morte.

Mamleev é considerado o criador de um novo estilo literário, o “realismo metafísico”, aplicado em seu estudo filosófico “Sudbá bitiá” (em tradução livre, “O destino da existência”). Já em sua obra “Vétchnaia Rossia” (“Rússia eterna”), Mamleev segue o exemplo dos filósofos da Era de Prata ao criar seu próprio conceito de nacionalismo russo.

O autor pertenceu a um grupo de escritores beirando o underground que não eram reconhecidos pelo regime soviético e, portanto, foram ignorados pelas editoras soviéticas, que eram centralizadas pelo Estado.

Seus primeiros trabalhos foram distribuídos no sistema de “samizdat”. Seu romance místico “Shatuni” (em tradução livre, “Bielas”, publicado em inglês como “The sublimes”) , escrito em 1966, é um dos trabalhos mais aclamados de Mamleev. Seu protagonista, Fiódor Sonnov, comete uma série de crimes com o objetivo de penetrar nos mistérios das almas das vítimas e aprender o segredo eterno da morte por meios empíricos.

Sua obra ainda não foi vertida ao português. Em inglês, é possível encontrar títulos como "The Sky Above Hell and Other Stories"

69. Liudmila Petruchévskaia (1938 - )

Petruchévskaia é dramaturga, escritora e cantora, e seus escritos fazem sucesso entre adultos e crianças.

A poesia e a prosa de Petruchévskaia elevam pensamentos e emoções, ao mesmo tempo em que parecem insanas e sórdidas. Um exemplo disso é “Vrêmia notch”, uma novela em que o cuidado sufocante de uma mãe quanto aos filhos, já adultos, retarda seu desenvolvimento, irrita-os e parece desnecessário e até, por vezes, irracional.

Petruchévskaia também é dramaturga e cantora e, aos 70 anos, continua a apresentar-se em shows. Suas peças já foram encenadas em diversos teatros e ela colaborou o gênio da animação Iúri Norchtein, autor dos aclamados filmes animados “Iôjik v tumâne” (em tradução livre, “O porco espinho na neblina”) e “Ckázka ckázok” (“O conto dos contos”), que tem roteiro de Petruchévskaia.

A escritora escreveu os textos de uma trilogia de livros sobre o porco Piglet Pig para crianças pequenas, fábulas com significado filosófico mais profundo. As histórias simples foram um sucesso na internet, e adultos fizeram seus próprios desenhos baseados nelas.

Em português, a Relógio d'Água publicou seus "A Mulher Que Tentou Matar o Bebé da Vizinha" e "Hora: noite".

68. Maksím Amelin (1970 - )

Maksím Amélin

Maksím Amélin é amplamente publicado e provavelmente o maior poeta contemporâneo russo. Ele também é tradutor de autores clássicos como os gregos Cátulo e Píndaro, e trabalha desde 2008 como editor-chefe da OGI, editora de obras-primas para o mercado russo de livros que vende títulos em russo e inglês.

Amélin faz parte da última geração de poetas que cresceram na União Soviética. Como tradutor e escritor, ele acredita que “a poesia deve ser traduzida por poetas”. Em 2013, ele recebeu o Prêmio Aleksandr Soljenítsin por seus experimentos poéticos e papel como educador ao trazer livros modernos raros e traduções de um passado distante ao público atual.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

67. Dína Rúbina (1953 - )

Rúbina hoje vive em Israel, mas está frequentemente apresentando seus livros e proferindo palestras na Rússia.

A russa-israelense Dína Rúbina nasceu e passou sua infância em Tashkent, a ensolarada capital do Uzbequistão soviético, na Ásia Central, onde representantes de diferentes culturas e etnias viviam lado a lado durante a União Soviética.

O sol ardente, a polifonia de uma cidade oriental, diversos episódios sua infância e adolescência aparecem a todo tempo em seus romances e contos.

Em seu romance best-seller “Na sôlnetchnoi stôrone úlitsi” (em tradução livre, “No lado ensolarado da rua”), ambientado em Tashkent, o enredo entremeia memórias das vidas reais de moradores da capital uzbeque para produzir um efeito poderoso.

Seus protagonistas são frequentemente artistas e pessoas nada convencionais: pintores, cantores, artistas circenses ou apenas gente talentosa em algo. Hoje, a autora vive em Israel, mas pode ser encontrada constantemente na Rússia onde faz apresentações de livros – essas, sempre populares, reunindo grandes plateias.

Sua obra ainda não foi publicda em português. Em inglês, é possível encontrar títulos seus como "Here Comes the Messiah!".

66. Gaitô Gazdânov (1903-1971)

Gaitô Gazdânov foi lançado em 1929 em Paris, onde trabalhou descarregando barcaças no Sena e operando máquinas na Citroën para se manter.

Gazdânov estreou na cena literária no final dos anos 1920, inicialmente como autor de contos. Foi em 1929 que sua carreira sofreu uma reviravolta, quando foi lançado em Paris seu primeiro romance, “Vietcher u Kler” (em tradução livre, “Uma noite na Claire”, publicado em inglês como “Uma noite com Claire”).

O livro foi muito bem recebido pela comunidade de emigrados russos, e os críticos o comparavam a Proust e Vladímir Nabôkov.

Gazdânov trocou a União Soviética por Paris em 1923, quando tinha 20 anos, e teve que trabalhar com o que estivesse à mão: descarregando barcaças no rio Sena, limpando locomotivas, operando máquinas na fábrica da Citroën e, por três meses, na editora Hachette. O escritor chegou a ser obrigado a morar nas ruas, até que encontrou um emprego como motorista de táxi noturno, em 1928.

Nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, ele publicou dois livros: “Istoria odnogô putechêstvia” (em tradução livre, “História de uma viagem”, de 1938) e “Notchníe dorôgui” (em tradução livre, “Caminhos noturnos”, de 1939- 1941, publicado em inglês como “Night Roads”).

No último, o protagonista, obviamente alter ego de Gazdânov, é um motorista de táxi em Paris.

Ainda não há obras suas vertidas para o português, mas muitos de seus títulos já estão em espanhol e inglês.

65. Leoníd Iuzefóvitch (1947 - )

Iuzefóvitch apresenta eventos históricos mantendo a devida distância crítica, um dos motivos de seu sucesso bombástico.

Iuzefóvitch tende a focar em temas históricos e assuntos difíceis. Seu romance “Samoderjêts pustíni” (em tradução livre, “O autocrata do deserto”), retrata a Guerra Civil Russa, enquanto “Juravlí i karliki” (“Gruas e anões”)  descreve eventos relativos ao Putsch de 1993, o falho golpe dos comunistas para retomar o poder na Rússia.

O recente romance documental premiado “Zímniaia dorôga” (em tradução livre, “A estrada de inverno”) começa no final da Guerra Civil, quando os bolcheviques já haviam declarado vitória na Rússia europeia mas a luta ainda continuava no Extremo Oriente russo. Para escrever esta obra, o autor pesquisou dezenas de diários, memórias e cartas, comparando versões diferentes dos mesmos eventos.

A popularidade de Iuzefóvitch está bastante ligada a seu estilo literário. Ao invés de apresentar suas próprias ideias sobre o andamento da história, ele apresenta os eventos em uma narrativa que mantém a devida distância crítica e não se entrega a paixões. Além disso, seus protagonistas são frequentemente membros de grupos pouco conhecidos ou até completamente ignorados.

Sua obra ainda não foi vertida para o português.

64. Víktor Pelêvin (1962 - )

Víktor Pelêvin direcionou os gostos literários russos nos anos 1990, com seus mitos e lendas sobre um novo país que florescia.

Os escritos de Víktor Pelêvin direcionaram o gosto do público russo durante os anos 1990, com seus mitos e lendas sobre um novo país que nascia, que acompanharam o crescimento de toda uma geração lendo títulos como “Omon Ra”, “Generation ‘P’” (em tradução livre, “Geração ‘P’”) e “A vida dos insetos” (que saiu no Brasil pela editora Rocco).

A obra-prima do escritor, “Tchapáev e Pustatá”, que saiu no Brasil pela Rocco como “A metralhadora de argila”, também é conhecida como o primeiro romance zen-budista russo, e é baseada na natureza indivisível da realidade autêntica e projetada.

Os romances de Pelêvin são também uma resposta rápida ao que acontece na sociedade, mostrando seus pecados e vícios, como em “Liubóv k triôm tsukerbrinam” (em tradução livre, “Amor aos três Zuckerbrins”).

Sua obra ainda não foi vertida para o português, mas pode ser encontrada em inglês. 

63. Guzél Iákhina (1977 - )

Estreia de Guzél Yákhina foi acompanhada dos principais prêmios nacionais.

Em 2015, Iákhina invadiu a cena literária russa com seu primeiro romance, “Zuleikha otkriváet glazá” (em tradução livre, “Zuleikha abre os olhos”), que levou os principais prêmios literários russos e tornou-se o livro mais falado do ano.

A obra traz a história de uma mulher muçulmana de um vilarejo soviético no Tataristão que sai da prisão de sua casa para outra, um campo de trabalhos forçados “gulag”. Sobrevivendo ao inverno na floresta com outros prisioneiros e até mesmo dando a luz a um filho, ela encontra uma vida nova e ainda melhor, onde encontra o amor.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

62. Konstantín Paustóvski (1892-1968)

Konstantín Paustóvsky é um dos mestres da descrição natural, e seu “Pôvest o jízni” é uma obra autobiográfica fundamental em seis tomos.

Paustóvski esteve lado a lado com Mikhaíl Príchvin como mestre das descrições naturais. Como Príchvin, ele também viajou muito, dedicando seus títulos a locais que visitou: a costa do Mar Negro, a Geórgia e as florestas da planície de Mechera, na Rússia central.

O primeiro livro a lhe trazer reconhecimento do público e da crítica foi “Kara-Bogaz”, cujo título se refere à baía de Garabogazköl, ou Lago da Garganta Negra, no Turcomenistão.

Já “Zolotáia rôza” (em tradução livre, “Rosa dourada”), é dedicado a seu processo criativo, profundamente pessoal, e Paustóvski pesquisa a essência da arte de ser escritor, relembrando seus momentos de inspiração, assim como os de outros autores.

“Pôvest o jízni” (em tradução livre, “História sobre a vida”, publicado em inglês como “The story of a life”), é uma obra autobiográfica fundamental em seis tomos.

Sua obra ainda não foi vertida para o português, mas pode ser encontrada em inglês. 

61. Vladímir Sorókin (1955 - )

O polêmico Vladímir Sorókin, que já veio à Flip em Paraty e teve seu “Dostoiévski Trip” publicado pela 34.

Convidado da Flip em 2014, Sorókin é um dos escritores contemporâneos mais controversos e importantes da Rússia. Nos anos 1980, ele foi um dos principais nomes do conceitualismo underground. Já nos 1990, ativistas pró-Kremlin organizaram diversas ações contra Sorókin, queimando seus livros, que consideravam como pornografia.

Seu título mais popular é “Den oprítchnika”, que retrata os tempos de Ivan, o Terrível traçando paralelos óbvios com a Rússia contemporânea.

