Ao contrário de nova série sobre Catarina, a Grande, russos jamais disseram ‘Huzzah!’

Hulu, 2020
Os russos usam uma pronúncia completamente diferente para a expressão popularizada pelo novo seriado cômico sobre a imperatriz russa.

“Se tomar um gole de bebida toda vez que alguém em ‘The Great’ diz ‘Huzzah’, você ficará bêbado antes do final do primeiro episódio” – esta é a piada que está circulando entre os usuários russos do Twitter. O motivo é óbvio: na nova série de comédia (não tão) histórica sobre a imperatriz russa, com Elle Fanning e Nicholas Hoult nos papéis principais, essa expressão exclamatória de prazer encerra praticamente todos os diálogos.

“Huzzah!” é, por essência, equivalente à exclamação tradicional russa “Urra!”, que geralmente denota empolgação, alegria após atingir uma meta estabelecida ou derrotar alguém, ou simplesmente uma espécie de grito de guerra.

De acordo com Vladímir Dal, que compilou o Dicionário Explicativo da Língua Russa Viva, os soldados russos gritavam “Urra!” para cumprimentar o imperador ou um comandante militar, e a palavra em si é semelhante ao grito de guerra quirguiz “Urran”.

Atualmente, os torcedores de futebol costumam gritar “Urra!” quando alguém do time deles marca um gol. Além disso, a repetição “Urra! Urra! Urra!” é usada como saudação militar nas Forças Armadas russas.

Na série, foi provavelmente decidido não usar a versão russa autêntica da exclamação devido à pronúncia difícil para os falantes de inglês. Ainda assim, em entrevista ao Kinopoisk.ru, site de entretenimento russo sobre filmes, Elle Fanning confessou que, em algum momento da produção, havia sido planejado o uso de sotaques russos no diálogo.

“Em certo momento, discutimos seriamente falar com sotaques russos. Ainda não consigo imaginar como isso acabaria”, disse Fanning. Na mesma entrevista, Nicholas Hoult, que interpreta o imperador Pedro 3º, disse que até tentou aprender russo.

“Cheguei a tentar ler algumas páginas do roteiro com sotaque russo!” disse Hoult, acrescentando, no entanto, que “é impossível compreender a fonética russa”.

Seria difícil culpar os criadores da série por essa imprecisão – fato é que, de nenhuma maneira, “The Great” pretende ser historicamente precisa. Em vez disso, diverte-se com o revigorante coquetel de feminismo e zombaria dos mitos mais bizarros sobre a Rússia, desde a presença de um urso de estimação em um banquete de casamento até a história de que, a caminho da Rússia, Catarina manteve relações sexuais com um cavalo.

Então, pouco importa: que seja “Huzzah!” (ainda que “Urra!” esteja mais correto).

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