Compras a la soviética

Na sociedade do déficit, a publicidade era simplesmente um paradoxo: seu objetivo não era aumentar a demanda, mas, de alguma maneira, satisfazê-la.

Lev Borodulin / MAMM
Se você visitar um supermercado russo hoje, verá pessoas fazendo fila junto aos caixas com carrinhos cheios... Neste sentido, a Rússia contemporânea não é diferente de outros países. Mas, durante a era soviética, ficar na fila era uma ocupação nacional para quem queria conseguir alguma mercadoria.

As filas estavam por todos os lados do país. Tinha fila para pegar café, para calças, para tudo. / Pessoas ficam em fila para comprar açúcar.

Havia uma piada bastante popular sobre uma mulher que, vendo uma fila, caminhava até o final e perguntava: "Quem é o último?". Só depois de entrar na fila, perguntava: "E o que estão dando?". A piada não está muito distante da realidade: Mesmo quando não se estavam saindo para fazer compras, os soviéticos sempre levavam consigo uma sacola trançada por precaução. / A bebida alcoólica chegou à loja.

Ainda na década de 1930, graças ao comediante Arkádi Raikin, essa bolsa ganhou o nome de avoska, ou “bolsa de barbante”. O nome vem da antiga palavra russa “avos”, que pode ser traduzida como “e se?”. As pessoas levavam essa sacola  só por causa da chance de entrar em uma fila e ter que carregar mercadorias para casa. / Em frente a uma vitrine.

Ficar na fila não era um requisito: você poderia simplesmente "guardar lugar". Alguém podia perguntar "quem é o último?" e, depois de ouvir a resposta, dizer ao último da fila: "estou atrás de você". / Em uma loja de sapatos.

Considerava-se como algo completamente aceitável uma pessoa se afastar por um tempo da fila se ela “guardasse lugar”. A pessoa que estava na frente dela tinha então que avisar a próxima pessoa que aparecesse. / Loja de departamentos GUM, em Moscou.

Às vezes, os clientes usavam uma canetinha para anotar sua posição na mão / Número da pessoa na fila.

Todos os produtos, até mesmo as necessidades mais básicas, eram coisas de sonhos. Às vezes, trabalhar e receber dinheiro não era o suficiente: para conseguir o “sonho”, trocavam-se botas por tecidos, tecidos por aspiradores etc. Tudo isso era depois trocado por produtos “premium” em falta: livros, ingressos de teatro, geladeiras, carros... / Um carro Moskvitch em frente ao monumento a Pedro, o Grande.

Enquanto isso, a publicidade soviética mostrava livros, pastas de dentes, botas, maionese, sucos, champanhes, caviares, televisores etc. Todos os outdoors tinham como objetivo retratar uma sociedade feliz e abundante e reforçar o velho slogan soviético: a vida ficou melhor, a vida ficou mais alegre! / Sentada ao sol em frente à loja de departamentos infantil Diétski Mir, em Moscou.

Apesar de hoje em dia as pessoas poderem comprar o que quiserem, é difícil acabar com velhos hábitos, principalmente se eles forem soviéticos. Em anos recentes, moscovitas fizeram filas quilométricas para uma exposição de Valentin Serov, para comprat o último modelo de iPhone ou o tênis do Kanye West. Ainda é possível ver vovozinha – ou melhor, "bábuchkas" – por aí em fila do lado de fora do metrô ou pontos de ônibus vendendo flores e verduras cultivadas em casa ou compotas caseiras. / Mulher vende flores para o “Dia do Conhecimento”, em 1 de setembro, na aldeia Górki.

Na era soviética, as prateleiras das lojas eram abastecidas com itens “não vendáveis”, ou seja, mercadorias que ninguém queria. Se algo que as pessoas realmente precisassem fosse colocado à venda, as filas poderiam se estender por toda a eternidade. / Esperando por mercadorias.

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