Sua “trilogia do gelo” (“Liôdnaia triloguia”, composta por “Liôd”, “Put Bro” e “23000”) fala sobre um espaço místico de gelo na Terra pós-apocalipse.

Já seu último livro, “Manaraga”, que sugere uma visão distópica pós-modernista de livros e leituras, é contado em forma de um diário de um churrasqueiro de livros que vende comida grelhada sobre livros queimados – os clientes escolhem sobre quais livros querem que sua comida seja preparada.

No Brasil, seu “Dostoiévski trip” foi publicado, com tradução direta do russo, pelo editora 34.

Leia mais aqui.

60. Víktor Eroféiev (1947 - )

Víktor Eroféiev é filho de um tradutor pessoal de Stálin e seu posicionamento causou a carreira diplomática do pai.

Apesar de filho de um diplomata e tradutor pessoal de Stálin, Víktor Eroféiev rapidamente se proclamou um rebelde, logo no início de sua carreira literária. Em 1979, ele organizou a publicação de uma coleção “samizdat” intitulada “Metropol” que trazia,. sem censuras, as obras de escritores soviéticos famosos, como Vassíli Aksiônov e a poeta Bella Akhmadúlina.

O trabalho de editor underground de Víktor custou a carreira diplomática de seu pai, uma saga que ele usaria mais tarde como trama de seu romance “Khorôshi Stálin” (em tradução livre, “O bom Stálin”, de 2004). Sua publicação na União Soviética foi suspensa por uma década após o ocorrido com o pai, e sua popularidade coincidiu com a queda da URSS.

Seu primeiro romance, “Rúskaia krasávitsa” (em tradução livre, “Beleza russa”, publicado em inglês como “Russian beauty”), foi publicado em 1990, e teve sucesso internacional instantâneo, traduzido para dezenas de idiomas.

O autor não teve medo de chocar e de desafiar seus leitores com títulos como “O bom Stálin”, “Rúski apokalipsis” (em tradução livre, “Apocalipse russo”) e “Svét diávola” (em tradução livre, “A luz do diabo”).

Ele tenta, de maneira infatigável, entender a mentalidade e as motivações dos russos, algo que tem repetido também em trabalhos recentes.

No Brasil, a editora Record publicou seu “A bela de Moscou” nos anos 1990.

59. Aleksandr Tvardóvski (1910-1971)

Tvardóvski foi conhecido tanto por seu trabalho como escritor, quanto como editor na Nôvi Mir, onde publicou pela primeira vez “Um dia na vida de Ivan Deníssovitch”, de Soljenítsin, um evento histórico.

Tvardóvski é um poeta soviético icônico, famoso sobretudo por seu poema épico “Vassíli Tiôrkin”, em que a personagem principal é uma imagem coletiva de um soldado da Segunda Guerra Mundial, heroico mas comum.

O poema foi muito popular, especial entre os que serviram e lutaram contra os nazistas. Durante a guerra, Tvardóvski trabalhou como correspondente para o jornal oficial do exército, o “Krásnaia zvezdá”.

Tvardóvski também é conhecido por seu papel como editor-chefe da revista literária “Nôvi Mir” (do russo, “Novo mundo”), em que publicou críticas e contos de escritores soviéticos.

Com permissão do líder soviético Nikita Khruchov, Tvardóvski publicou “Um dia na vida de Ivan Deníssovitch” (que saiu nos anos 1970 pelo “Círculo do Livro”), de Aleksandr Soljenítsin. A publicação foi um evento histórico: pela primeira vez a imprensa soviética tangia o tema da gulag.

Ainda na Nôvi Mir, Tvardóvski publicou autores da então chamada “oposição legalizada”, que ajudou a desbancar o culto a Stálin.

Sua obra ainda não foi vertida ao português.

58. Borís Vassíliev (1924-2013)

Borís Vasíliev marcou a literatura de guerra russa.

Vassíliev se candidatou voluntariamente para lutar na Segunda Guerra quando tinha 17 anos, e é difícil imaginar a literatura de guerra russa sem seu “As auroras nascem tranquilas” (publicado em português pela editora Raduga nos anos 1980), que conta a história de quatro garotas e seu comandante lutando contra os nazistas na floresta. O romance, que foi encenado no teatro e adaptado para o cinema diversas vezes, ainda leva o público às lágrimas.

Graças a Vasíliev e a toda uma geração de escritores cuja arte nasceu no campo de batalha, a guerra passou a ser vista sob nova luz: era não apenas um êxito do povo soviético, não apenas um evento de escala e significado globais, mas também o drama pessoal de cada um.

Vasíliev fez seu nome também como roteirista. Junto a Kiríll Rapoport, ele escreveu o roteiro do icônico filme “Ofitseri” (em tradução livre, “Oficiais”), um conto épico de do longo serviço prestado por dois comandantes.

57. Olga Bergholz (1910-1975)

Olga Bergholz é símbolo do Cerco de Leningrado e dos esforços para sobreviver a ele.

Nascida em São Petersburgo, Olga Bergholz tornou-se símbolo do Cerco de Leningrado e dos esforços para sobreviver em uma situação tão terrível. Durante o cerco, ela transmitiu seus poemas por meio de alto-falantes e do rádio para imbuir os espíritos dos moradores locais.

Sabendo que, ao falar do outro lado do microfone, ela estava tão cercada quanto eles, os moradores de Leningrado sentiam alguma esperança.

No final das contas, entre bombardeios e fome, ela ainda estava escrevendo poemas e os recitando, falando de sofrimento, medo, do horror da morte e das vidas insuportáveis que se viviam ali.

Bergholz se inspirou profundamente em Anna Akhmátova, que também escreveu poemas de dentro do Cerco de Leningrado e que testemunhou o primeiro bombardeio de artilharia da cidade.

Sa obra ainda não foi publicada em português.

56. Aleksandr Fadêiev (1901-1956)

Aleksandr Fadêiev

Aleksandr Fadêiev ficou famoso principalmente com a obra “Molodáia gvardia” (em tradução livre, “A jovem guarda”), romance ambientado na Ucrânia ocupada em 1942 e que está entre os principais best-sellers soviéticos de guerra.

No romance, Fadeiev retrata a audaz batalha de cerca de 100 jovens na resistência soviética secreta contra os nazistas na cidade de Krasnodon.

O final da Jovem Guarda, porém, foi trágico. Os partisans foram traídos, torturados e mortos pelos alemães. O cativante livro heroico - que é visto como correto do ponto de vista histórico, mas é ficção – foi incluído no programa escolar soviético de literatura, mas apenas após Fadêiev prometer reescrever algumas partes para satisfazer o Partido Comunista em 1948.

Fadêiev também foi chefe da União dos Escritores, seção estatal que oficializava a escrita na era soviética.

Em português, seu “A derrota” saiu nos anos 1980 pela Editorial Caminho.

55. Vassíli Grossman (1905-1964)

Vassíli Grossman passou mais de mil dias na frente de batalha e escreveu sobre isso em seus livros, mas esses foram considerados “antissoviéticos”.

Após passar mais de 1.000 dias na frente de batalha, Grossman escreveu seu “Vida e Destino” (que saiu no Brasil pela Alfaguara/Objetiva, e em Portugal pela Dom Quixote, além da Kobo Editions) e é considerado um dos maiores romances de guerra de todos os tempos.

Grossman observa e registra de maneira vívida a tragédia das pessoas vivendo em uma sociedade totalitária e em guerra. Como muitos de seus colegas, ele nunca viu o próprio trabalho publicado em vida.

Sua saga indomável, conhecida como “O Guerra e Paz do século 21”, retrata a história dramática da vida de uma família durante a batalha de Stalingrado. Mas o romance foi considerado “antissoviético” e precisou ser contrabandeado para fora do país.

Em 1989, no final da Perestroika, “Vida e destino” foi publicado pela primeira vez em russo. Mas o autor ficou famoso durante a vida por seus ensaios e reportagens sobre a guerra, que também foram publicados em português pela Objetiva e pela Edições 70, sob o título “Um escritor na guerra”.

Outros títulos seus em português são "A estrada", que saiu pela Alfaguara, "Tudo passa", pela Dom Quixote e Kobo Editions, e "Povo imortal", pela Renascença.

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54. Daníl Grânin (1919-2017)

Em seu “Blokádnaia kníga”, Daníl Grânin traz um relato vívido e documental dos 900 dias do Cerco de Leningrado.

Sobrevivente do Cerco de Leningrado, Daníl Grânin, junto ao autor bielorrusso Ales Adamovitch, escreveu o livro de não ficção “Blokádnaia kníga” (em tradução livre, “Livro do Cerco”, publicado em inglês como “Leningrad Under Siege”), que traz um relato vívido e detalhado dos 900 terríveis dias de cerco nazista.

Seus retratos individuais das vidas que foram tomadas como reféns e de bairros sob ataque são impossíveis de se esquecer. A obra narra o esforço de vida e de morte de uma cidade e seus moradores que, condenados a um inferno, nunca se renderam.

Outro assunto que Grânin cobriu com sua escrita foi a vida de cientistas e do progresso tecnológico, e ele foi pioneiro em um novo gênero de “ficção documental” na União Soviética.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

53. Aleksandr Radíschev (1749-1802)

Aleksandr Radíchev foi enviado à Sibéria devido a suas críticas à terrível situação em que se encontravam os camponeses no século 18.

Um dos poucos autores do século 18 que selecionamos para esta lista, Radíschev esteve entre os primeiros escritores russos perseguidos e exilados devido a seu trabalho.

Um de seus títulos mais famosos, “Putechestvie iz Petersburga v Moskvu” (em tradução livre, “Viagem de São Petersburgo a Moscou”, publicado em inglês sob o título “Journey from St. Petersburg to Moscow”) mostra o lado não oficial da vida russa, retratando os problemas dos camponeses e reflexões corajosas sobre a servidão.

Escrito após a onda de levantes sócio-políticos que se seguiram à Guerra de Independência Americana e no começo da Revolução Francesa, o livro veio como uma tentativa de Radíchev de mudar algo no país ao expor da situação medonha em que a população camponesa se encontrava.

Mas o livro foi parar em cima da mesa da imperatriz Catarina, a Grande, que encheu suas páginas de comentários e afirmou que o autor era “um rebelde pior que [Emelian] Pugatchov”, o chefe da grande insurreição antifeudal dos camponeses e cossacos na Rússia no século 18.

Radíchev foi enviado à medonha prisão da Fortaleza de São Pedro e São Paulo. No início, a imperatriz queria a pena de morte para o escritor, mas decidiu mostrar piedade e o exilou para a Sibéria.

Seu filho, o imperador Pável I, cancelou a maior parte das ordens de sua mãe quando assumiu o trono, e libertou Radíchev.

Sua obra não tem tradução para o português, mas é possível encontrar "Viaje de petersburgo a moscu" em espanhol.

52. Aleksandr Herzen (1812-1870)

Aleksandr Herzen foi considerado, talvez erroneamente, um revolucionário.

