6 embaixadas estrangeiras que são verdadeiras joias arquitetônicas em Moscou

Legion Media
Todo mundo conhece a Casa Igumnov, residência de longa data do embaixador francês, lembrada por seus tijolos vermelhos, e a Casa Spasso, de cor amarelo-limão, com colunas imponentes e ligada aos EUA. Mas trouxemos aqui outros edifícios que não podem faltar em seu itinerário, como o da embaixada do Brasil.

1. Embaixada do Brasil

Este enorme casarão decorado com mosaicos coloridos abriga a embaixada do Brasil e fica localizada no centro de Moscou, na rua Bolsháia Nikítskaia. Antes da Revolução Russa, ele pertencia a Anna Lopatina, que tinha uma empresa de fornecimento de frutos do mar para Moscou. Além do apartamento dos proprietários, o edifício tinha apartamentos alugados, assim como armazéns e escritórios administrativos no térreo.

O prédio foi projetado pelo arquiteto Aleksandr Kamínski, genro do mecenas das artes Pável Tretiakov. Kamínski decorou a fachada da Mansão Lopatina com um ornamento feito de tijolinhos multicoloridos e cerâmicas semelhantes a um ponto de cruz, enquanto o desenho das janelas em arco foi inspirado pelas de câmaras boiardas.

O terceiro andar foi construído na década de 1920, quando a mansão foi repassada às autoridades soviéticas e transformada em um conjunto residencial. Desde 1963, o local abriga a representação do Itamaraty em Moscou.

2. Embaixada da Islândia

As relações diplomáticas oficiais entre a Islândia e a União Soviética foram estabelecidas em meio à Segunda Guerra Mundial, em 1943. Um ano depois, a Islândia abria sua embaixada, no coração de Moscou, na travessa Khlebni Pereulok, 28. Antes disso, entre 1935 e 1941, o local foi a residência oficial do adido militar alemão Ernst August Köstring, que participou das históricas negociações do Pacto Môlotov-Ribbentrop, em 1939.

Originalmente construído em 1815, o edifício térreo tornou-se símbolo do estilo imperial na arquitetura, com ornamentos exclusivos e uma riqueza de detalhes decorativos. O prédio, comprido e luxuoso, possui um terraço de inverno e um pequeno jardim. Ele já foi a residência de Aleksêi Verstovski, amigo de Aleksandr Púchkin e cuja ópera “O túmulo de Askold” foi a primeira ópera russa apresentada nos Estados Unidos.

3. Embaixada da Nova Zelândia

A elegante mansão que fica na esquina da Skariatinski Pereulok com a Ulitsa Povarskaia, número 44, é uma visão imperdível. À primeira vista, fica claro por que o projeto do proeminente arquiteto russo Lev Kekushev foi considerado um dos mais belos exemplares de art nouveau de Moscou.

Ele tem todos os traços característicos de um estilo refinado, com assimetria de formas para criar uma forma fora do comum no edifício, janelas tripartidas Wyatt que garantem muita luz natural e um uso generoso de símbolos, decorações e ornamentos de leões.

O edifício foi construído por volta do ano de 1904 e, aparentemente, custou uma fortuna. Não é à toa que el levou cinco anos para encontrar um comprador. Ivan Mindovski, um comerciante afluente e coproprietário da manufatura de papel e linho do Volga, mudou-se para o edifício em 1909 e ali viveu até sua morte, em 1912.

Após a Revolução Russa, o prédio foi estatizado. Em 1924, ano da morte de Vladímir Lênin, ele se tornou o lar da missão diplomática sueca.

A partir de 1973, porém, ele passou a ser sede da embaixada da Nova Zelândia. A mulher de John Larkindale, embaixador neozelandês na Rússia entre 1996 e 1999, ficou tão impressionada com o estilo grandioso do edifício que escreveu um livro sobre sua história.

No ano passado, a embaixada passou por uma grande reforma e Aurora, a deusa do amanhecer, ressurgiu na fachada sul.

