Com novo acordo bilionário, Alibaba quer dominar e-commerce na Rússia

Reuters
Gigante chinês do comércio eletrônico fechou parceria de US$ 2 bilhões com locais e ameaça expulsar representantes de e-commerce que já operam no país.

A expansão do Alibaba na Rússia foi oficializada no último dia 11 de setembro, após um acordo de US$ 2 bilhões assinado com parceiros locais em Vladivostok.

Juntamente com o Fundo de Investimento Direto Russo (FIDR), a operadora de telecomunicações MegaFon e a empresa de internet Mail.Ru Group, o Alibaba lançará a AliExpress Rússia, uma joint venture já cunhada por muitos como “acordo do ano”.

Um mercado multimilionário

Embora o contrato deva ser martelado no início de 2019, já se sabe que o Alibaba deterá 48% do AliExpress Rússia; MegaFon, 24%; Mail.Ru; 15%; e o FIDR, 13%. A joint venture se beneficiará dos 100 milhões de usuários do Mail.Ru Group em suas redes sociais, serviço de mensagens, e-mail e jogos on-line.

Ao ter acesso a essa base de usuários exclusiva, a empresa terá como objetivo criar uma plataforma única para atividades sociais, comunicações, jogos e compras.

“Não há necessidade de astúcia aqui, o Alibaba Group entra na Rússia buscando ampliar seu mercado de vendas e o volume de negócios apenas aumentando o número de consumidores”, explica Roman Blinov, chefe do departamento de análise do Centro Financeiro Internacional em Moscou.

Por meio do Mail.Ru, que já detém as mais populares redes sociais da Rússia – Odnoklassniki e VK –, o Alibaba poderá contar com uma extensa base de clientes. “A nova venture permitirá que potenciais consumidores comprem produtos fabricados na Rússia e no exterior sem deixar as plataformas que lhe são familiares”, diz Ekaterina Tumanova, chefe do departamento de análises da Finıst.

Impulso para e-commerce na Rússia

Em troca de apoio estatal de alto nível (até mesmo o presidente Vladimir Putin elogiou o acordo), os parceiros russos buscam se beneficiar do expertise e das tecnologias da Alibaba e ampliar seus negócios por meio da integração internacional.

Atualmente, a fatia do comércio eletrônico no mercado de varejo da Rússia é de 4% –baixa se comparada aos 10 a 15% nos países desenvolvidos. Por isso, o lado russo espera que a joint venture ajude não só a impulsionar o desenvolvimento digital do país, mas também capacitar os empreendedores locais para a competição global.

“Nossa experiência na China e em outros mercados ao redor do mundo nos torna exclusivamente qualificados para ajudar a construir a infraestrutura futura do comércio na Rússia e na CEI”, diz o presidente do Alibaba Group, Michael Evans.

No entanto, a novo empresa pode ser um desafio para os players de comércio eletrônico locais que já operam no mercado. De acordo com Aleksandr Egorov, estrategista de câmbio da corretora TeleTrade, a introdução do AliExpress Rússia pode rapidamente abocanhar de 50% a 70% do mercado nacional e até mesmo eliminar um dos principais representantes do setor no momento – o Yandex.Market.

“Diante desse cenário, o Yandex poderá ter que agir, expandindo sua gama de produtos e oferecendo mais serviços aos clientes”, diz Egorov.

O Yandex, porém, não acredita que a entrada do concorrente prejudique a competição saudável no mercado. “Esperamos que a joint venture esteja interessada em garantir a felicidade dos clientes e construir um ecossistema que permita a todos os participantes do mercado se beneficiarem de seus recursos”, disse a assessoria de imprensa da empresa ao Russia Beyond.  “Estamos confiantes de que uma competição saudável impulsionará o desenvolvimento do mercado de comércio eletrônico na Rússia.”

Saiba onde e como usar Wi-Fi gratuito em Moscou.

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