Quase do tamanho de Sergipe, Alagoas e DF juntos, pântano russo continua a crescer (FOTOS)

Serguei Fomine/Global Look Press
Os moradores locais chamam esse pântano gigante na Rússia central carinhosamente de “maravilha do mundo” e fizeram dele um local de interesse. Mas a realidade é que ele é um perigo letal!

Os cientistas acreditam que os pântanos de Vassiugán surgiram há 10 mil anos. Antes disso, havia 19 pântanos separados, mas eles pouco a pouco se uniram em um só que, como um deserto, não para de aumentar desde então.

A velocidade do aumento pode ser precisada da seguinte maneira: 75% da área hoje é resultado da expansão nos últimos 500 anos. Ninguém planeja interromper este processo: muito pelo contrário, o pântano e seu “direito de se expandir” são protegidos pelo governo.

Há planos para dar ao pântano status de Patrimônio Mundial da UNESCO (ele está hoje lista de indicados). Isto porque o pântano é muito importante para o planeta. O pântano é uma enorme fonte de água doce e seu território conta com mais de 800 mil lagos. O mais importante, porém, é que ele funciona como uma "geladeira gigante" da Terra.

A turfa do pântano, como uma esponja, absorve substâncias tóxicas e carbono da atmosfera, retardando o aquecimento global e jogando oxigênio no ar.

Não há pessoas vivendo nos pântanos de Vassiugán. Só se pode passear por ali em um veículo blindado, caso contrário, o atolamento é certeiro – apesar de haver quem arrisque a vida para caçar por ali. O pântano é considerado um ambiente extremamente agressivo.

No século 19, alguns “velhos crentes” perseguidos se refugiaram ali. Na Rússia Imperial, em 1882, a Sociedade Geográfica Russa encomendou uma expedição para descobrir se havia pessoas “que tinham construído ali vilarejos, criados terras aráveis e gado e viviam escondidas entregando-se a seu fanatismo religioso”. O relatório confirmou ali a presença de 726 indivíduos, entre elas, crianças pequenas.

Hoje, a maior ameaça ao pântano é a indústria do petróleo e do gás: há um bilhão de toneladas de turfa ali. Em 1949, encontrou-se petróleo na parte ocidental do pântano. Sua extração teve consequências.

Outro perigo vem dos veículos lançadores de foguetes de segundo estágio que partem do Cosmódromo de Baikonur: eles caem no pântano e o poluem com dimetil-hidrazina assimétrica não queimada, um combustível de foguete altamente tóxico e radioativo. A dose letal de dimetil-hidrazina assimétrica para humanos é de 1 micrograma por litro de água.

Para a cidade de Tomsk, em cuja região se situa grande parte dos pântanos, eles são um símbolo local, como o é o vulcão Kliutchevskaia Sopka para o Kamtchátka. Eles foram até mesmo apelidados de “maravilha do mundo” - em um esforço para atrair turistas.

Mas como tudo isto é estranho demais, há quem não se cale quanto aos perigos: “Se você decidir ir até lá, leve muita água potável, porque a água local vai te deixar verde e te cobrir de manchas. Se for entre maio e agosto, coloque muito spray contra mosquitos e vespas e roupas especiais anti-carrapatos. Leve também remédios, já que não existem farmácias ali, e contratar um helicóptero custa 100 mil rublos (US$ 1,5 mil) por hora. Boas férias'! No inverno, a temperatura pode cair a 50 graus Celsius negativos”, escreve a internauta de apelido “Iris” em um site de turismo local que convida os viajantes mais corajosos a visitar os pântanos de Vassiugán.

LEIA TAMBÉM: 8 recordes geográficos que tornam a Rússia imbatível

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Mais reportagens e vídeos interessantes na nossa página no Facebook.
Leia mais

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies