Russos cortam drasticamente gastos durante pandemia

Xinhua/Evgeny Sinitsyn/Global Look Press
No primeiro trimestre de 2020, a receitas dos russos caíram 8% em relação ao ano anterior, queda recorde desde a crise financeira de 1999. Nação, que é conhecida por esbanjar, começa a poupar em período de incertezas.

No primeiro semestre de 2020, os consumidores russos reduziram seus gastos em uma média de 11,5 mil rublos (US$ 150), segundo uma pesquisa da rede internacional de auditoria e consultoria FinExpertiza.

Segundo o jornal Izvéstia, esta é a maior queda desde 2006, e durante os últimos 13 anos o consumo russo só aumentou.

Segundo economistas, a maioria dos russos cortou gastos para economizar durante o período incerto da pandemia, e não devido à queda das receitas.

A queda mais drástica em valores absolutos foi registrada em Moscou: durante os seis primeiros meses de 2020, as despesas dos moscovitas caíram 41 mil rublos (US$ 560).

A maior redução percentual nos gastos ocorreu na cidade de Sevastópol (19,3%, incluindo a inflação), na região de Iakútia (18,5%) e no Daguestão (17,3%).

Em média, durante o primeiro semestre do ano, os russos reduziram seus gastos em 11,5 mil (US$ 150). Assim, segundo a FinExpertiza, as despesas mensais caíram 1.930 rublos (US$ 26).

De acordo com um estudo da Gazprombank, desde o começo da pandemia de coronavírus houve mudanças dramáticas no comportamento dos consumidores russos: as despesas com viagens diminuíram 90% em comparação com o primeiro semestre de 2019; em roupas e calçados, 82%; em cafés e restaurantes, 72%. Ao mesmo tempo, os gastos com produtos alimentícios, medicamentos e álcool cresceram (32%, 25% e 22%, respectivamente).

Mas, segundo a presidente da FinExpertiza, Elena Trúbnikova, disse ao jornal Izvéstia, a retração do consumo ocorre devido à queda das receitas. Segundo a agência federal de estatísticas russa Rosstat, no segundo trimestre de 2020, quando ocorreu o pico da crise financeira provocada pela pandemia, as receitas dos russos caíram 8% em termos anuais, ou seja, um recorde de queda trimestral desde a crise de 1999.

"Nos primeiros seis meses do ano, o volume total de fundos não gastos pela população aumentou 360% e atingiu 2,15 trilhões de rublos (US$ 29 bilhões). Os russos preferiram poupar 7,6% de sua renda, contra 1,6% no ano anterior e decidiram manter os fundos em dinheiro, em vez de depósitos bancários", disse Trúbnikova.

A diminuição da taxa de crescimento e a redução nos salários afetou quase todos os setores da economia russa, segundo o diretor de pesquisas de opinião pública do grupo NKR, Andrei Piskunov. De acordo com ele, entre abril e julho, por exemplo, os salários dos funcionários do setor hoteleiro caíram quase 18%, o que levou à decisão de poupar.

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