Brasil poderá produzir vacina russa contra coronavírus para toda América Latina

Reuters
Primeiro lote do medicamento será fornecido ao país já em novembro de 2020.

O Brasil poderá se tornar um dos mais importantes centros de produção e distribuição da vacina russa contra o coronavírus "Sputnik V" na região da América Latina, declarou o embaixador russo no Brasil, Serguêi Akopov, à agência de notícias Tass.

"A Rússia vê o Brasil como um parceiro muito importante [...]. O Brasil pode se tornar um dos centros de produção e distribuição da vacina mais importantes não apenas no país, mas também em toda a região", declarou o diplomata durante reunião com a câmara dos deputados brasileira.

Segundo Akopov, o Brasil também está mostrando interesse pelo medicamento russo. Ele assegurou que "Moscou procura fornecer uma proteção eficaz e segura contra a covid-19 para toda a humanidade". 

"As pessoas em todo o mundo já estão cansadas da situação atual, em que as crianças não podem abraçar seus pais e todos estão ansiosos pelo desenvolvimento e fornecimento da vacina", completou o embaixador russo, prometendo fazer todo o possível "para que a cooperação bilateral nessa área seja bem-sucedida".

Fornecimento da vacina

O primeiro lote da vacina russa contra a infecção por coronavírus "Sputnik V" poderá chegar ao Brasil já em novembro deste ano, segundo o diretor do Fundo de Investimentos Diretos da Rússia, Kirill Dmítriev.

"Estamos prontos para fornecer nossa vacina ao mercado brasileiro. As primeiras entregas podem começar em novembro. Ao contrário de outras vacinas, estamos convencidos de que em novembro ou dezembro já forneceremos uma quantidade significativa desta tanto para o Estado do Paraná, como para todo o Brasil. Temos uma parceria com a empresa [farmacêutica] União Química, com a qual esperamos produzir nossa vacina no Brasil. Trabalhamos com a A-Pharma e estamos abertos à cooperação com outros fabricantes, tanto públicos, como privados", declarou Dmítriev durante teleconferência sobre a vacina russa com a comissão da câmara dos deputados brasileira.

Segundo ele, o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia já enviou as informações sobre os resultados da primeira e segunda fases de testes da vacina para a embaixada russa em Brasília e poderá transmitir os resultados da terceira fase de ensaios clínicos. Dmitriev espera que o Brasil também possa participar da terceira fase.

Segundo ele, o país tem "grande potencial" para produzir a vacina "Sputnik V" e exportá-la para países vizinhos na América Latina.

O Fundo de Investimentos Diretos da Rússia concordou em produzir 60 milhões de doses da vacina no Brasil e espera aumentar este volume para 200 milhões. "Já temos acordos preliminares para a produção de 60 milhões de doses por ano, mas esperamos encontrar mais parceiros. Gostaríamos de produzir cerca de 200 milhões de doses de vacina por ano no Brasil", completou o diretor da empresa estatal russa.

Os ensaios clínicos da vacina russa no Brasil devem começar no Instituto Tecnológico do Estado do Paraná, que ajudará a instalar a produção local. Para tanto, foi assinado um acordo em 12 de agosto entre o governo do Paraná e o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia. "Estamos felizes por termos parceiros tanto na Tecpar, como no Estado do Paraná, onde vemos potencial para a produção de nossa vacina no Brasil", completou Dmítriev.

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