Os 10 livros russos mais populares no exterior

Cultura
ALEKSANDRA GÚZEVA
Estes romances são leitura obrigatória para quem quer conhecer a literatura russa — e tem ótimos motivos para serem lidos e amados por todo o mundo.

Todos os anos, cada vez mais traduções de clássicos russos são publicadas em países diversos — principalmente de romances do século 19 ao início do século 20. Poucos editores ousam traduzir e publicar romances modernos, afinal, Tolstói e Dostoiévski vendem muito mais que autores desconhecidos.

Conheça o crème de la crême dos livros russos mais populares mundo afora!

10. Nikolai Gógol, ‘Almas Mortas’

Gógol disse que esta obra era um “poema”, porém em prosa. A personagem principal, Tchitchikov, viaja, visitando fazendeiros provincianos, um após o outro, e pede que lhe vendam suas “almas mortas” — servos que já morreram, mas cujas mortes não foram registradas nas listas de revisão anual.

Dessa maneira, ele planeja adquirir a condição de grande proprietário de terras, já que possuirá muitos camponeses (apesar de mortos).

O livro mostra os vícios da sociedade russa e dos homens em geral, além de trazer digressões líricas sobre a Rússia e seu destino. O livro é muito engraçado e filosófico, e entrou na lista dos 10 livros russos recomendados pela versão italiana da revista Esquire.

Além disso, “Almas Mortas” está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do jornal britânico “The Guardian” e na lista dos 100 melhores livros do “Norwegian Book Club”, do “Norwegian Nobel Institute”.

9. Ivan Goncharov, ‘Oblómov’

Este romance é uma ode à preguiça russa. Iliá Ilitch Oblómov nunca sai de seu sofá, nunca vai a lugar nenhum, não faz nada e só sonha acordado. Ele não consegue sequer se apaixonar de verdade e, depois de pedir uma jovem e bela mulher em casamento, acaba se afastando – e ela se casa com seu amigo.

Depois que o romance foi publicado, um novo conceito surgiu no léxico russo: a “oblomovshchina” (em português, algo como “oblomovismo”), ou seja, uma combinação de preguiça, apatiae falta de vontade de viver muito típica da alma russa.

O livro está na lista dos 100 melhores romances estrangeiros essenciais da revista japonesa “Kangaeru Hito”.

8. Ivan Turguêniev, ‘Primeiro Amor’

Uma das principais obras de Turguêniev é o romance “Pais e Filhos”, que trata da eterna luta entre gerações. Na Rússia, esse livro é considerado o mais importante do autor e está no programa obrigatório de literatura de todas as escolas e institutos educacionais.

Em suas outras obras (“Rudin”, “Ássia”, “Ninho de Fidalgos”), ele criou a imagem da “dama de Turguêniev”, ou seja, uma mulher jovem, mas independente, que se revela mais forte e cheia de moral que os homens mais fracos.

Por alguma razão, a novela de Turguêniev “Primeiro Amor” ganhou popularidade no exterior. O livro conta sobre o dramático amor não correspondido de um jovem por uma mulher mais velha que ele (a qual, além de tudo, preferia o pai do moço!).

A editora japonesa Shinchosha, por exemplo, recomenda esta novela, dentre 40 obras da literatura mundial, para uma leitura leve e para quem está começando a se aventurar na literatura mundial — principalmente a russa.

7. Mikhail Bulgákov, ‘O Mestre e Margarida’

Místico, intrigante, mágico, engraçado: o romance “O Mestre e Margarida” é considerado um dos favoritos dos leitores russos. Conta a emocionante história de como o Diabo chegou à Rússia Soviética e como Margarida vendeu sua alma para ficar com o amado Mestre.

Os capítulos sobre o Mestre e Margarida estão interligados com capítulos do Mestre sobre os últimos dias da vida de Jesus Cristo.

Uma pesquisa do canal de TV alemão “ZDF” colocou “O Mestre e Margarida” no top 100 dos melhores livros de todos os tempos. O jornal francês “Le Monde” também incluiu o romance de Bulgákov em sua respeitável lista de 100 melhores livros do século 20.

A plataforma de livros “Goodreads” também incluiu o romance de Bulgákov em sua classificação dos melhores livros do século 20, e o jornal japonês “Yomiuri” colocou o romance de Bulgákovem sua classificação de 60 grandes autores da literatura mundial.