O escritor e pensador político Aleksandr Herzen é considerado um revolucionário e, geralmente, pensado sob o modo como Vladímir Lênin o caracterizou: “Os dezembristas acordaram Herzen. Herzen lançou uma agitação revolucionária”.

Na realidade, porém, o escritor do século 19 não queria qualquer revolução, e escreveu que a execução dos dezembristas “acordou a [sua] alma de um sonho infantil”.

Ele escreveu um romance cujo título coloca uma das principais questões da Rússia até os dias atuais: “Kto vinovát?” (em tradução livre, “Quem é o culpado?”).

Em 1852, Herzen se mudou para Londres, onde estabeleceu sua editora Free Russian Press e publicou o famoso jornal Kolokól (em português, “O sino”).

Sua obra não está disponível em português.

51. Nikolái Tchernichévski (1828-1889)

Nikolái Tchernichévski

Nikolái Tchernichévski foi um revolucionário, democrata e filósofo do século 19 que colocou uma visão utópica da sociedade socialistas que estava por trás do capitalismo.

Ele ficou famoso principalmente por seu romance “O que fazer?”, publicado no Brasil pela editora Prismas em tradução direta do russo por Angelo Segrillo.

A trama conta a história de Vera Pávlovna, uma jovem lutando para escapar de uma vida desapaixonada que sua mãe, maquinadora e gananciosa, tenta lhe impor casando a filha com seu senhorio.

Buscando independência, ela, pelo contrário, casa-se com um estudante de medicina de pensamento revolucionário, Lopukhov, e começa a obter êxito como costureira.

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50. Svetlana Aleksiêvitch (1948 - )

Após receber o Nobel em 2015 e visitar o país na Flip de 2016, Svetlana Aleksiêvitch ganhou diversas publicações em português.

Nascida na cidade de Ivano-Frankivsk, na Ucrânia soviética, e criada na Bielorrússia, Aleksiêvitch teve seus primeiros trabalhos publicados ainda na era soviética e continua a escrever em russo, frequentemente com pontos de vista contrários à Rússia.

Aleksiêvitch não testemunhou a Segunda Guerra Mundial, mas escreveu um livro de não ficção poderoso sobre ela, “A guerra não tem rosto de mulher”, publicado também no Brasil após receber o Nobel em 2015 e visitar o país durante a Flip de 2016. A obra foi encenada no teatro e adaptada para o cinema.

Hoje, seus livros são traduzidos para dezenas de idiomas. Aleksiêvitch sempre se sustentou, porém, principalmente do trabalho como jornalista, e não como escritora. Sua literatura é diversa, e nem sempre elegante.

Em português ainda, a editora Elsinore publicou "As Últimas Testemunhas", "Vozes de Chernobyl", "A Guerra Não Tem Rosto de Mulher"e "Rapazes de Zinco", e a Porto Editora, "O Fim do Homem Soviético".

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49. Zakhár Prilépin (1975 - )

Zakhár Prilépin

Prilépin é, definitivamente, o principal escritor de guerra contemporâneo russo. Ele ganou fama com seu romance “Patologui” (em tradução livre, “Patologias”), em que descrevia como lutou na Tchetchênia nos anos 1990.

Já o romance “Sankia” (publicado em inglês sob o mesmo título) conta a história de um jovem ativista da oposição e membro de uma organização banida que participa de demonstrações, foge da polícia e se esconde no submundo russo.

Na vida real, Prilépin foi membro do Partido Bolchevique Nacional, já banido, e depois, de partido similar intitulado “Outra Rússia”, em que participava de protestos junto a Eduard Limonov.

As obras de Prilépin receberam diversos prêmios. Em 2014, seu best-seller “Obitel” (em tradução livre, “Mosteiro”), sobre o campo prisional Solovki, ganhou o principal prêmio literário russo, o Grande Prêmio do Livro, e ainda é um dos mais vendidos nas livrarias.

Seu mais recente título, “Vzbod. Ofitseri i opoltchentsi ruskoi literaturi” (em tradução livre, “Pelotão. Oficiais e rebeldes da literatura russa” mostra escritores russos que participaram de diversas guerras.

Após publicar esta obra, Prilépin anunciou que faria uma pausa na literatura para se tornar líder de um batalhão na autoproclamada República Popular de Donetsk contra Kiev.

Sua obra não está disponível em português, mas "Patologías" foi publicado em espanhol.

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48. Evguêni Evtuchênko (1932-2017)

Evtuchênko foi um dos expoentes da poesia nos anos 1960, e enchia estádios de espectadores para ouvi-lo declamar.

Evtuchênko é um representante da geração de escritores do pós-guerra e um dos raros poetas cujos versos entraram na trama da língua moderna, transformando-se em ditos populares: “Um poeta na Rússia é mais que um poeta” e “E os russos querem guerra?”. Falantes nativos do russo proferem essas linhas sem pensar sobre de onde elas vieram.

Como um dos expoentes da poesia dos anos 1960, junto a Voznesenski e Rojdestvenski, ele ganhou enorme popularidade e enchia estádios de espectadores pata ouvir seus poemas. Entre os mais famosos deles estão “Estação hidrelétrica Bratsk” e “Babi Iar”.

No Brasil, foram publicados títulos seus como “Não morra antes de morrer” (Ed. Record) e “Biografia Precoce” (Ed. José Alvaro e, posteriormente, pela Brasiliense).

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47. Varlám Chalámov (1907-1982)

Os “Contos de Kolimá” de Chalámov saíram no Brasil em seis tomos pela editora 34.

Outro escritor que sofreu nas mãos do poder soviético, Chalámov sobreviveu em um lugar ainda mais medonho que a guerra, já que não eram os nazistas, mas os soviéticos quem matavam seus próprios cidadãos. Chalámov sobreviveu a 17 anos nos campos de trabalho forçado, os chamados gulag. Lá, ele escreveu “Contos de Kolimá”, um livro “poderoso”, como o qualificou certa vez Soljenítsin.

O livro, que no Brasil saiu em seis volumes pela editora 34, é um relato da brutalidade desumana do poder e do sofrimento humano.

Chalámov escreveu, certa vez, que “um escritor deve ser estranho aos objetos que descreve”. Seu trabalho é definido por essa linha, direto e objetivo.

Cada história dos “Contos de Kolimá” está contida em si própria, focando um elemento diferente da vida na Gulag, um evento ou personalidade específica. Mas a divisão temática mascara uma unidade artística mais profunda.

A questão central de Chalámov é o que sustenta e direciona os humanos, dando-nos a capacidade de sobreviver a experiências como os campos de Kolimá.

Os "Contos de Kolimá" saíram em Portugal pela Relógio d'Água.

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46. Nikolái Gumilióv (1886-1921)

Gumilióv foi marido de Akhmátova e criador do “Acmeísmo”. Seu trágico fim veio com a execução pelo regime Stálin.

Nikolái Gumilióv foi marido da poeta Anna Akhmátova e representante da Era de Prata da poesia russa. Ele foi executado e seu filho, preso.

Seu maior reconhecimento está na criação de um novo movimento literário intitulado “Acmeísmo”, que retratava a expressão direta por meio de imagens claras e que era uma confrontação a simbolismo abstrato.

Akhmátova, que também foi acmeísta, dedicou inúmeros poemas líricos a ele, e vice-versa. O casamento durou oito anos tempestuosos até finalmente chegar ao fim.

Depois de ele ser declarado “inimigo do povo” e executado pelo regime Stálin por opor-se aos bolcheviques, Akhmátova se negava a denunciá-lo e ajudou a preservar seu legado poético.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

45. Mikhaíl Zôchenko (1894-1958) 

Zôchenko é um dos sucessores mais bem-sucedidos da tradição gogoliana.

Um dos sucessores mais bem-sucedidos da tradição de Gógol na literatura soviética, Mikhaíl Zôchenko  continuam pouco conhecido dos leitores estrangeiros. Ele escreveu a maior parte de sua obra nos anos 1920 mostrando como os ideias da revolução foram substituídos por valores da pequena burguesia.

As histórias de Zôchenko são contos ou anedotas: curtos, em linguagem simples, frequentemente paradoxais e sempre muito engraçados. Mesmo assim, ele era um dos queridinhos da elite soviética, que via sua sátira de modo ideológico, como uma denúncia do “filistinismo” e dos “sinais de nascença do velho mundo”.

Stálin, porém, viu na ficção de Zôchenko não apenas “heróis positivos” oportunistas, mas também um Lênin que assumiu as características de uma marionete de divertimento. Stálin sinalizou uma quebra e, em 1946, Zôchenko foi tachado como patrocinador vulgar e asqueroso de ideias não progressistas e apolíticas.

Junto à poeta Anna Akhmátova, Zôchenko foi expulso, por decreto especial, da União dos Escritores e privado de seu cartão de alimentação de trabalhador. Editores, jornais e teatros começaram a cancelar contratos com ele e exigir que quaisquer adiantamentos fossem devolvidos.

Sua obra ainda não está vertida ao português.

44. Daníl Kharms (1905-1942)

Daníl Kharms é marcado pelo satírico e usa o ‘bathos’ como elemento central de sua obra.

Outro mestre do humor, Kharms, cujo sobrenome era originalmente Iuvatchev, formou o movimento absurdista OBERIU junto ao poeta Aleksandr Vvedênski. Censurado, preso e enviado a um hospital psiquiátrico, Kharms passou fome durante o Cerco de Leningrado, em 1942, e seus escritos sobreviveram principalmente na forma de manuscritos secretos que passaram de mão em mão.

O “bathos” (efeito literário de anticlímax e frustração) é uma das ferramentas satíricas mais usadas por Kharms. Ele mina propositalmente imagens heróicas e está em total contraste com a grandeza da arte do realismo social oficialmente permitida na era Soviética.

Em seus “manifestos” anteriores, Kharms proclama: “Nosso trabalho está prestes a começar e consiste em registrar o mundo...”.

Parte de seus escritos evocam as provações diárias: esperas na fila do banheiro do apartamento comunal, ficar sem cigarros, ser mordido por pulgas etc.

Em português, Kharms tem publicados os títulos “Os sonhos teus vão acabar contigo”, pela editora Kalinka, e  “Esqueci como se chama”, pela finada Cosac Naif e pela portuguesa Bruaá. “Três horas esquerdas” saiu pela portuguesa Flop.

43. Iliá Ilf (1897-1937) e Evguêni Petrov (1902-1942)

Ilf (esq.) e Petrov (dir.) são marca registrada do humor soviético e sua obra remete o leitor russo-soviético diretamente ao Brasil sonhado pela personagem Ostap Bender.

Se você é brasileiro e já colocou os pés na Rússia, certamente conhece esta dupla do barulho. Isso porque um de seus principais personagens, o malandro Ostap Bender, que foi adaptado para TV diversas vezes, sonhava em ir ao Rio de Janeiro e Copacabana, imortalizando o Brasil na cabeça de russos e soviéticos.

