Apesar do surto de coronavírus, metrô de Moscou não será fechado

AP
Ao longo da história, houve apenas um dia em que o sistema de metrô da capital russa deixou de operar. E, mesmo assim, não foi o dia inteiro.

O metrô de Moscou não será fechado por causa do surto de coronavírus, anunciou nesta semana o prefeito da cidade, Serguêi Sobiânin.

“O metrô é tecnologicamente projetado para que os trens operem o tempo todo, circulando ar, para garantir que todas as redes estejam em boas condições de funcionamento”, afirmou Sobiânin em entrevista ao canal de TV Rossiya 1. Na ocasião, o prefeito esclareceu as medidas que a prefeitura está tomando contra o coronavírus.

Segundo ele, se o metrô fosse parado agora, levaria seis meses para voltar a funcionar plenamente. “Portanto, sob todas as circunstâncias, o metrô continuará operando”, disse.

O que aconteceria se o metrô fosse fechado?

De acordo com os especialistas russos, o metrô de Moscou poderia ser tecnicamente fechado aos passageiros: medidas de quarentena do tipo foram introduzidas em Wuhan, uma das maiores cidades da China, e também em Kiev, na Ucrânia.

Algumas seções do metrô são, de fato, fechadas para reparos de tempos em tempos. Mas não se trata apenas de apagar as luzes e deixar os funcionários em casa: a equipe do metrô precisa continuar monitorando os sistemas de ventilação e as condições dos trilhos.

“Aí surge a questão do que aconteceria com a cidade se o metrô de Moscou fosse parcialmente fechado, e até que ponto outras medidas seriam capazes de compensar o fechamento”, afirma Pável Ziuzin, pesquisador sênior do Centro de Pesquisa de Problemas de Transporte Urbano, GeoPractice Managing Partner.

“O transporte terrestre deve estar a postos e, acima de tudo, o procedimento para entregas on-line de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais deve ser simplificado o máximo possível, porque eles serão os mais afetados. E, é claro, isso implicaria um aumento maciço de motoristas nas vias da cidade”, diz Pável. O empresário relembra que Moscou já sofreu interrupções no movimento de trens antes.

A ocorrência de maior impacto foi em 25 de maio de 2005, devido a uma sobrecarga da rede elétrica na cidade. Como resultado do blecaute temporário maciço, o movimento dos trens parou em 52 das 170 estações de metrô às 11 horas da manhã. Milhares de passageiros tiveram que ser evacuados de trens parados em túneis, e não havia luz em lugar algum. A operação do metrô de Moscou só foi totalmente restaurada às 9 da noite.

A única vez em que o metrô parou de funcionar

Desde a sua inauguração em 1935, o metrô de Moscou transporta milhões de passageiros todos os dias. Continua sendo o tipo mais popular de transporte público da cidade (em 2019, foi usada por mais de 9,5 milhões de pessoas ao dia). É difícil acreditar que, durante todo esse tempo, houve apenas um dia em que o metrô não abriu suas portas.

Estação de metrô Mayakovskaya, 1941

Isso aconteceu em 16 de outubro de 1941. Durante a Grande Guerra Patriótica, o metrô continuava a transportar passageiros, apesar dos bombardeios inimigos. Os trens circulavam até as 10 da noite, após o qual as pessoas eram acomodadas em estações para se esconder dos ataques aéreos noturnos à capital soviética.

Moscou sofreu o pior bombardeio em outubro e novembro de 1941, e a liderança soviética chegou a tomar a decisão de destruir o metrô em caso de captura, a fim de manter as instalações de infraestrutura fora do alcance do inimigo.

Na noite de 15 a 16 de outubro daquele ano, os funcionários começaram a desmontar as escadas rolantes e cortar cabos elétricos, mas, pela manhã, a decisão acabou sendo revogada. Em questão de horas, tudo voltou ao normal e, às 18h45, a operação dos trens foi retomada. Em seguida, a construção de novas estações e túneis foi reiniciada.

LEIA TAMBÉM: Como as empresas de Moscou estão reagindo às paralisações por coronavírus

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Mais reportagens e vídeos interessantes na nossa página no Facebook.
Leia mais

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies