5 pessoas que mudaram de vida depois de aprender russo

Motivos vão desde ler Tolstói no original até encontrar emprego, amor romântico e novos amigos.

William Brumfield, Estados Unidos

Professor de Estudos Eslavos, historiador da arquitetura russa e fotógrafo

"Comecei a estudar formalmente o russo na Universidade John Hopkins, que no início da década de 1960 tinha um programa minúsculo com um professor temporário. As classes russas muito pequenas me permitiram entrar na língua da grande literatura que comecei a ler no ensino médio. "Evguêni Onéguin" foi o texto que me serviu de ponto de partida.

Não havia nenhuma metodologia especial naqueles dias! Se não fosse meu professor de russo, eu não teria entrado no mundo dos estudos russos. Talvez minha vida tivesse tomado um rumo mais "normal", mas a arquitetura russa teria perdido um de seus defensores mais ativos.

Outra professora inspirou meus estudos sobre aRússia e sua arquitetura, Nina Volodina, especialista em ensino de russo a estrangeiros, que se interessava apaixonadamente pela história de Moscou e organizava passeios em bairros históricos durante o nosso tempo livre. Isto aconteceu durante minha primeira viagem à Rússia, no verão de 1970.

Muitas vezes, eu era o único a comparecer, mas ela ainda assim conduzia o passeio e me dava listas de edifícios históricos. Embora a maioria das igrejas estivesse fechada, pudemos apreciar a beleza da arquitetura. Naquele momento, comprei minha primeira câmera e comecei a fotografar. Quando cheguei em casa e revelei as fotos, fiquei impressionado com o resultado.

Eu não fazia ideia de que esse interesse me levaria a dezenas de livros e a uma enorme coleção fotográfica, mas o principal foi o interesse em mim gerado."

Ajay Kamalakaran, Índia

Escritor

"Comecei a aprender russo no Centro Cultural Russo de Mumbai, na Índia. Meu primeiro amigo russo, que conheci em Mumbai, me convidou para ir à casa de seus avós, em Vorônej. Esta foi uma ótima oportunidade de ter um vislumbre em primeira mão da vida familiar russa e ver se as minhas habilidades linguísticas tinham chegado a algum lugar. Eu me matriculei na Universidade Estatal de Sacalina alguns meses antes.

Eu estava totalmente dominado pelo calor e a bondade dos meus avós russos. Assim que entramos no apartamento, o deduchka me abraçou e me beijou da mesma forma que ele fazia com as próprias netas. Então, me perguntou sobre minha cidade natal antes de colocar um alfinete em Mumbai no mapa do mundo. Esta era uma honra reservada apenas aos membros da família.

Aprender russo basicamente abriu um mundo completamente novo para mim. Alguns dos meus amigos mais próximos não falam inglês ou outras línguas estrangeiras. O russo foi uma ótima porta para eu adentrar a sociedade do país, e me ajudou a ver e experimentar muito mais do que uma pessoa que não fala russo jamais poderia sonhar. Isto se estendeu para além da Rússia e para as ex-repúblicas soviéticas. Para mim, é fácil andar por cidades como Odessa, na Ucrânia, e estar completamente em paz, porque posso falar russo.

Outra grande vantagem de aprender russo foi a capacidade que desenvolvi de ler as obras de Tchékhov, Dostoiévski e Tolstói no original. E tenho também a possibilidade de ler os últimos livros publicados na Rússia, mesmo que não tenham sido traduzidos."

Ajay é o autor de "Globetrotting for Love and Other Stories from Sakhalin Island".

John Varoli, Estados Unidos

Jornalista

"Eu me apaixonei pela Rússia e pela língua russa quando fiz um curso chamado 'Introdução à Rússia' no ensino médio na Escola Internacional de Bruxelas. Era 1985, ainda se viviam os tensos tempos de Guerra Fria e, asism, apenas os pensadores mais firmes e independentes se inscreviam nesse curso (isto poderia levá-lo facilmente a ser suspeito de traidor simpatizante da Rússia!).

Mas o russo que aprendemos nos livros didáticos não tinha nada em comum com o russo da vida real. Quando finalmente me mudei para a Rússia, em junho de 1992, realizei meu objetivo de aprender o russo do mundo real, e o fiz alugando quartos (morei em 16 lugares diferentes em Moscou em 3 anos!). Vivi, assim, com amigos e famílias que não falavam inglês, e até mesmo duas vezes em "kommunalkas".