“As doze cadeiras” (em português, o título saiu plea Campo das Letras) conta a engraçadíssima história de Bender, um estelionatário que vive de mentiras e casamentos falsos para encontrar um tesouro que foi escondido em uma das 12 cadeiras de um jogo que foi se espalhou pelo país. O título acabou adaptado em Cuba e até no Brasil, em “Treze cadeiras”, que conta com Oscarito, e ganhou tanta fama que tem até um museu a ele dedicado.  O romance “Zolotôi teliônok” (em tradução livre, “O novilho dourado”).

A dupla escreveu suas principais obras em conjunto, motivo pelo qual é impossível pensar nela separadamente nesta lista. Nascidos em Odessa, a capital do humor no Império Russo e  na União Soviética, eles ficaram famosos por toda a União Soviética como os reis da ironia e das tramas de aventura.

Juntos, Ilf e Petrov fizeram uma longa viagem através dos Estados Unidos, indo de Nova York à costa Oeste, e presenciaram até a construção da ponte Golden Gate.

Em 1936, eles publicaram “Odnoetájnaia Amerika” (em tradução livre, “A América de um andar”), livro de não ficção baseado em suas anotações.

É interessante ler e notar como esses cidadãos soviéticos ficavam surpresos com coisas comuns nos EUA, como disjuntores de instalações elétricas ou máquinas de coca-cola. E com a própria Coca-Cola, lógico.

42. Zinaída Guíppius (1869-1945)

Zinaída Guíppius retratada por Leon Bakst. Com o marido Dmítri Merejkóvski, Guíppius foi uma das figuras mais influentes da cena literária petersburguense no primeiro quarto do século 20.

Zinaída Guíppius foi uma proeminente poeta, prosaísta e crítica de literatura russa. Sua influência poética e cultural andava de mãos dadas com sua recosa de se conformar às noções prescritas de feminilidade.

Em 1889, após se casar com Dmítri Merejkóvski, poeta, escritor e crítico de sucesso, ela se mudou de sua cidade natal Tula – de cujos arredores também veio Tolstói – a São Petersburgo. 

O casal rapidamente se tornou elemento-chave da elite literária petersburguense, recebendo reuniões de salão ilustres e fazendo amizade com figuras como Maksím Górki, Antôn Tchékhov e Lev Tolstói.

Após a Revolução de Outubro, em 1917, e a Guerra Civil que a essa se seguiu, Guippius e Merejkóvski se uniram ao êxodo de escritores, filósofos e estadistas proeminentes que se mudaram para Paris em 1919.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

41. Dmítri Merejkóvski (1865-1941) 

Merejkóvski era amigo de Búnin e tinha uma revista sobre literatura dissidente emigrante na França.

Merejkóvsky era filho de um conselheiro pessoal do tsar Aleksandr II. Suas residências na infância, uma datcha com ares de palácio na Ilha Ielaguin, em São Petersburgo, e uma propriedade em estilo clássico na Crimeia, entre as montanhas e o mar, encheram a imaginação de Merejkóvski com muito material pitoresco para ser trabalhado.

O crescente interesse de Merejkóvski e de sua mulher, Zinaída Guíppius, no exoterismo levou-os a uma tentativa de criar sua própria igreja, como o casal influente que formavam, reunindo em casa diversos poetas e escritores talentosos. 

Merejkóvski escreveu diversos romances de ficção afirmando usar o passado “buscando o futuro”. Ele se tornou cada vez mais controverso, e em 1919 fugiu da Rússia e lançou na França a revista “The New Ship”, focada em literatura dissidente emigrante.

Lá também fez amizade com outro escritor exilado, Iván Búnin.

Entre as obras de sua autoria que saíram em português, estão "O romance de Leonardo da Vinci", pela editora Portugalia, “Jesus desconhecido”, pela Garnier e pela Villa Rica, "A morte dos deuses", "O nascimento dos deuses" e "Napoleão. O Homem e sua Vida" pela Garnier.

40. Andrêi Voznessênski (1933-2010)

Andrêi Voznesênski esteve, junto com Evtuchênko e Akhmadúlina, entre os poetas de destaque dos anos 1960 que enchiam estádios para declamar seus versos.

Voznessênski é um dos poetas mais famosos da geração da década de 1960 e, junto a Evtuchênko e Akhmadúlina, enchia estádios de espectadores para ouvir suas declamações. As noites mais buscadas eram, porém,  as do Museu Politécnico de Moscou.

O poeta se considerava um seguidor da tradição de Pasternak e seu trabalho levou à ira do líder soviético Nikita Khruchov, que o criticou abertamente e sugeriu que ele deixasse o país.

A partir dos anos 1970, Voznesênski tornou-se mais conformista e passou a ser publicado com maior frequência. Seus poemas foram transformados em músicas pop nos anos 2000.

Em português, seu “Antimundos” saiu pela editora Dom Quixote.

39. Afanási Fet (1820-1892)

Afanási Fet foi poeta e tradutor, vertendo Goethe, Ovídio e Cátulo, entre outros.

Fet e Fiódor Tiútchev são normalmente objeto de estudo conjunto nas escolas russas. Mas o segundo, como você verá mais adiante, ganhou uma posição de mais destaque, em 38° lugar na nossa lista, e você descobrirá o por quê.

Fet é um poeta romântico e sua principal temática é sobre a natureza, o amor, a beleza e a arte. Ele também verteu para o russo “Fausto”, de Goethe, “Metamorfoses”, de Ovídio, poemas de Cátulo e muitas outras obras da antiguidade.

Ele chegou a planejar uma tradução completa da Bíblia também.

Sua obra não foi publicada em português.

38. Fiódor Tiútchev (1803-1873)

Fiódor Tiútchev por S. Aleksandróvski

Um dos mais renomados poemas de Tiútchev discorre tão intrinsecamente sobre a essência russa que ele não poderia ficar de fora desta lista.

Tiútchev escreveu os chamados “fragmentos”, reflexões poéticas e contemplações da natureza.

Admirar o céu foi um de seus principais motes, enquanto outra parte de sua obra foi devotada ao amor.

Sua obra não foi publicada em português, mas é possível encontrar seu "Silentium!" em espanhol.

37. Evguêni Zamiátin (1884-1937) 

Evguêni Zamiátin

Zamiátin foi o primeiro escritor distópico (ou antiutópico) russo, e seu “Nós” foi escrito antes de “1984”, de George Orwell, e de “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley. A obra retrata um mundo aparentemente ideal onde o Estado Único suprimiu a liberdade em nome da felicidade. 

Em 1921, o manuscrito de “Nós” foi rejeitado pela censura. No mesmo ano, talvez como reação ao banimento do romance, Zamiátin publica o ensaio “Iá boiús” (em tradução livre, “Eu temo”), que colocou o ponto final em qualquer carreira de escritor oficial       que ele pudesse ter na Rússia.

No texto, ele escreve que “a verdadeira literatura pode existir apenas onde ela é criada, não por funcionários diligentes e confiáveis, mas por loucos, ermitões, heréticos, sonhadores, rebeldes e céticos”.

Considerando-se que a revolução tinha apenas quatro anos naquele ponto, Zamiátin esteve certamente entre os primeiríssimos dissidentes.

Em português, “Nós” saiu pelas editoras Aleph e Alpha Omega, enquanto "A muralha verde" saiu pela Grd e "A caverna", pela 34.

36. Aleksêi Ivânov (1969 - )

Ivânov ganhou popularidade ainda maior com adaptação de suas obras para o cinema.

De Perm, um centros culturais mais efervescentes da Rússia contemporânea, Aleksêi Ivânov é um dos autores mais populares e prolíficos do país. Ele  escreveu mais de 20 obras, entre elas os best-sellers “Obshaga-na-krov” (em tradução livre, “Alojamento em sangue”), “Gueograf globus prolil” (“O geógrafo engoliu o globo”), “Zôloto bunta” (“O ouro do motim”) e “Sérdtse pármi” (“Coração da parma”).

A escrita de Ivânov explora uma diversidade de gêneros literários, entre eles ficção urbana, suspense intelectual, romance histórico e não ficção histórica sobre as províncias russas.

Em 2010, o filme premiado de diretor Pável Linguin “Tsar”, baseado em roteiro de Ivânov, representou a Rússia no Festival de Cannes.

A obra de Ivânov ganhou ainda mais fama depois do lançamento, em 2013, de um filme dirigido por Aleksandr Veledinski baseado no romance “O geógrafo engoliu o globo”.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

35. Liudmila Ulítskaia (1943 - )

Liudmila Ulítskaia

Ulítskaia é uma das principais e mais influentes escritoras contemporâneas da Rússia. A espera por seus lançamentos é um evento por si só. Seus romances mais famosos são “Caso Kukótski”, publicado em português pela Relógio d'Água, sobre um obstetra que tem um dom místico, e “Daniel Stein, intérprete”, que saiu pela Alba Editorial, sobre um judeu que se torna padre católico e que foi best-seller na Rússia e ganhou o principal prêmio literário do país, o “Bolsháia kníga” (“Grande Livro”).

Em seu último romance, “Lêstnitsa Iákova” (em tradução livre, “A escada de Iákov”), Ulítskaia investiga a história de seu avô, que foi exilado nos tempos de Stálin.

Ulítskaia é uma dissidente liberal contemporânea que critica as poderosas elites russas. Devido a suas atividades políticas, ela chegou a ser atacada com tinta verde.

Em português, também seu “Funeral Divertido” saiu pela editora Relógio D’água.

34. Nikolái Karamzín (1766-1826)

Karamzín retratado por Vasíly Tropínin

Fundador do movimento Sentimentalismo Russo, Karamzín e sua história “Pobre Liza” (publicada no Brasil pela editora 34) farão você chorar! Uma garota proveniente de uma família de camponeses se apaixona por um nobre, Erast, que está noivo de outra mulher.

Depois de ter um caso com Liza, ele a deixa e ela... Desculpe, não vamos estragar o final!

Karamzín também é famoso por seu “Istoria gosudarstva Rossiskogo” (em tradução livre, “A história do Estado russo”), um dos primeiros tomos sobre a história do país, que anteriormente era conhecida apenas por meio da literatura religiosa e da tradição oral.

33. Aleksandr Griboiédov (1795-1829)

Griboiédov retratado por Ivan Kramskôi

Diplomata de sucesso, compositor e pianista talentoso, Aleksandr Griboiédov é mais conhecido por sua peça em versos “Góre ot umá” (em tradução livre, “O infortúnio da razão”, publicado em inglês como “Woe from Wit”).

A peça trata de Aleksandr Tchatski, um jovem com ideias progressistas que vai a Moscou após passar anos viajando. Ele se dirige à casa de sua amada Sofia, mas descobre que ela escolheu outro pretendente.

Além do azar no amor, Tchatski também entra em conflito com o pai de Sofia e seus amigos. É um conflito entre ideias progressistas e outras, rígidas e conservadoras concentradas em Moscou.

A eterna contradição entre o velho e o novo retratada inicialmente por Griboiédov é quase sempre o principal conflito de toda a literatura russa.

Sua obra ainda não foi publicada em português.

32. Serguêi Dovlátov (1941-1990)

Com o tempo, obras de Dovlátov viraram retrato cômico da vida soviética encharcado em bebidas alcoólicas.

