Como os russos mudaram minha vida: Emil, da Macedônia

Arquivo pessoal
Nos Bálcãs somos relaxados, lentos e pouco focados, mas os russos são muito sérios, dedicados e apaixonados pelo trabalho. Isto teve um impacto enorme em mim como pessoa e como pesquisador.

Comecemos do início... Em 1997, eu era estudante no Departamento de Língua e Literatura Russa em Escópia, a capital da Macedônia. Por estar entre os melhores alunos, fui escolhido para um curso de verão de dois meses na Universidade Estatal de Moscou (MGU).

Então acontecia uma enorme crise econômica na Macedônia, mas, de alguma forma, meus pais conseguiram me mandar para Moscou.

Quando cheguei, a primeira coisa que pensei foi: "Uau! Este lugar é grande! Tudo é tão grande aqui!". Nós fomos levados ao prédio principal da MGU e eu mal podia acreditar que viveríamos naquele prédio, que já tinha visto em revistas e nos nossos livros didáticos.

Assistindo ao festival de música Eurovisão em Moscou, em 2009.

Então entramos e nós fomos recebido por uma senhora agradável que nos serviu chá e bolo. Entendi aí mesmo como é que os russos tratam seus convidados. E este não foi um acontecimento a parte. Mais tarde, quando começamos a nos relacionar com os outros russos, eles nos trataram da mesma maneira.

Desde aí, fico muito feliz quando alguém me convida para entrar em casa, porque sei que vou me passar um tempo bacana em um ambiente agradável e caloroso.

Os russos normalmente não se importam com quem você é, a cor da sua pele, de onde você vem, quanto dinheiro tem ou sua etnia. Eles se importam somente em ter uma interação humana normal e precisam ver que você também os respeita. Isto é algo muito importante que importante que aprendi com os russos.

Toda a cultura

Nos arredores de Moscou, em 2009.

Eu cresci em uma família que lê muito e que aprecia a cultura, e era livres para construir minha própria visão de mundo. Assim, a literatura e a cultura russa estavam muito arraigadas no meu ser.

Antes da minha primeira viagem a Moscou, eu lia poesia só para mim mesmo. Mas os russos me fizeram compartilhar esta paixão com outros pessoas, e passei a recitar versos de Akhmátova e Maiakóvski para os meus amigos na Macedônia.

Logo percebi que eles curtem minhas "apresentações".

Profissionalmente

Moscou, 2016.

Os anos passaram e, em 2007, mudei-me para Moscou para ser professor de língua macedônia na MGU.

Eu não sabia como seria recebido pelos alunos e colegas, mas, depois de algumas semanas, os alunos começaram a interagir de verdade comigo, não apenas durante as aulas, mas também fora das muros da universidade.

Meus colegas me apoiaram muito. Após o primeiro semestre, senti que as pessoas todas ao meu redor não eram apenas gente comum, mas verdadeiros profissionais.

Nos Bálcãs somos relaxados, lentos e pouco focados, mas os russos são muito sérios, dedicados e apaixonados pelo trabalho. Isto teve um impacto enorme em mim como pessoa e como pesquisador.

Por um lado, isto foi um problema quando eu retornei à pátria, onde fico esperando que todos tenham atitudes profissionais. Por isto, há momentos em que fico com raiva.

Por sua própria conta

Diante do prédio da MGU, em Moscou, em 2016.

Viver em uma cidade grande pode ser muito cruel. Em Skopje, a capital da Macedônia, a vida é bem mais fácil, e sempre existe o amigo de um amigo que pode ajudá-lo se você tiver algum problema.

Em Moscou, aprendi que devo superar a burocracia por conta própria (e todos conhecemos a burocracia russa).

Eu tinha (e ainda tenho) amigos muito próximos, mas não podia estar com eles todos os dias devido à distância, ao trabalho e às obrigações familiares, especialmente no inverno.

Amigo para contar quando a gente precisa é amigo de verdade

Ter poucos amigos verdadeiros é melhor do que ter uma grande rede de amigos de mentira. Isto é tão russo e tão verdadeiro.

Quando voltei ao meu país, eu tinha um monte de amigos, tomávamos café juntos durante o dia e saíamos à noite, almoçávamos juntos e compartilhávamos momentos divertidos.

Apesar de eu ter diversos amigos íntimos na Rússia, eu sabia (e ainda sei) que sempre posso contar com eles.

Em momentos difíceis (quando eu estive doente ou estava ficando deprimido durante o inverno) eles estavam ao meu lado e me apoiaram muito (Lena, Ira, Liôcha, Max Jr., Max Sr., vocês são meu tudo na Rússia).

P.S.: Se eu continuar com a minha história, ficará chato. Então, galera, faça amizade com os russos, derrube fronteiras e torne sua vida mais rica e colorida.

Os russos já são conhecidos por sua generosidade. Mas é dando que se recebe? Veja como eles lidam com o cigarro neste quesito!

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