4. Embaixada do Chile

Houve momentos em que a URSS e o Chile trocavam farpas. Os laços diplomáticos plenos foram estabelecidos em 1944, mas foram cortados apenas três anos depois. Restauradas em 1964, as relações formais foram interrompidas novamente após o golpe militar de 1973 no Chile.

Foi somente no ano de 1990 que Moscou e Santiago finalmente entraram em acordo. A partir daí, uma casa histórica em Denejni pereulok, número 7 — logo atrás do icônico prédio do Ministério das Relações Exteriores, construído na era Stálin —, passou a ser o lar dos diplomatas chilenos no país.

Esta maravilha art nouveau foi construída por volta do ano de 1912 e faz parte do patrimônio cultural de Moscou. Ela foi projetada pelo arquiteto polonês Adolf Seligson, que estudou em São Petersburgo e mudou-se para Moscou depois de passar um ano em Paris, onde o estilo art nouveau estava na moda.

O prédio de dois andares pertencia inicialmente a Herman Broido, um empresário que comprava regularmente propriedades para construir e alugar apartamentos. Ele encontrou um comprador antes mesmo de a construção do prédio ser concluída: o senhor Viktorin Burdakov, proprietário de diversas empresas de mineração de ouro e platina, que comprou o palácio de vinte enormes cômodos e mudou-se imediatamente.

5. Embaixada da Argentina

Esta é uma história antiga, já que as relações diplomáticas entre a Rússia e a Argentina foram estabelecidas ainda em 1885. Uma joia arquitetônica, o edifício de “estilo império”, na Ulitsa Bolshaia Ordinka, número 72, foi erigido em 1823. Ele foi criado para ser a nova casa de Nadêjda Lobânova, mulher de um comerciante que ali viveu por quase 15 anos.

Em 1859, novos proprietários passaram a viver ali: os irmãos Aleksei e Nikolai Pugovkin. Os dois comerciantes decidiram agir imediatamente e reformar o prédio. O resultado foi um estilo verdadeiramente eclético!

Em 1907, outro comerciante, Aleksandr Kulechov, comprou a mansão. Mas, antes de se tornar o endereço permanente da Argentina na Rússia, o antigo prédio abrigaria ainda a Embaixada de Ruanda.

Em 2020, quase duzentos anos depois de ter sido construído, o exterior do edifício ainda mantém seu charme de “estilo império”.

6. Embaixada austríaca

Situada bem no coração da cidade antiga, no cruzamento da Ulitsa Starokoniuchenni com a Pretchistenski, esta embaixada é uma joia arquitetônica de encher os olhos! O edifício tem uma cúpula e colunas, e mistura estilos novos e antigos — uma reminiscência das casas de famílias nobres descritas nos romances de Lev Tolstói.

Projetado e construído pelo arquiteto neoclássico Nikita Lazarev, em 1906, este palácio centenário é mais conhecido como a Casa Nikolai Mindovski (o pai de Nikolai, Ivan Mindovski, tinha três mansões em Moscou, contando as supracitadas). Nikolai viveu ali até a Revolução liderada por Lênin, em 1917.

Na década de 1920, a mansão se tornou um cartório de registro civil. Foi ali que o poeta Serguêi Iessênin se casou com a dançarina norte-americana Isadora Duncan e o escritor Mikhaíl Bulgákov, com a segunda mulher, Liubov Belozerskaia, em 1925.

Em 1927, o prédio foi alugado para a Embaixada da Áustria. A partir de 1938, ele passou a abrigar a embaixada alemã. Reza a lenda que o Pacto Môlotov-Ribbentrop teria sido assinado neste mesmo edifício, em 1939.

O palácio acolheu vários convidados “vip”. Em 1944, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill pernoitou na Casa Mindovski (ele estava em Moscou para realizar negociações com Stálin).

Após a morte de Stálin, em 1955, o prédio sediou negociações sobre o Tratado do Estado Austríaco. Depois, ele se tornou a embaixada da Áustria independente — pela segunda vez.

LEIA TAMBÉM: As várias faces dos vitrais soviéticos

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Mais reportagens e vídeos interessantes na nossa página no Facebook.
Leia mais

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies