Russo supostamente sobrevive em toca de urso por um mês: ‘Ele me guardou como comida’

AFP
Tanto a imprensa russa quanto a internacional estão divulgando as imagens de um homem que parece um cadáver vivo, alegando ter passado um mês inteiro como “comida enlatada” de urso. Mas ninguém consegue provar veracidade da história.

Na terça-feira passada (25), o EurAsia Daily, um veículo on-line baseado em Moscou, divulgou a notícia de um homem na República de Tuva (na Sibéria, a 3.700 km a leste de Moscou), chamado Aleksandr, que passou um mês com a coluna fraturada dentro de uma toca de urso – e conseguiu sobreviver”. O EurAsia Daily publicou ainda um vídeo para “provar” a história: um homem moribundo aparece em uma cama de hospital, afirmando que seu nome é Aleksandr. É isso é tudo.

O site menciona “testemunhas oculares” e “caçadores locais” como suas fontes de informação, alegando os cães de caça ajudaram a encontrar Aleksandr (cujo sobrenome ou ocupação foram omitidos). “Apesar dos ferimentos terríveis, Aleksandr estava consciente e capaz de mexer os braços, embora estivesse totalmente exausto… Ele disse que o urso o atacou, quebrou e machucou a coluna, mas decidiu não comê-lo, empacotando-o como um ‘enlatado’ em sua toca”, descreveu o veículo.

Como ele teria conseguido sobreviver?

Se esta história for verdadeira, Aleksandr teria passado um mês em um covil de urso sem comida ou água, incapaz de se mover devido a sua coluna fraturada. E por que o urso o deixou vivo? Aleksandr Khaburgaev, jornalista ecológico, disse ao canal de TV Rossiya 24 que, em geral, quando os predadores matam pessoas, eles comem antes as entranhas. “Esta história parece realmente duvidosa”, admite Khaburgaev.

Podemos ou não acreditar na história?

Deve ser encarada com suspeita. É claro que se espalhou rapidamente pela imprensa russa e estrangeira: a história, que lembrava “O Regresso” (2015), com Leonardo DiCaprio, atraiu grande atenção do público. Mas não há qualquer prova sólida.

Nesta quarta (26), o Ministério da Saúde de Tuva declarou que “não podemos confirmar o caso ocorrido. Não foi registrado pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério para Situações de Emergência ou por qualquer outro órgão oficial [na região]. Muito provavelmente, aconteceu em algum lugar fora de Tuva”.

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A polícia também alega que fotos de ‘Aleksandr exausto’ apareceram on-line há alguns anos. Mas o EurAsia Daily apresentou um novo material sobre o russo, alegando que “um homem de negócios bastante conhecido em Tuva, que pediu para manter sua identidade em anonimato”, foi responsável por enviar o vídeo. “O empresário diz que recebeu as informações de seus amigos caçadores que conhecem as testemunhas oculares do acontecimento”, justificou o veículo on-line.

Em outras palavras, o primeiro meio de comunicação a publicar essa história dependeu de um homem anônimo, que diz conhecer pessoas que conhecem outras pessoas que viram Aleksandr, enquanto as autoridades sequer verificaram os relatos. A única coisa que faz com que a história pareça credível é a filmagem do homem exausto e gravemente ferido no hospital (provavelmente no Cazaquistão). Até então, porém, não há nenhuma prova de que ele passou mesmo um mês em uma toca, não sabe onde exatamente o homem está agora nem quando o vídeo foi feito.

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