O nome de Serguêi Dovlátov remete imediatamente aos absurdos da vida soviética. Ele relata os dias de trabalho como jornalista enfrentando inúmeras situações engraçadas encharcadas de bebida alcoólica.

Com o passar dos anos, suas histórias passaram a ser vistas como crônicas brilhantes dos dias soviéticos, despertando risos que chegam às lágrimas.

“Kompromiss” (em tradução livre, “O compromisso”, publicado em inglês sob o título “The compromise”), “Parque Cultural” (que saiu no Brasil pela editora Kalinka) e “Tchemodán” (em tradução livre, “A mala”, publicado em inglês como “The suitcase”), são obras altamente recomendadas do escritor.

Em 1979, Dovlátov trocou a União Soviética pelos EUA, estabelecendo-se em Nova York, que recentemente ganhou uma rua em sua homenagem. Lá, ele passou a ser publicado pela aclamada revista The New Yorker e foi editor de uma revista de emigrantes chamada “The New American”.

No Brasil, a editora Kalinka está editando ainda “O ofício” e “A troca”.

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31. Mikhaíl Saltikóv-Chedrín (1826-1889)

Saltikóv-Schedrín retratado por Ivan Kramskoi

Ainda relevante, Saltikóv-Chedrín merece uma menção de destaque. Um dos escritores mais controversos de sua época, e descrito por seus contemporâneos como “o escritor do sarcasmo e da análise corrosiva”, ele era intransigente em seus ácidos ataques satíricos contra a sociedade e o Estado.

Apesar de a Rússia ter mudado de sistema político duas vezes desde Saltikóv-Chedrín, suas palavras são hoje tão relevantes quanto no século 19, quando as proferiu, e a corrupção oficial continua a açoitar a Rússia moderna.

Em 1870, ele publicou uma novela satírica intitulada “Istória odnogô góroda” (em tradução livre, “A história de uma cidade”), que desviou seu olhar zombeteiro das províncias diretamente para os círculos do governo.

O tsar e seus ministros são mostrados como prefeitos das cidades e a cidade imaginária em questão, Glúpov (em tradução literal, algo como “dos tontos”) torna-se símbolo do regime.

Ele também escreveu diversos contos onde os animais simbolizam vícios humanos.

Seus “Contos do Major Gorbiliov” saíram no Brasil pela editora 34 e "A Família Golovliov", pela portuguesa Relógio d'Água.

30. Venedíkt Eroféiev (1938-1990)

Principal obra de Venedíkt Eroféiev foi vertida para o português pela editora Cotovia e até hoje é considerada altamente enigmática.

O mistério da principal obra de Eroféiev, “Moskvá-Petuchkí” (que saiu em português pela editora Cotovia como "De Moscovo a Petuchki - a Lucidez de um Alcoólico Genial"), é um enigma sem resposta. O enredo parece simples. Em 1969, um bêbado entra em um trem suburbano e vê sua amada no caminho.

Ele tem um pouco mais de bebida para ingerir no trem, e delira, brinca e fala com os outros passageiros. Mas então ele é esfaqueado. Esta é, basicamente, toda a história.

Eroféiev viveu mais 30 anos após terminar sua obra-prima, mas escreveu muito pouco durante esse período. “Moskvá- Petuchkí” não lhe rendeu reconhecimento mundial, mas as interpretações do livro foram diversas, e para os críticos, foi o primeiro exemplo de pós-modernismo russo.

Alguns viram a obra até mesmo como um protesto contra o regime soviético.

29. Nikolái Nekrásov (1821-1877)

Nekrásov retratado por Nikolai Gue.

Este é um dos autores cuja alma sofreu copiosamente quanto ao destino da Rússia. Ele escreveu o poema épico “Komú na Rusí jit khoroshô” (em tradução livre, “Para quem é bom viver na Rússia?”, publicado em inglês como “Who can be happy and free in Russia?”), em que sete homens viajam e buscam pessoas felizes sem encontrar nenhuma.

Outro poema épico seu é “Rússkie jênschini” (em tradução livre, “Mulheres russas”), que conta a história de mulheres que seguem no exílio à Sibéria seus maridos dezembristas – os membros da primeira revolução, que falhou.

Após a obra, “mulher de dezembrista” (em russo, “jená dekabrista”) virou uma expressão idiomática com o significado de uma esposa pronta a seguir seu marido e acompanhá-lo em qualquer situação problemática.

Nekrásov também foi editor-chefe de duas revistas influentes da época, a “Sovremênnik” (em tradução livre, “Contemporâneo”), fundada por Aleksandr Púchkin, e a “Otêtchestvennie zapiski” (“Notas patrióticas”).

Sua obra não foi publicada em português.

28. Nikolái Leskóv (1831-1895)

Leskóv retratado por Valentín Serov

Apesar de listado entre os gigantes clássicos do século 19, Leskov não ganhou o devido reconhecimento fora da Rússia. Ele era o autor favorito de Tchékhov, e Maksím Górki o equiparava a Gógol, Turguiênev e Tolstói. A maior parte dos estrangeiros que o conhecem, porém, relacionam seu nome à ópera de Chostakóvitch baseada em seu conto “Lady Macbeth do distrito de Mtsensk” (publicada no Brasil pela editora 34 e também na antologia “Contos Russos Vol. II”, da Martin Claret).

Ele também escreveu “O peregrino encantado” (que saiu em português pela editora Nova Vega), um romance pitoresco sobre Ivan Fliáguin, nascido servo e conhecedor de cavalos que conta suas muitas experiências próximas da morte.

Ele trabalha como cocheiro soldado, ator e babá (“russos conseguem fazer tudo”, diz o homem que lhe dá este trabalho). Assim, conhece aristocratas alcoólatras com poderes sobrenaturais e vendedores de cavalos tártaros, assim como príncipes impotentes e  ciganas.

Outra de suas obras-primas é “Levchá” (publicado em inglês como Lefty: Being the tale of Cross-Eyed Lefty of Tula and the Steel Flea), que retrata a misteriosa alma russa e a prontidão em servir.

Outros títulos seus publicados em português são "Homens interessantes e outras histórias", "Viagem com um niilista", "A fraude" (pela editora 34) e "Apenas um retrato de mulher - amores de Liúba" (Melhoramentos), além de

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27. Ivan Gontcharóv (1812-1891)

Gontcharóv ganhou edição especial de sua obra-prima “Oblómov” pela finada editora Cosac Naif./ Foto: Arquivo

Este escritor deu a luz ao que a Rússia considera hoje como símbolo nacional da preguiça: Iliá Oblómov. O herói (ou anti-herói equiparável a Macunaíma?) que fica deitado no sofá durante um terço do romance que leva seu nome é um homem que não sabe como administrar seu dinheiro e suas propriedades e confia completamente em seu servo, Zakhar.

Mesmo depois de Iliá se apaixonar por uma mulher incrível, ele se mostra vegetativo demais para tomar alguma atitude. Depois de publicado, o livro gerou uma nova expressão cunhada por críticos, a “oblomovchina”, ou seja, a total preguiça e procrastinação encontrada, por vezes, no espírito russo.

Em português, “Oblómov” saiu pela finada editora brasileira Cosac Naify e pela portuguesa Tinta da China.

Outros dois romances que levaram fama a Gontcharóv foram “Obiknovênnaia istória” (em tradução livre, “Uma história comum”, publicado em inglês como “An ordinary story”) e “Obriv” (em tradução livre, “Precipício”, publicado em inglês como “The Precipice”), que também retratam a vida cotidiana do povo russo. 

26. Vassíli Jukóvski (1783-1852)

Jukóvski retratado por I.Reimers

Jukóvski é considerado o pai do Romantismo na poesia russa. Ele escreveu diversas elegias, músicas, romances, baladas (“Svetlana” e “Liudmila” sendo as mais icônicas delas) e poemas épicos. 

Ele também foi patrono literário de Aleksandr Púchkin (e seu defensor diante do tsar) e mentor do Tsarevitch, o então futuro imperador Aleksandr II, e ensinou russo à mãe de Aleksandr, a princesa alemã que se tornou tsarina da Rússia.

Um de seus maiores êxitos foi a tradução para o russo da “Odisseia”, de Homero, considerada hoje um clássico.

Em português, seu “A torre do reino” foi recontado por uma das pioneiras da tradução direta no Brasil, Tatiana Belinky, pela editora Global.

25. Evguêni Vodolázkin (1964)

Vodolázkin foi indicado ao “Bolsháia kníga” de 2010.

Vamos nos arriscar e colocar este escritor contemporâneo bem aqui, no meio de gigantes da literatura clássica, mas acreditamos que você não ficará decepcionado! Pesquisador acadêmico especializado em história e literatura russa medieval, Vodolázkin é um dos best-sellers no país hoje.

Ele foi discípulo de outro pesquisador lendário, Dmítri Likhatchov, e mostrava muito interesse na refração do tempo e do espaço.

Seu romance mais popular, “Laurus” (publicado em inglês sob o mesmo título) conta a história de um santo medieval viajando pela antiga Rus.

Já o romance “Aviator” (em tradução livre, “Piloto”), retrata a história de um homem que congelou em uma gulag, ou seja, um campo de trabalhos forçados soviéticos, nos anos 1930 e só é descongelado na década de 2010.

Ele relembra tempos passados e compara as diferenças entre a São Petersburgo moderna e a vida no passado.

Em 2010, ele foi indicado ao maior prêmio literário do país, o “Bolsháia kníga” (“Grande livro”).

Sua obra ainda não foi publicada em português.

24. Aleksandr Ostróvski (1823-1886)

Ostróvski retratado por Vassíli Perov

Ostróvski foi o dramaturgo mais importante da Rússia depois de Tchékhov, e teve enorme influência no desenvolvimento do teatro russo. Ele escreveu mais de 50 peças que foram adaptadas para o cinema mais de 40 vezes no século 20 e encenadas em teatros por todo o enorme território russo.

As peças de Ostróvski retratam as vidas da classe comerciante, oficiais rasos e burguesia. Suas obras mais famosas são “Tempestade” (ed. Peixoto Neto)) e “Bespridânnitsa” (em tradução livre, “A sem dote”, em inglês, “Without a dowry”).

A primeira é ambientada em uma pequena cidade à beira do rio Volga e conta a história de Katerina, que vive um casamento infeliz, comete adultério e se suicida lançando-se no Volga.

Entre suas obras, "A Floresta" saiu pela editora portuguesa Cotovia.

23. Ivan Krilóv (1769—1844)

Krilóv retratado por Ivan Eggink

Uma mistura russa de Esopo e La Fontaine, Ivan Krilóv escreveu mais de 200 fábulas e se arraigou tão fortemente ao gênero que ninguém mais fez nenhuma tentativa séria de competir com ele.

Muitos de seus versos e frase viraram expressões usadas até hoje e ele também criou um sistema que usa animais para simbolizar as características humanas. As fábulas mais famosas de Krilóv são “O corvo e a raposa”, “O cisne, o lúcio e o lagostim” e “A libélula e a formiga”

Suas obras foram vertidas para o português pelas mãos da pioneira das tradução direta Tatiana Belinky, em obras como “Bicho é boa gente”, da editora Paulus, “Fábulas de Krylov”, pela Brasiliense, “Fábulas russas de Krylov” (vol.1 e 2), pela Amarilys. Em Portugal, suas fábulas saíram pela Manole. 