Além disso, como se sabe, só se pode entender verdadeiramente uma nação conhecendo seu idioma, e muito se perde na tradução. Mas, para os russos, acho isso ainda mais relevante do que para tchecos, franceses ou italianos (idiomas que também estudei e falo). Além disso, considere o fato de que relativamente poucos russos falam inglês. Assim, você realmente precisa saber o russo se quiser entender o país. Armado com o conhecimento da língua, aprendi muito sobre a mentalidade e o modo de ver o mundo da Rússia, que é bem diferente do nosso.

Tomem-se, por exemplo, as noções de liberdade e tabus. Intelectualmente, os russos são muito livres, estão dispostos e são capazes de discutir qualquer assunto. Nos Estados Unidos, no entanto, há muitos tabus (eles diferem de região para região) e tendemos a ridicularizar e humilhar as pessoas que pensam de forma diferente. Eu raramente vi isso nos meus 20 anos na Rússia. Sim, os russos certamente podem discordar de você, mas eles vão te ouvir e respeitar sua opinião.

Para mim, essa integridade intelectual russa, esse desejo de procurar a verdade e tentar entender a vida, teve um enorme impacto como jornalista e escritor. Você raramente encontra isso nos EUA, onde nossa poderosa e onipresente imprensa tende a ditar quais assuntos podem ser discutidos e como eles devem ser discutidos.”

Kaname Okano, Japão

Doutorando

"Comecei a aprender russo quando tinha 18 anos e entrei na universidade, onde estudei no departamento de literatura e língua russa. Escolhi o russo como especialização porque estava interessado na língua, no alfabeto cirílico, na literatura e na cultura dos nossos 'misteriosos' vizinhos do norte. A língua russa abriu um mundo totalmente novo para mim - o mundo das línguas eslavas. Quanto mais eu descobria os russos, mais me interessava em sua nação. Quando terminei meu mestrado no Japão, esse interesse me levou a entrar em um programa de doutorado na cidade sérvia de Novi Sad, onde agora estudo línguas sérvias, búlgaras, rutenianas e outras línguas eslavas. Sem a língua russa, eu não perceberia de que eu realmente gosto e o que eu quero fazer no futuro. Em alguns meses vou começar a ensinar russo na universidade japonesa onde estudei, e espero que meus alunos amem o russo e outras línguas eslavas tanto quanto eu - e ainda mais."

Lara McCoy, Estados Unidos

Jornalista

"Tudo começou quando minha mãe me batizou com o nome da protagonista do romance de Borís Pasternak 'Doutor Jivago'.

Meu relacionamento com a língua russa sempre foi um pouco difícil. Eu me apaixonei pela Rússia por meio do estudo da história do país, e lutei para aprender a língua.

Nas minhas duas primeiras viagens à Rússia, não consegui dizer nada. Não sou naturalmente boa em línguas, e achei isso muito difícil. Quando me mudei para Moscou, apesar de ter estudado russo por dois anos nesse ponto, não tinha ideia de como me comunicar. Durante meus primeiros três meses em Moscou, eu apenas ouvia como as pessoas falavam, como eles me davam instruções sobre como chegar aos lugares e pediam coisas nos mercados.

Mesmo agora, depois de passar mais de nove anos na Rússia, minhas habilidades linguísticas são limitadas. Eu consigo entender as coisas muito bem, mas cometo muitos erros gramaticais.

Meu momento de maior orgulho em me comunicar em russo foi quando consegui que o gerente de Sedmôi Kontinent [um supermercado] reembolsasse meu dinheiro depois que o caixa me cobrou mais do que deveria por um muffin. Este é o meu nível de russo agora - bom o suficiente para discutir com um funcionário da loja.

Minhas filhas, que cresceram na Rússia, são completamente bilíngues e acham minha conversação em russo realmente vergonhosa. Lembro-me de um dia estar tentando fazer uma pergunta ao diretor na escola da minha filha, e ela dizendo: 'Kátia, descubra o que sua mãe quer e me conte depois. Eu não tenho tempo para descobrir o que ela está dizendo!'. Então, agora aprender russo é um desafio para entender melhor minhas filhas e estar envolvida em suas vidas e me conectar mais com os amigos."

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