Contra ressaca, russos apostam em soluções caseiras

Tradições locais ajudam a curar ressaca após festas

Tradições locais ajudam a curar ressaca após festas

Getty Images / Fotobank
Dicas caseiras incluem banhos, sopas e drinques à base de iogurte e até uma nova rodada.

À parte de estereótipos, não se pode negar que o consumo de bebidas alcoólicas – entre elas a vodca – é uma prática comum entre os russos, especialmente em épocas de festa. Não é à toa que as práticas para curar a ressaca também são bastante difundidas no país.

Na Sibéria, por exemplo, costuma-se ir à bânia (típica sauna russa) ou tomar uma ducha fria. Ambos são métodos eficazes, embora envolvam riscos: em caso de predisposição para doenças cardiovasculares, a pessoa pode ter um derrame ou ataque cardíaco.

Entre as formas mais brandas de curar o mal estar pós-bebedeira estão a salmoura de pepinos em conserva (picles) ou do chucrute, o que ajuda a normalizar o equilíbrio entre água e sal no corpo.

Para o mesmo efeito, pode-se também beber kumis (leite de égua acidificado e fermentado), ayran (iogurte de ovelha e água), tan (bebida de iogurte), iogurte ou kvass caseiro (bebida fermentada de pão).

Os beberrões mais experientes aconselham ainda a tomar um khash (sopa típica da Armênia) para desintoxicar o corpo pela manhã. No entanto, como o seu preparo leva de cinco a seis horas, vale seguir outra dica: substitua-a por um caldo gorduroso bem espesso ou qualquer sopa gorda.

Já aqueles que não comem alimentos com gordura ou têm receio do excesso de colesterol, aconselha-se, então, um remédio universal: não beber nas festas.

Mais é menos

Diz a sabedoria popular que “O que é bom para o russo à noite é ruim para ele de manhã”. No entanto, isso nem sempre vale para aquela poderosa ressaca matinal.

A maneira mais óbvia – e praticada no país – de tratar a ressaca ainda é Similia similibus curentur, isto é, “semelhante pelo semelhante se cura”, nas palavras de Paracelso, homeopata do século 16. É por isso que os mais experientes bebem cerveja ou vodca logo pela manhã.

Begemot the cat Foto: Elena Martynyuk / Bulgakov museumBegemo, o gato Foto: Elena Martiniuk /Museu Bulgakov

O famoso romance “O Mestre e Margarita”, de Mikhail Bulgakov, descreve, inclusive, o café da manhã ideal para quem está de ressaca:

“Em uma pequena mesa foi servida uma bandeja na qual havia uma fatia de pão branco, caviar prensado em uma tigelinha, cogumelos brancos marinados em um pratinho, qualquer coisa dentro da panelinha e, finalmente, vodca no volumoso decanter. Stiopa ficou particularmente impressionado com o fato de a garrafa ficar embaçada do frio. No entanto, dava para entender perfeitamente – ela havia sido colocada em uma bacia cheia de gelo.”

É importante, entretanto, não cruzar a linha, pois da ressaca para a bebedeira é apenas um passo. Se beber mais do que o necessário, a vontade de beber virá de novo. E assim será no segundo dia, no terceiro...

Bebida, barraco e bode

O que não falta na história da Rússia são pessoas que sofrem de dipsomania (impulso ininterrupto e irresistível de ingerir bebidas alcoólicas).

As crises de bebedeira do grande compositor Modest Mussorgsky interferiam, por exemplo, na sua capacidade de compor.

Já o famoso poeta Serguêi Iessenin, ficava extremamente agressivo quando bebia e podia até dar com uma garrafa na cabeça de alguém.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.