22. Ivan Búnin (1870-1953)

Ganhador do Nobel, Búnin era contrário ao bolchevismo e se exilou em Paris.

Búnin venceu o Nobel de Literatura de 1933 “pelo talento artístico cuidadoso com que ele levou as tradições russas clássicas ao escrever prosa”.

Ele poderia ser considerado o último escritor russo do século 19, e não aceitava o bolchevismo, apoiando o exército branco na Guerra Civil.

O escritor deixou a Rússia e emigrou para a França em 1920, e seus diários, publicados sob o título de “Okaiânnie dní” (em tradução livre, “Dias malditos”, publicado em inglês como “Cursed days”), que foram publicados parcialmente em um jornal de exilados russos em Paris, refletem esse período turbulento e complicado.

A obra, cheia de ódio aos bolcheviques e desilusão com a revolução, não foi publicada na URSS até a perestroika.

Búnin considerava como uma de suas melhores obras uma antologia de contos curtos intitulada “Tiômnie allêi” (em tradução livre, “Alamedas escuras”, publicado em inglês como “Dark avenues”).

Entre suas obras publicadas em português, estão "O amor de Mítia/Processo do Tenente Ieláguin" (publicados tanto juntos, como separadamente pela editora Delta, 34 e Relógio d’Água), "Insolação" (Objetiva), "Contos escolhidos" (Amarilys), "A aldeia" (Cruzeiro) e "A noite" (edição dos anos 1930 da Calvino Filho Editor).

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21. Mikhaíl Bulgákov (1891-1940)

Bulgákov é um dos escritores russos mais populares de todos os tempos.

Bulgákov é um dos escritores russos mais populares de todos os tempos, e seu “O mestre e Margarida” (editora Alfaguara, Editorial Presença, Relógio d’Água), é um dos romances favoritos dos russos.

A obra tem dois enredos paralelos. No primeiro, Satã e sua comitiva chegam a Moscou nos anos 1920 para se divertir. No segundo, Yeshua (Jesus) é julgado e executado em Jerusalém há 2 mil anos.

Bulgákov é cheio de humor e sátira, e outra de suas obras mais populares é “Um Coração de Cachorro” (que saiu no Brasil como “Um coração de cachorro e outras histórias”, pela editora Edusp, e em Portugal como “Coração de cão”, pela Vega).

A adaptação soviética para TV dessa história é essencial para amantes da literatura e do cinema.

Bulgákov trabalhou como roteirista para o Teatro de Artes de Moscou, mas quando Stálin passou a vetá-lo, seus romances deixaram de ser publicados.  

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20. Marina Tsvetáieva (1892-1941)

Tsvetáieva perdeu uma filha para a fome durante o período da revolução e foi uma das maiores poetas do país.

Os sensíveis poemas de Marina Tsvetáieva são cheios de angústia de gente dominada que está apaixonada ou sofre com amores não correspondidos.

Ela foi uma das poetas mais brilhantes da Era de Prata da Rússia, e sua vida se estendeu sobre dois mundos totalmente diferentes: o final do período tsarista de sua infância e o turbulento período inicial soviético.

Tsvetáieva teve que deixar a Rússia após a revolução porque estava desiludida e indisposta com a brutal nova realidade.  

“Não é sobre política, mas sobre o novo homem: desumano, semi-máquina, metade símio e metade ovelha”, escreveu.

Devido à fome dos tempos de revolução, Tsvetáieva perdeu sua filha de três anos. Ela se casou com Serguêi Efron, mas tinha um caso com Sofia Parnok, e um caso epistolar com Pasternak e Rilke.

Ela se suicidou assim que a Segunda Guerra Mundial começou e seu marido e a filha mais velha foram presos.

Entre suas obras publicadas em português, estão “Vivendo sob o fogo” (Martins Fontes) e Indícios Flutuantes (Martins), além de "Depois da Rússia (1922-1925)", "Indícios terrestres” e “O diabo” pela portuguesa Relógio d'Água.

“Correspondência a três”, que traz a missiva da poeta com Rilke e Pasternak, saiu em Portugal pela Assirio & Alvim, que também publicou “E cantou como canta a tempestade”.

19. Óssip Mandelchtám (1891-1938)

Por seu posicionamento antissoviético, Mandelchtám foi preso e enviado a um campo de trabalho forçado, mas morreu em algum ponto da travessia para o Extremo Oriente russo.

Este poeta foi uma vítima que sofreu com o regime soviético, banido, exilado e depois morto em algum ponto a caminho da ilha Sacalina.

Ele estreou na poesia com “Kâmen” (em tradução livre, “Pedra”, publicado em inglês como “Stone”). Ele fez parte da comunidade literária dos acmeístas, da qual também participavam Akhmátova e Gumilióv, e estudou na Sorbonne e na Universidade de Heidelberg. Seus versos eram cheios de um espírito europeu e alusões à Grécia antiga.

Na década de 1930, o posicionamento antissoviético de Mandelchtam tornou-se ruidoso demais e sua publicação foi quase totalmente proibida.

Em 1933, ele escreveu uma sátira anti-stalinista que continha uma frase que se tornou famosa: “Vivemos sem sentir o país debaixo de nós”.

Como resultado, foi preso e enviado ao exílio, fora de Moscou. Em 1938, ele foi sentenciado a cinco anos em um campo de trabalhos forçados. Mandelchtam morreu em algum ponto a caminho do Extremo Oriente Russo. Até hoje são desconhecidas as circunstâncias de sua morte e o local exato onde seu corpo foi depositado.

Entre suas obras publicadas em português, estão "Fogo errante" (Relógio d'Água), “O Rumor do Tempo e Viagem à Armênia” (34).

18. Serguêi Iessênin (1895-1925)

Iessênin também ganhou notoriedade como encrenqueiro, e seus duelos literários mais conhecidos foram com Maiakóvski.

Iessênin conquistou os corações russos de tal forma, que não poderia ficar em outra posição nesta lista.

Ele louvava em sua poesia as paisagens de sua terra natal, com campos, bétulas, centeios dourados e espaços infinitos. Iessênin personificou a imagem de um camponês poeta e tornou-se um dândi em São Petersburgo.

Mas ele sentia falta de seu vilarejo natal, na região de Riazan, e se considerava um herdeiro de Púchkin, sendo também um poeta do amor dedicando seus poemas às diversas mulheres em sua vida.

O poeta também ganhou notoriedade como encrenqueiro. Ele era muito próximo da cena literária e frequentemente provocava outros poetas. Seus duelos literários mais conhecidos foram com o aclamado poeta Vladímir Maiakóvski.

17. Vladímir Maiakóvski (1893-1930)

Maiakóvski inventou novas palavras, colocando-as aleatoriamente nas sentenças enquanto seus versos formavam representações visuais simbólicas.

Maiakóvski foi um dos principais poetas russos da primeira metade do século 20 e um dos líderes do movimento futurista. Ele louvava a revolução e o regime soviético e seus poemas, marcados pelo espírito rebelde e ritmo quebrado nada convencional, são populares até hoje.

Ele inventou novas palavras, colocando-as aleatoriamente nas sentenças enquanto seus versos formavam representações visuais simbólicas.

O poeta também teve uma vida privada nada convencional, e a partir de 1918, vivia em um triângulo amoroso com sua amante, Lilia Brik, e o marido, Óssip Brik.

No Brasil, sua obra foi imortalizada pelas traduções dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. Entre seus títulos publicados em português, estão "Vida e poesia" (editora Alvorada / Martin Claret), "Poemas 1913-1916" (ed. Visor), "Mistério-bufo" e "O percevejo" (34), "Poema. Vladimir Ilitch Lenin" (Ed. Anita Garibaldi), “Maiakóvski – poemas” (ed. Martin Claret), “Minha descoberta da América” (Martins Fontes), “Poemas” (Perspectiva), “O poeta operário” (Círculo do Livro).

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16. Joseph Brodsky (1940-1996)

Joseph Brodsky

Joseph Brodsky foi um poeta, ensaísta e tradutor russo-americano e venceu o Prêmio Nobel de Literatura de 1987.

Em 1972, após deixar a URSS, ele partiu para os EUA com ajuda de seu editor norte-americano, Carl Proffer. Nos EUA, estabeleceu-se como poeta em residência da Universidade de Michigan em Ann Arbor.

Ele continuou a escrever poemas em russo e em inglês, mas nos EUA ganhou fama principalmente com ensaios, como “Menos que um” (Companhia das Letras). Brodsky se manteve praticamente não publicado na URSS até 1987, mas hoje seus poemas são altamente admirados na Rússia.  

Entre suas obras publicadas em português, estão "Marca d'água" (Cosac Naify) e "Sobre o exílio" (ed. Ayine).

15. Vladímir Nabôkov (1899-1977)

Nabôkov foi muito além de “Lolita”.

Nascido em uma família de classe alta de São Petersburgo, Nabôkov ficaria furioso se soubesse que o deixamos de fora de nosso top-10. Mas a culpa é toda dele que escrevia em inglês nos EUA (ok, brincadeirinha!).

Nabôkov deixou a Rússia aos 20 anos com a família porque seu pai era político e se colocou contra os bolcheviques. Mais tarde, ele estudou em Cambridge, onde escreveu poemas e traduziu “Alice no país das maravilhas” para o russo.

Vivendo em Berlim, ele puvlicou oito romances em russo. Apesar de não ser publicado na Rússia, ele era extremamente popular entre emigrantes russos.  

Hoje, seus trabalhos são considerados obras-primas na Rússia, especialmente “The Defense” (em tradução livre, “A defesa”), "O dom" (em Portugal, ed. Assirio & Alvim, e no Brasil, Alfaguara) e "Convite para uma decapitação" (ed. Relógio d'Água).

Em 1940, Nabôkov foge da Europa devido aos nazistas e encontra refúgio nos EUA, onde ensinou literatura russa em universidades.

Nos EUA, ele escreveu romances apenas em inglês, mas traduziu para o russo “Lolita”, que lhe trouxe sucesso global.

Nabôkov também é conhecido pro sua obsessão em colecionar borboletas, e fez diversas descobertas em entomologia.

Um número considerável de obras suas saíram em português, como "Fogo pálido" (Círculo do livro, Relógio d’Água), “Aulas de literatura” (Relógio d’Água), "O original de Laura" (Alfaguara), "A Verdadeira Vida de Sebastião Knight" (Civilização Brasileira, Relógio d’Água), "Fala, Memória" (Alfaguara), "O olho vigilante" (Jose Olympio), “Riso na escuridão” (Relógio d’Água) – que saiu também como “Gargalhada na escuridão” pela Boa Leitura -, “Ada ou Ardor” (idem), “Opiniões fortes” (idem), “Lições de literatura russa” (Três Estrelas), “Machenka” (Companhia das Letras), “Transparências” (Cedibra), “A pessoa em questão” (Companhia das Letras), “O mago” (Nova Fronteira)

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14. Andrêi Platônov (1899-1951)

Platônov morreu de tuberculose, que contraiu de seu filho, que retornava de um campo prisional.

