3 canais imperdíveis sobre língua e literatura russa no YouTube

De língua a literatura, passando por história e etimologia, estes youtubers são os nossos prediletos! E os seus, quais são?

1. Sonhei que Estava na Rússia

A linguista russa Lisa Stolyarova, 30, morou por três anos no Brasil, mas fala um português impecável, elemento que ajuda a tornar seus vídeos tão agradáveis! Mas não é só isso. Esta siberiana, proveniente de Novassibírki e verdadeira globetrotter (que hoje vive em Londres, aliás), deu muita aula de russo nos Estados Unidos antes de decidir focar seu canal “Sonhei que Estava na Rússia” no público brasileiro — segundo ela, “muito mais engajado e ativo” e que “dá feedback até sem pedir!”.

A ideia de Lisa ao fazer o canal era criar um curso para ajudar as pessoas a aprenderem um pouco da língua e poderem viajar à Rússia com mais facilidade. Foi quando ela se lembrou da música “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga, que inspirou o título da página.

O sucesso absoluto do canal — que já tem quase 40 mil seguidores, um número substancial, dada a temática tão especializada — tem tudo a ver também com a simpatia e o método de Lisa, que joga na tela as palavras escritas, fala pausadamente e traz uma variedade de assuntos que vai desde frases básicas para abordar os russos até suas próprias impressões sobre o Brasil como estrangeira.

Como resultado, além da monetização do YouTube e dos 26 alunos particulares que ensina regularmente, Lisa já tem uma lista de espera de mais de 600 pessoas querendo aprender russo com ela! Se os vídeos te interessaram, não deixe de segui-la também no Instagram, onde tem um canal de mesmo nome em que publica pílulas interessantíssimas sobre a língua, provérbios e curiosidades culturais russas.

2. Beryoza

Talvez você já saiba que a bétula (em transliterações diversas do russo, “beryoza” ou “beriôza”) é um dos principais símbolos da Rússia  — apesar de ela existir também em outros locais do hemisfério norte. Mas, ao batizar seu canal no Youtube, o tradutor Lucas Simone, 38, tinha ainda outra simbologia em mente: “Além de ser uma palavra bonita, que eu gosto, a ‘beryoza’ é também a base material na qual foram escritas as ‘cartas de bétula’, tema que eu tenho estudado muito e que faz da bétula não só um símbolo da cultura, como da escrita, do letramento e da língua russa”, explica.

O canal Beryoza foi criado há apenas dois meses e já desperta bastante interesse, apesar de ainda estar se iniciando. Um dos motivos é que Lucas, além de língua russa em geral, trata também de tradução e história, com temas espinhosos e incompreensíveis por muita gente, como, por exemplo, por que um livro de Dostoiévski tem uma porção de versões em português diferentes ou por que existem as traduções indiretas.  

Doutor em Literatura e Cultura Russa pela USP, Lucas dá aulas de russo desde 2001 e foi professor do “Russo no Campus”, na Universidade de São Paulo, entre 2016 e 2018. Mas se você estiver esperando por aulas quadradonas e um excesso de academicismo pedante, teremos que desapontá-lo: esta mistura de varegue barbudo com metaleiro tem sempre uma piada infame na manga de rolar de rir! Afinal, quem poderia juntar em um só vídeo língua russa e portuguesa, Elba Ramalho e Zé Ramalho, e Sonia Abrão e Chorão?

“No ‘Russo no Campus’ fui aprender com uma turma maior a ter um desempenho mais teatral, uma abordagem mais próxima do entretenimento, que aplico no canal do YouTube. Nunca quiser ser youtuber e também não queria aparecer nos vídeos, mas meu objetivo é fazer circular material sobre o assunto, e acho que o livro já se tornou algo arcaico nesse sentido”, diz.

O canal Beryoza no Instagram também é imperdível e tem uma porção de vídeos curtos com assuntos diferentes dos tratados no YouTube!

3. Aurora Fornoni Bernardini

Já que você está interessado na língua, por que não se jogar também na literatura para manter acesa a chama da paixão pela mãe Rússia? Uma aposta certeira é simplesmente uma das pioneiras da tradução direta do russo, a professora da Universidade de São Paulo Aurora Fornoni Bernardini, 79.

Nascida na região italiana do Piemonte, Aurora se mudou para o Brasil com a família aos 13 anos de idade e, junto com as russas Tatiana Belinky (1919-2013) e Klara Gourianova (1932-2021), compôs a “troica” feminina precursora da tradução direta do russo no Brasil — se você achou que apenas os gigantes Boris Schnaiderman (1917-2016), Paulo Bezerra e Rubens Figueiredo tinham escrito essa história, saiba que, sim, mulheres colossais também fizeram parte desses esforços! Aurora inclusive colaborou por décadas com Schnaiderman, como se revela em “Aulas de Literatura Russa”, publicado pela editora Kalinka.

No canal do YouTube, criado logo no início da pandemia do coronavírus – outro pioneirismo de Aurora —, a professora trata de autores como Tsvetáieva, Akhmátova, Górki, Brodsky, Stanislávski e outros menos conhecidos, mas tão genias como os anteriores. O canal traz palestras, comentários e entrevistas sobre literatura e cultura russa.

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