Gostou de “Parasita”? Então não perca estes 5 filmes russos sobre desigualdade social

Parasita, dirigido por Bong Joon-ho

Parasita, dirigido por Bong Joon-ho

Bong Joon-ho/Barunson E&A, 2019
Filme sul-coreano dirigido por Bong Joon-ho ganhou 4 estatuetas, entre elas a de Melhor Filme, no Oscar 2020. Longa explora o tema da desigualdade social por vezes disfarçado de tragicomédia. O Russia Beyond reuniu outros filmes interessantes com o mesmo argumento, porém produzidos na Rússia.

1. Jumpman, 2018, Ivan Tverdovsky

Podbrosy (Jumpman), 2018, Ivan Tverdovsky

Queridinho dos produtores europeus, Ivan Tverdovsky apresentou, em 2018, uma representação fantasmagórica de uma Moscou absolutamente infernal, onde cinismo, dinheiro e conexões são tudo. Se você mora em um sistema de valores diferente (ou simplesmente vem de um contexto errado), o mundo da capital o engolirá sem que você perceba. É exatamente isso que acontece com o protagonista, Denis, que é deixado em um orfanato quando bebê, e anos depois a mãe o pega de volta para alistá-lo em uma quadrilha criminosa (cujos membros incluem um juiz, advogados e policiais). Mas por que buscá-lo depois de tanto tempo? O interesse deles pelo jovem do orfanato é motivado por uma rara condição médica de Denis – ele não sente dor.

E não sentir dor, ou simplesmente não sentir nada, é o que mais se valoriza no universo criado pelo diretor. Como um super-herói com uma “super-habilidade”, o jovem tenta encontrar um lugar para si nesse mundo inteiramente novo. 

2. Ayka, 2018, Sergey Dvortsevoy

Ayka, 2018, Sergey Dvortsevoy

Na cultura russa, a questão envolvendo imigrantes vem sendo abordada no teatro e nas artes com muito mais afinco do que no cinema. O longa ‘Ayka’, uma coprodução com Cazaquistão, Alemanha e Polônia, é uma rara exceção.

O filme conta a história de uma imigrante ilegal quirguiz que percorre Moscou coberta de neve entre vários empregos, dá à luz um bebê que ela deixa em um orfanato (pois não tem outra escolha) e se esconde da máfia quirguiz porque lhes deve dinheiro.

Uma odisseia de seis dias se desenrola na tela, retratando o mundo subterrâneo, esquálido e desprovido de privilégios que a maioria das pessoas que vive na cidade nem suspeita que exista. Pelo papel emocionante de Ayka, Samal Yeslyamova ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes.

3. Vida longa e feliz (em tradução livre), 2013, Boris Khlebnikov

Dolgaya, Schastlivaya Zhyzn (Vida longa e feliz), 2013, Boris Khlebnikov

Por ordem de um ricaço local, burocratas expulsam os agricultores das terras que eles arrendavam. É assim que começa o filme de um dos principais diretores voltados para questões sociais da Rússia, Boris Khlebnikov. O conflito entre oficiais corruptos e agricultores indefesos evolui primeiro para o drama do homem pequeno e sua revolta contra o sistema, e depois para algo semelhante a um faroeste clássico aplicado à realidade russa. Ainda assim, este longa não se encaixa na estrutura de um faroeste típico.

O protagonista, Aleksandr (interpretado por um dos expoentes do cinema russo contemporâneo, Aleksandr Yatsenko), é tão fatalista quanto o resto do país, segundo o diretor. Para passar a uma ação decisiva, primeiro precisa chegar ao fundo do poço.

4. O Idiota, 2014, Yuri Bykov

Durak (O Idiota), 2014, Yuri Bykov

Agraciado com inúmeros prêmios, este longa sombrio de Yuri Bykov é sobre a total indiferença. A vida de 800 moradores de um conjunto habitacional em ruínas está literalmente em risco – o edifício pode entrar em colapso a qualquer instante. Apenas um simples encanador, Dima, percebe o que está acontecendo. Ele passa o filme inteiro tentando chamar a atenção para o problema e tentando evacuar o prédio com urgência.

O obstáculo, porém, é que isso não é do interesse das autoridades locais, que são completamente indiferentes à situação e estão ocupadas celebrando o aniversário do prefeito. Os moradores do edifício também não ficam particularmente preocupados – eles estão tão acostumados a ninguém se importar com eles que não acreditam na preocupação sincera de um homem. 

5. Elena, 2011, Andrey Zvyagintsev

Elena, 2011, Andrey Zvyagintsev

‘Elena’ venceu o prêmio especial do júri da seção paralela “Un Certain Regard” no Festival de Cannes – e assustou muita gente. O filme foi interpretado, acima de tudo, como uma representação do conflito entre pobres e ricos, e a ameaça que os pobres podem representar quando se aproximam demais dos ricos (como em ‘Parasita’).

Elena se casou com o bem-sucedido Vladimir por dinheiro, e não por amor. O marido também não tem nenhum carinho especial pela esposa e não deixa de enfatizar o abismo social e cultural entre eles na frente de outras pessoas sempre que possível. Elena, na verdade, não desfruta de nenhum benefício financeiro do casamento, além de poder morar no apartamento de luxo que ela divide com o marido. Certo dia, ela precisa de dinheiro para ajudar o filho de seu primeiro casamento, mas o marido se recusa a ajudá-los. Ela então enfrenta um dilema moral – ajudar o filho e cometer um assassinato por causa da herança, ou seguir o caminho da virtude. 

Segundo Zvyagintsev, esta é a espinha dorsal do filme: “O dinheiro se tornou um critério exclusivo, é a energia que impulsiona as paixões humanas. (...) Agora, neste exato momento, assim como minha heroína, há alguém ponderando e escolhendo entre uma decisão ética e um crime”.

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