Visto como um farol de criatividade da literatura soviética, este autor é extremamente complicado. Os críticos o consideram como um dos maiores prosaístas da Rússia, e em suas primeiras obras da década de 1920, como “Chevengur” (sem tradução para o português, foi publicado sob o mesmo título em espanhol), Platônov sonhava com yum futuro utópico onde a eletricidade transformava a natureza humana.

"A escavação" (ed. Antigona) é o romance mais conhecido do autor, escrito em 1929, mas que só foi publicado na Rússia após 1988.

A desoladora história satírica descreve um grupo de trabalhadores do início da União Soviética tentando fazer uma fundação para um enorme edifício que nunca é erguido. Platônov trabalhou com entusiasmo em projetos de recuperação de terrenos e também se tornou correspondente de guerra e editor de literatura infantil.

Ele morreu de tuberculose, infectado pelo filho, que havia retornado de um campo prisional.

Entre outras obras suas publicadas em português, está "Djan ou a alma", pela editora Antigona.

13. Aleksandr Blok (1880-1921)

Aleksander Blok

Você consegue imaginar uma estrela pop no início do século 20 pela qual todos os jovens eram obcecados? Esse cara foi Aleksandr Blok, o primeiro e principal poeta russo de seu tempo. Sua influência é incrível e conhecê-lo era o sonho de todos os russos.

Seus “Versos sobre uma mulher bonita” é a quintessência do simbolismo russo, do qual ele foi um dos principais criadores e seguidores.

Nos primeiros anos da revolução, Blok apoiou ativamente o novo governo, elogiava o regime em seu poema “Os doze”, mas depois se desiludiu com os bolcheviques, passou a beber e parou de escrever poemas.

Outra obra sua publicada em português foi "Da ironia" (Pergaminho).

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12. Anna Akhmátova (1889-1966)

Akhmátova

Akhmátova conseguiu escrever um hino lírico para todas as mulheres soviéticas que esperavam por seus companheiros presos em longas filas desesperançadas.

Entre 1935 e 1940, ela compôs seu famoso poema “Requiem” (Art Editora), dedicado à resistência do povo ao governo Stálin. Uma das passagens mais poderosas da obra foi “Ao invés de prefácio”.

Esta elegante musa de Modigliani chegou até a ser indicada para o Nobel. Ela também foi símbolo de Leningrado, onde passou os dias mais duros do cerco escrevendo poemas que não foram publicados.

Durante a era Stálin, seu primeiro marido, o poeta Nikolái Gumilióv, foi morto, e seu terceiro marido, Nikolái Púnin, foi, assim como seu filho Lev Gumilióv, preso.

“Toda uma geração passou por mim como se fosse sombra”, ela escreveu. Apesar de sua pobreza e saúde frágil, Akhmátova foi marcada pela generosidade e solidariedade com família e amigos.

Entre suas obras publicadas em português, estão "Antologia poética" (L&PM), "Poesia 1912-1964" (idem) e "Prosas escolhidas e poema sem herói" (Relógio d'Água).

11. Aleksandr Soljenítsin (1918-2008)

Os trabalhos mais famosos de Soljenítsin são dedicados aos campos prisionais.

Gigante da literatura, dissidente lendário e sobrevivente da gulag, Soljenítsin foi comandante de artilharia na Segunda Guerra Mundial, após a qual foi preso pelo NKVD, a polícia secreta russa que precedeu a KGB, por “agitação antissoviética”. Ele recebeu uma sentença de oito anos de prisão, considerada branda naqueles tempos.

Seus trabalhos mais famosos são dedicados aos campos prisionais, e seu “Um dia na vida de Ivan Deníssovitch” (ed. Círculo do Livro, ed. Sextante, Publicações Europa-América) lhe trouxe fama e, por um milagre, foi publicado com aprovação pessoal de Nikita Khruschov.

Sua monumental obra-prima “Arquipélago Gulag” (ed. Círculo do Livro, Sextante) descreve os campos de trabalho forçado soviéticos como um sistema, e a publicação deste título levou a seu exílio forçado. Ele só pôde retornar ao país após a queda da URSS.

Outros livros seus publicados recentemente pela editora Sextante, de Portugal, são "A casa de Matriona/Seguido de incidente na estação Kotchetovka", "Zacarias Escarcela e outros contos", "Compota de damasco e outros contos". De outros tempos são as publicações brasileiras "O carvalho e o bezerro" (Difel), "A mão direita" (Bloch), "Como reorganizar a nossa Rússia?" (Nova Fronteira) e "Agosto 1914" (Bloch).

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10. Borís Pasternak (1890-1960)

O maior romance de Pasternak, “Doutor Jivago”, teve que ser contrabandeado para fora da URSS e foi publicado primeiramente na Itália.

Abrindo nosso top-10 dos maiores escritores de todos os tempos, Pasternak é um dos poucos ganhadores russos do Nobel reconhecidos “por sua importante realização, tanto em poesia lírica contemporânea, como no campo da grande tradição épica russa”.

Ele foi poeta, mas ficou conhecido principalmente por seu romance “Doutor Jivago” (que saiu em português pelas editoras Itatiaia, Best Bolso e Sextante) um relato épico sobre a revolução e a Guerra Civil que foi proibido na URSS por mais de 30 anos.

O romance teve que ser contrabandeado para fora do país e foi publicado primeiramene na Itália, em 1957. Material de arquivo que recentemente teve levantada sua classificação como secreto pela CIA confirma o papel da agência secreta norte-americana na publicação da obra, considerada “antissoviética”.

Em 1958, Pasternak recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, que foi obrigado a recusar sob pressão das autoridades. Pasternak também era tradutor, e suas versões de Schiller, Shakespeare e do “Fausto” de Goethe são consideradas obras-primas.

Entre outras obras suas publicadas em português, estão "Ensaio de autobiografia" (Delta, Opera Mundi), "Uma aventura em Ferrara" (Editorial Inquérito Limitada), "O ano de 1905" (Adil), "Melodia interrompida" (Publicações Europa-América) e “Correspondência a três (que traz a missiva de Pasternak, Rilke e Tsvetáieva, pela editora portuguesa Assirio & Alvim).

9. Mikhaíl Chôlokhov (1905-1984)

Chôlokhov levou o Nobel após Sartre rejeitar seu prêmio e expressart pesar pelo primeiro não ter sido vencedor.

A grande realização deste autor foi “O Don tranquilo” (ed. Livros do Brasil, Dois Mundos, Lisboa), um equivalente do “Guerra e Paz” para o século 20. O clássico épico em quatro tomos é leitura obrigatória e trata dos cossacos do Don durante a Primeira Guerra Mundial e a subsequente Guerra Civil. 

Chôkolov também recebeu um Nobel de Literatura “pelo poder artístico e integridade com que, em seu épico do Don, ele deu expressão à uma fase histórica na vida do povo russo”.

Acredita-se que o comitê do Nobel tenha sido influenciado por Jen-Paul Sartre, que rejeitou o prêmio no ano anterior, expressando tristeza pelo fato de que o prêmio não havia sido concedido a Chôkholov.

Entre suas obras publicadas em português, estão "O destino de um homem" (Coordenada de Brasília Ltda., Thesaurus), "Terras desbravadas" (Arcadia), "Sangue estranho" (Livraria Editora), "Terra e sangue" (Flama), "Morreram pela pátria" (Livro de Bolso) e "Três histórias da guerra" (com textos de Hemingway, Chôlokhov e Faulkner, pelas editoras Inova e Nova Limitada).

8. Maksim Górki (1868-1936)

Apesar da escolha política de Górki não ter ganhado um Nobel, escritor é um dos maiores nomes da literatura mundial.

Apesar de o Nobel ter colocado Búnin acima de Górki, este tem posição superior ao do primeiro em nossa lista. Górki foi o principal escritor do início da União Soviética, e louvava a primeira revolução russa de 1905.

Seu romance “Mãe” (Kobo editions, Civilização editora, Abril cultural, Ediouro, Ráduga, Ulisseia, Irmãos Pongetti, Expressão Popular, Cea), de 1906, tornou-se elemento-chave da literatura sovética e é frequentemente consideado o primeiro trabalho do realismo socialista.

Depois da Revolução de 1917, Górki foi para a Europa, mas voltou à União Soviética em 1932 a convite do governo. Ele apoiou as políticas de Stálin e escreveu com entusiasmo sobre as realizações do sistema soviético sem dedicar uma linha sequer a mencionar os expurgos.

A vida particular e o trabalho de Górki são cheios de contradições e ainda acendem debate. Ele também escreveu peças como “Vassa Jeleznova”, “Os filhos do sol” e “O submundo” (este, de 1901, saiu adaptado pelo francês Jean Renoir para o cinema em 1936 sob o título “Bas fonds”), além de dezenas de contos curtos.

Entre suas publicações mais recentes em português, estão “Três contos” (ed. Quasi), ), "Certo dia de outono e outros contos" (Ediouro), "Adolescência" (Clube do Brasil), "Três russos e como me tornei um escritor" (Martins Fontes), “Os vagabundos” (Modo de Ler), “Lenine” (Modo de Ler), “Tomás Gordeiev” (Modo de Ler), “Pequeno-burgueses” (Hedra), "Infância" (Automática editorial, Abril, Clube do Livro), "Ganhando meu pão" (Cosac Naify, Brasiliense), "Meu companheiro de estrada e outros contos" (ed. 34), “A velha Izerguil e outros contos” (Hedra), “Minhas universidades” (Cosac Naify), “Vendetta” (ed. 34), “Carta e literatura” (correspondência entre o escritor e Tchékhov organizada pela pesquisadora Sophia Angelides e publicada pela ed. Edusp), Pequenos Burgueses (FTD) e, pela Kobo editions, "Konovalov", "Tchelkache" e "Malva".

Mas inúmeros outros títulos foram publicados em outros tempos em português também, como "Pequenos burgueses" (Brasiliense), "Vagabundo original" (ed. Exposição do Livro, Ediouro, Tecnoprint), , "Contos da vida social" (Leitura XXI), "Contos" (Civilização Brasileira, Itatiaia, Philobiblion), "A batalha da vida" (Bloch, Vecchi), Varenka Olessova (Clube do Livro, Guimarães & Cia), "Albergue nocturno" (ed. Europa-América), "Os degenerados" (Irmãos Pongetti), “Certo dia de outono e outros contos” (Ediouro), "As minhas universidades" (Ediouro), "Como aprendi a escrever" (Cadinho), "Os Artamonov" (Civilização Brasileira), "Os melhores contos de Máximo Gorki" (Boa leitura), "Os mais brilhantes contos de Máximo Gorki" (Edições de Ouro), "Os inimigos" (L&pm pocket), "Leão Tolstói" (Perspectiva).

7. Antôn Tchékhov (1860-1904)

Tchékhov é famoso por sua obra teatral e contos.

