Da antiguidade à tradição cristã, os ritos do Natal russo

Além de rituais pagãos, Natal russo é rico também em tradições cristãs

Além de rituais pagãos, Natal russo é rico também em tradições cristãs

Reuters
Uso de calendário juliano influenciou antigas tradições pagãs, hoje substituídas por celebrações religiosas.

A Igreja Ortodoxa Russa festeja o Natal de acordo com o calendário juliano, "atrasado" em 13 dias em relação ao calendário gregoriano. Por isso, o Natal é comemorado no país em 7 de janeiro e não em 25 de dezembro, como nos países católicos. Há muitos séculos, porém, não havia essa diferenciação, já que as cerimônias natalícias coincidiam mais ou menos com o solstício de inverno.

Na antiguidade, por exemplo, havia tradições relacionadas com a veneração pagã do Sol, que mais tarde se juntaram às do Natal. Os antepassados tinham por hábito relacionar o clima e as colheitas com fenômenos naturais da época natalícia.

Para preverem com mais exatidão como seria o novo ano, os camponeses recorriam aos espíritos, apesar da proibição da Igreja. A noite mais longa do ano era a mais propícia: segundo as crenças eslavas, era nessa época que os espíritos impuros se mostravam mais ativos e entravam mais facilmente em contato com os entes terrestres.

Era então que os antepassados pediam respostas a silvanos, duendes e espíritos caseiros, apesar de se dirigirem com fórmulas mágicas a Cristo, Nossa Senhora ou aos santos. Sobravam perguntas para todos os gostos: prosperidade, sorte, casamento e etc. O processo de adivinhação também variava muito, desde a decifragem de sonhos à magia negra com sacrifícios de animais em encruzilhadas.

As donzelas, que geralmente queriam tinham dúvidas sobre futuros noivos, eram as que demonstravam maior criatividade. Afinal, as festas natalícias punham fim ao jejum de 40 dias, durante o qual os casamentos estavam proibidos; logo após o Natal, começava então “o período das bodas”.

Tradição cristã

Além de rituais pagãos, o Natal hoje é rico também em celebrações cristãs. Uma delas é jejuar na véspera até o aparecimento da primeira estrela no céu, em referência à estrela de Belém, que revelou o nascimento de Jesus Cristo. A comida da ceia deve ser muito simples  –uma pitada de papas de painço e “sótchivo”, com grãos cozidos de trigo ou arroz.

Na véspera do Natal também é habitual dar esmola. Trata-se de um costume muito antigo, seguido desde a época dos tsares por pessoas de todos os estratos sociais.

Nos séculos 16 e 17, por exemplo, os tsares visitavam prisões e asilos, distribuindo dinheiro pessoalmente. Mendigos e inválidos de Moscou inteira se unicam em áreas adjacentes, pois sabiam que o tsar iria passar pelas ruas espalhando moedas.

Já as liturgias cristãs ortodoxas, começam na noite da véspera e terminam na manhã de Natal. A partir de então, começam os festejos: as mesas, em volta das quais se juntam famílias e convidados, se enchem de iguarias.

Durante todo o dia de Natal entram visitas que ninguém convidou – intérpretes de músicas natalícias, que são sempre bem recebidos. Em troca do momento de felicidade, os donos das casas geralmente oferecem dinheiro ou bolos caseiros.

Na época imperail, até Piotr, o Grande, andava pelas casas dos boiardos e dos mercadores, fazendo-se acompanhar de cantores que glorificavam Jesus.

E assim se estendem os 12 dias de festejos natalícios, chamados de “sviatki” – ou Dias Santos –, que se prolongam até a seguinte festa cristã, a do Batismo de Cristo.

Superstições russas de Natal:

Geada no Natal – boa colheita de cereais.

Nevasca na véspera – folhagem precoce.

Natal sem frio – primavera gelada.

Nevasca perto do Natal faz crescer os enxames.

Céu estrelado – ervilhas na horta.

Neve para os trenós – colheita abundante de trigo-sarraceno.

Dias santos nublados (do Natal ao Batismo de Cristo, ou seja, de 7 a 19 de janeiro) – boas vacas leiteiras; se os dias forem claros – boas galinhas poedeiras.

 

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