6. Lev Tolstói, ‘Anna Karenina’

Mesmo que você não saiba nada sobre “Anna Karenina”, provavelmente conhece seu final: a heroína se joga embaixo de um trem. A quantidade de adaptações cinematográficas deste romance (mais de 40) por diretores de todo o mundo fala por si só. O segredo para esse reconhecimento por parte dos leitores e espectadores é simples: o livro trata de amor.

A crítica também tem o romance em alta conta: “Anna Karenina” está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do canal de TV alemão “ZDF”, do “Norwegian Book Club”, do jornal britânico “The Guardian” e também entre os 200 melhores livros da “”.

5. Lev Tolstói, ‘Guerra e Paz’

Este romance épico em quatro volumes conta a história de várias famílias em um período de grandes eventos históricos: a guerra do Império Russo contra a França napoleônica.

“Guerra e Paz” foi o primeiro romance russo a liderar a classificação dos 100 melhores livros da “Newsweek”. Além disso, fez parte da lista dos 100 melhores da emissora alemã “ZDF” e do jornal britânico “The Guardian”, do “Norwegian Book Club” e da lista dos 200 melhores livros da “BBC”.

4. Fiódor Dostoiévski, ‘Crime e Castigo’

Dostoiévski escreveu pelo menos cinco grandes romances e foi recordista do “Norwegian Book Club”, com quatro livros na lista dos 100 melhores de todos os tempos: “Crime e Castigo”, “O Idiota”, “Os Demônios” e “Os Irmãos Karamázov”.

Na Rússia, todos os estudantes escolares conhecem Dostoiévski e leram seu “Crime e Castigo”. Trata-se da história de um estudante universitário que decidiu descobrir do que é capaz e que mata uma velha agiota.

O canal de TV alemão “ZDF” e o jornal britânico “The Guardian” incluíram este romance em sua lista dos 100 melhores livros de todos os tempos, e a “BBC” também o incluiu em sua lista dos 200 melhores.

 3. Fiódor Dostoiévski, ‘Os Irmãos Karamázov’

Este romance traz uma intrigante trama policial: um filho mata seu pai. Mas, na realidade, este romance é sobre o amor, o sentido da vida e Deus.

“Os Irmãos Karamázov” alcançou as mesmas classificações de “Crime e Castigo” e também ficou em 30º lugar na lista dos 100 livros de ficção mais vendidos na “Amazon Japan”. Além disso, a revista japonesa “Kangaeru Hito”, o lista no rol de 100 romances estrangeiros indispensáveis, junto com mais quatro obras de Dostoiévski (entre elas, “A Casa dos Mortos” e o romance “Os Demônios”).

2. Vladimir Nabókov, ‘Lolita’

Apesar do tema sensível de que trata este escandaloso romance de Nabôkov (um pedófilo que fica fascinado com sua enteada), ele regularmente entre em avaliações dos melhores livros de todos os tempos. O romance foi escrito em inglês, mas foi traduzido para o russo 10 anos depois pelo próprio autor.

O jornal norte-americano “The New York Times” coloca “Lolita” em quarto lugar em sua lista dos 100 melhores romances mundiais e também o incluiu na lista dos 25 melhores livros dos últimos 125 anos.

“Lolita” também entrou na lista dos 100 melhores livros do francês “Le Monde” (aliás, o romance foi publicado pela primeira vez em 1955, na França) e na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos da revista “Time”.

O jornal japonês “Yomiuri” também incluiu Nabokov com seu “Lolita” entre os 60 grandes autores da literatura mundial, enquanto a revista japonesa “Kangaeru Hito” o lista no rol de 100 livros estrangeiros indispensáveis.

1. Aleksandr Soljenitsin, ‘Arquipélago Gulag’

Na URSS, a obra de Soljenítsin foi proibida e, assim, foi publicada pela primeira vez em russo apenas em 1990. Na França, porém, o livro foi lançado em 1973.

O romance curto de Soljenítsin “Um dia na vida de Ivan Denisovitch”, publicado em 1962, foi a primeira obra soviética oficialmente publicada sobre o sistema Gulag.

Ela fez sucesso não só na URSS, mas em todo o mundo.

Mas a ampla investigação literária sobre o sistema de campos de prisioneiros soviéticos entre 1918 a 1956 de que Soljenítsin trata em Arquipélogo Gulag, no qual ele trabalhou por 10 anos, foi proibida na URSS por um longo tempo.

Na França, o livro ficou em 15º lugar na lista dos “100 livros do século”, segundo o “Le Monde” (aliás, o romance de Soljenítsin “Pavilhão dos Cancerosos” está na lista dos 100 livros que os franceses mais amam). 

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