Tchékhov levou a literatura russa a palcos de teatro do mundo inteiro, e por essa razão tem posição de destaque em nossa lista.

“O jardim das cerejeiras” (L&PM), “As três irmãs” (ed. Global, Abril, Nova Cultural, Círculo do Livro, Peixoto Neto, Relógio d’Água, Assírio & Alvim) e “Tio Vânia” (Relógio d’Água, L&PM, Autêntica, ) estão entre as peças mais encenadas no mundo todo.

Mas Tchékhov também escreveu contos curtos brilhantes. Neles, reflete sobre muitos dos problemas da humanidade. Em 1889, Tchékhov visitou a ilha Sacalina e escreveu um livro documental sobre a prisão local e a vida dos moradores de lá. Aliás, ele exerceu sua profissão de médico durante toda a vida.

Inúmeras obras suas foram publicadas em português, tanto no Brasil como em Portugal, entre elas, diversas coletâneas de contos pelas editoras Relógio d'Água, Civilização, 34, Abril, Nova Cultural, Cosac Naify, Ática, Lpm, Boa Leitura etc.

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6. Mikhaíl Lêrmontov (1814-1841)

Autorretrato de Lêrmontov

Morto de forma romântica em um duelo, Lêrmontov foi um dos principais poetas clássicos russos, atrás apenas de Aleksandr Púchkin.

Muitos de seus contemporâneos notaram que Lêrmontov não era exatamente bonito. Mesmo assim, ele aprendeu a ganhar os corações femininos com sua brilhante erudição, imaginação e eloquência.

Sua fama poética e os rumores de sua coragem no campo de batalha acrescentaram algumas pitadas românticas a seu favor, e ele se tornou um destruidor de corações.

Lêrmontov escreveu centenas de poemas incríveis, cujas temáticas principais foram o desejo de liberdade, a fatiga da vida, a falta do amor puro.

Ele também escreveu o grande romance “Guerói náshego vrêmeni” (em tradução livre, “O herói de nosso tempo”, publicado em inglês como “A hero of our time”) e grande poemas como “Borodino”, “Demônio” e “Mtsiri”.

Sua obra em português ainda é escassa, e está sobretudo representada em antologias com outros escritores, como “Contos Russos Eternos” (ed. Bom Texto) e “Os Colossos do Conto da Velha e da Nova Rússia (Edições Mundo Latino).

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5. Ivan Turguêniev (1818-1883)

Turguêniev retratado por Iliá Répin

Menos conhecido internacionalmente que Dostoiévski ou Tolstói, Ivan Turguêniev é considerado um clássico do romance do século 19 tanto quanto os outros dois, e, na realidade, seu nível de tragicidade é bem equiparável.

Seu romance mais famoso, “Pais e Filhos” (KWL, Itatiaia, Relógio d'Água, Cosac Naify, Martin Claret, Ediouro, Abril, Livraria Martins Editora) trata das então novas ondas de filosofia política, como o niilismo e a emancipação.

Ele foi o primeiro a dar ênfase ao eterno problema do desentendimento entre pais e seus filhos. Seus romances retratam a vida de famílias nobres, como "Dvoriânskoe gnezdô" (em tradução livre, “Ninho nobre”, publicado em inglês como “Home of the gentry”), “Ássia” (Cosac Naify, Clube do Livro) e “Rúdin” (Global, 34). Cada um de seus títulos traz mulheres fortes e homens fracos que fingem abraçar o progresso.

Outras obras suas em português são "O relógio” (Rideel, Scipione) e “Mumu" (Scipione), “Fumaça” (Ediouro), "Memórias de um caçador" (34), "Primeiro amor" (Penguin Companhia, L&PM Pocket, Ediouro, Ars Poética), "Relíquia viva" (34), "O cão fantasma" (34), “Solo virgem” (Relógio d’Água), “Águas de Primavera” (Amarilys).

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4. Nikolái Gógol (1809-1852)

Gógol retratado por Fiódor Moller

Este escritor provavelmente mereça uma posição ainda melhor, pois é um raro exemplo de sagacidade e sátira, dotado de verdadeiro e brilhante senso de humor! Parte dos programas de literatura de todas as escolas e universidades russas, ele é um dos maiores escritores clássicos do país.

Gógol nasceu no território hoje pertencente à Ucrânia e, reza a lenda, sua família é originariamente composta por cossacos. Foi por isso que ele dedicou duas coleções de contos à Ucrânia e aos cossacos: “Noites na Granja ao Pé de Dikanka” (Assírio & Alvim) e “Mirgorod” (idem). Três das histórias que as compõem estão entre suas mais famosas: “Véspera de Natal”, “Viy” e “Tarás Bulba” (também publicado pela ed. Europa-America e pela 34) .

Em outro período, Gógol dedicou-se sobretudo a São Petersburgo, com títulos como “Avenida Niévski” (Cosac Naify), “O capote” (34, Assírio & Alvim, L&PM), “O Nariz” (Assírio & Alvim, L&PM, Cosac Naify, Edusp), “O retrato” (Assírio & Alvim, FTD, Quasi Edições), que mostra as vidas de cidadãos comuns que encaram problemas místicos. Isso ajudou a criar mitos acerca da cidade, que tem até um monumento ao nariz do Major Kovaliov.

Gógol também foi um dramaturgo brilhante, como prova sua peça “O inspetor geral” (Assírio & Alvim, Peixoto Neto, Perspectiva, Scipione, FTD, Veredas), comédia sobre a Rússia, sua corrupção e a natureza humana.

A quintessência da obra de Gógol, porém, é um poema em prosa, “Almas mortas” (Perspectiva, Kobo Editions, Ediouro), sobre um homem que viaja nos entornos de um vilarejo e compra servos que já morreram, mas cuja morte ainda não foi registrada pelas autoridades. Tendo muitos servos, nem que só nas aparências (no papel), ele finge ser mais importante do que realmente é.

Entre outras obras suas em português, há “A carruagem” (34), “A briga dos dois Ivans” (Grua Livros), “Teatro completo” (34), “A cidade do sossego” (Europa-América), “A feira anual de Sorotchinski” (Ática), “Contos de São Petersburgo” (Assírio & Alvim) etc.

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3. Fiódor Dostoiévski (1821-1881)

Dostoiévski foi enviado à Sibéria e exílio resultou no livro “Recordações da Casa dos Mortos”

Sabemos que o mundo é dividido entre as pessoas que amam Tolstói e as que amam Dostoiévski. Mas colocamos este em terceiro lugar porque ele viveu menos que Tolstói e escreveu menos que ele, além de não ter um exército de fãs equiparável ao do conde.

Seu romance “Crime e castigo” é, provavelmente, algo de que todo mundo já ouviu falar – ou até leu. Mas ele também escreveu romances incríveis como “Os demônios”, “Irmãos Karamázov”, “Noites Brancas”, “Humilhados e ofendidos” etc.

Ele foi o grande cronista de São Petersburgo, que, sob sua perspectiva, é uma cidade obscura povoada pelas camadas baixas.

Por seu papel em uma carta proibida escrita pelo crítico russo Vissarion Belínski a Gógol, Dostoiévski foi sentenciado ao exílio na Sibéria. Sua experiência foi relatada em um livro de não ficção intitulado “Recordações da casa dos mortos”.

Praticamente sua obra inteira já foi traduzida para o português, direta ou indiretamente, e publicada por um sem-número de editoras no Brasil e em Portugal.

2. Lev Tolstói (1828-1910)

O conde Tolstói, que não só alcançou a fama mundial com seus livros, como também virou praticamente objeto de adoração e fundador do movimento tolstoísta.

Durante seus 82 anos de vida, Tolstói escreveu 90 volumes de romances, contos, diários, cartas etc. Uma de suas obras mais importantes é “Guerra e Paz”, que retrata a vida de famílias comuns durante a guerra russa contra Napoleão em 1812.

Outro título de peso seu é “Anna Kariênina”, a tragédia de uma mulher infeliz no casamento que gerou um número recorde de adaptações cinematográficas pelo mundo.

Mas os críticos russos consideram “Ressurreição”, o último romance do escritor, como a melhor obra russa de todos os tempos. Além de literatura, Tolstói promovia a educação para crianças camponesas, e foi filósofo, fundador do movimento tolstoísta (que tinha entre seus seguidores Mahatma Gandhi) e aderiu à causa da resistência não violência ao mal.

Sua obra também está praticamente toda vertida ao português, em traduções diretas e indiretas do russo, com títulos como “A Morte de Ivan Ilitch”, “A Sonata a Kreutzer”, “O Diabo”, “Contos Completos”, “Senhores e Servos”, “Uma confissão”, “O Diabo e Outras Histórias”, “A Manhã de Um Senhor”, “O que é arte?”, “Khadji-Murat”, “De quanta terra precisa o homem?” etc.

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1. Aleksandr Púchkin (1799-1837)

Púchkin retratado por Orest Kiprenski

Adorado por 10 a cada 10 russos, Púchkin continua menos conhecido nos países lusófonos. Mas isso tem mudado ao longo dos anos e o “pai da língua russa moderna”, como é apelidado, passa a ganhar mais títulos em português também.

Púchkin rejeitava o estilo pomposo da poesia clássica russa, quebrando a barreira entre o discurso coloquial e as odes elevadas do passado.

Ele dominava uma ampla gama de gêneros, e era poeta, dramaturgo e prosaísta. Ele foi exilado porque seus poemas louvavam a liberdade, motivo pelo qual foi considerado perigoso pela polícia tsarista.

Um dos principais trabalhos de Púchkin é o romance em versos “Evguêni Onéguin”, que os críticos apelidaram de “enciclopédia da vida russa” e que traz uma cobertura da vida e cultura do país naquele tempo. Púchkin mostrou uma habilidade cuidadosa ao criar imagens vívidas com apenas duas ou três palavras, gravando-as na mente do leitor. 

Existe uma ilusão de espontaneidade em seu uso preciso da palavra, mas suas anotações mostram que ele moldava cuidadosamente cada verso. E ele compôs tantos poemas, sobre tantos assuntos, que foi um verdadeiro gênio!

Entre suas obras publicadas em português, estão "A Dama de Espadas" (34), "Poesias escolhidas " (Nova Fronteira), "Boris Godunov" (Ed. Globo), "O conto maravilhoso do tsar Saltan" (Cosac Naify), "A Filha do Capitão” (Martin Claret, Círculo do Livro, Perspectiva, Ediouro, Abril), a Dama de Espadas" (Martin Claret), "Pequenas Tragédias" (Martin Claret), "Noites Egípicias e Outros Contos" (Hedra), "O cavaleiro de bronze e outros poemas" (Assirio & Alvim), "Viagem a Arzrum" (34), A Filha do Capitão e O Jogo das Epígrafes (Perspectiva), "A Dama de Espadas" (Rideel, 34, Gallimard), "O pope avarento" (Paulinas) etc.

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Nota do editor: As opiniões do autor e a classificação dos escritores nesta lista são subjetivas e podem diferir das opiniões de pesquisadores, críticos, escritores e leitores.

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