Cenoura à coreana, o prato que nunca viu uma Coreia (RECEITA)

Legion Media
Altamente difundida na Rússia, disponível nas geladeiras de qualquer supermercado ou lojinha que se preze, salada é um mistério mesmo para os russos, desconhecedores de que o prato é seu conterrâneo.

Se tem uma coisa que me gera saudades dos tempos de mestranda e correspondente em Moscou é a comida. E a quarentena brasileira tem se mostrado uma excelente oportunidade para provar meus próprios dotes culinários – não, eu não estou lendo coleções inteiras de livros quilométricos, debulhando os filmes do Mubi e realizando o sonho da produtividade na Terra enquanto viro blogueira de cozinha, mas como a Dona Graça não tem vindo nos agraciar com seus quitutes (#ficaemcasa) - a infâmia não me impede de suspirar: que desgraça! -, preciso pôr mais as mãos na massa, para além do computador.

Foi assim que vim a saber, em uma busca pela receita da “cenoura à coreana” que tanto adorava em Moscou, que o tal prato nunca viu o solo coreano (nem o de Kim Kong-un ou de quem quer que o suceda, nem o mais meridional). Fazendo a dobradinha da fama com a cenoura, está o repolho marinado “russo-coreano”.

A maior parte dos turistas russos toma um choque de realidade ao descobrir que, na Coreia, ninguém nunca ouviu falar da sua “cenoura à coreana”. Mas como é que os russos foram acreditar no mito de que esses pratos eram tradicionalíssimos na Coreia?

A origem da culinária russo-coreana tem uma história simples, na realidade. Em 1937, durante o auge da ditadura stalinista, a maioria dos coreanos que vivia no Krai de Primôrie russo foi deportada à força para territórios soviéticos na Ásia Central.

Nessas regiões, eles não conseguiam encontrar muitos dos seus ingredientes tradicionais - já que não é nada fácil colher algas nas estepes! Assim, eles passaram a adaptar os ingredientes e moldar sua cozinha aos paladares dos vizinhos soviéticos russos, uzbeques e cazaques, diminuindo a quantidade de pimenta e adicionando quantidades generosas de açúcar e óleo. O resultado foi tal sucesso que qualquer russo pode jurar de pés juntos conhecer a melhor e mais tradicional cozinha coreana – sem nunca realmente tê-la provado.

A “cenoura à coreana” é, provavelmente, o ápice dessa história. Praticamente todo russo pensa que este prato é o símbolo da mesa coreana – quando ele só existe em restaurantes russos no país.

Esta salada marinada é feita com cenouras frescas raladas levemente agridoces e facílissima – além de ser uma delícia e durável. Fui um pouco coreana ao diminuir a quantidade de açúcar e também adaptei algumas outras quantidades (a pimenta desta receita, por exemplo, pode ser bem aumentada, na minha opinião). A dica é testar e adaptar sua cenoura “à russo-coreana” ao seu próprio gosto e fundar uma salada ainda mais internacional.

Ingredientes:

0,5 kg de cenoura (2 cenouras grandes);

4 dentes de alho;

1 colher de chá de coriandro;

1 colher de sobremesa rasa de açúcar;

1 colher de chá de sal;

1/3 de copo de óleo (80 ml.; essa quantidade pode ser reduzida);

1 colher de sopa de vinagre;

1 colher de sobremesa de pimenta (vermelha, branca ou preta em pó, de preferência que seja picante).

Modo de preparo:

1. Limpe e rale a cenoura em um ralador de maneira a fazer com que as tiras raladas fiquem bem compridas.

2. Misture em um recipiente o açúcar, o vinagre, a pimenta, o coriandro e o sal.

3. Acrescente a mistura à cenoura ralada.

4. Coloque em uma frigideira ou panela o óleo e frite ali o alho picado bem pequeninho ou ralado. Frite apenas até fazer uma espuma, não deixe sequer dourar, e acrescente o óleo e alho às cenouras ainda quente.

5. Misture bem as cenouras e deixe em um recipiente tampado, fora da geladeira por quatro a cinco horas, mexendo de hora em hora. Após esse período leve à geladeira e deixe passar a noite ali. No dia seguinte, a salada está pronta para o consumo. Quanto mais tempo ela marinar na geladeira, porém, mais gostosa fica.

Priátnogo appetita!

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