Quando Fidel Castro afundou um navio americano na Praia de Girón montado em um tanque russo

Fidel Castro Ruz, Soldado das Ideias/youtube.com
Pequena praia na margem oriental da Baía dos Porcos, em Cuba, tornou-se palco de lutas ferozes em abril de 1961, após a invasão de cubanos exilados apoiados pelos EUA. Por horas a fio, tanques soviéticos tiveram papel crucial na história cubana.

A invasão de 1.500 exilados cubanos, patrocinados pelo governo dos Estados Unidos e treinados pela CIA, foi esmagada pelas forças do governo de Fidel Castro. O plano era desembarcar, resguardar a área, tomar um aeroporto e introduzir um “governo no exílio” que pediria o apoio de Washington para justificar uma intervenção dos EUA.

Cuba contava com velhos tanques Sherman norte-americanos para lidar com a invasão, mas também empregou alguns dos lendários tanques soviéticos T-34 que haviam contribuído de maneira tão proeminente para derrotar a Alemanha nazista – desta vez, os veículos enfrentaram os homens enviados pelo presidente Kennedy. 

Como os tanques chegaram a Cuba?

Na visita de Raul Castro à Rússia em julho de 1960, o cubano recebeu a informação de que o país latino-americano receberia tanques T-34/85, um modelo de 1946. Em outubro daquele mesmo ano, desembarcaram em Havana os primeiros blindados a bordo do cargueiro Iliá Mietrikhov, comandado pelo capitão Adolf Matiukhin. Dois meses depois, quase 100 exemplares já haviam sido entregues – além de alguns Ióssif Stálin-2 (que nunca entraram em ação) e 41 caça-tanques SU-100 da versão M.

Cargueiro soviético em Cuba

Foram selecionadas 25 pessoas entre as melhores dos cursos ministrados nos tanques americanos herdados da ditadura e iniciou-se então sua adaptação ao T-34M na base de Manágua, com instrutores soviéticos. O primeiro curso terminou em fevereiro. Os novos tanquistas foram espalhados pelos lugares mais delicados da ilha do Caribe.

De acordo com o blog 5 de septiembre, a primeira Declaração de Havana, feita em 2 de setembro de 1960, afirmava que “o povo de Cuba reunido na Assembleia Geral Nacional declara que, se a ilha de Cuba for invadida por forças militares imperialistas, Cuba aceitará ajuda das armas da URSS”. Os tanques e as equipes estavam prontos.

Fidel afunda navio americano com tiros de canhão

As fotos de Fidel e Che Guevara organizando a defesa das praias cubanas contra a invasão dos EUA em abril de 1961 estamparam jornais do mundo inteiro. No site fidelcastro.cu, o tenente Néstor López Cuba recorda o momento em que Fidel Castro entrou em ação no lombo de um blindado soviético. Entre as embarcações de desembarque e outros navios, estava o navio da classe Liberty “Houston”, de 8.000 toneladas, o qual, supunha-se, transportava grandes quantidades de material aos invasores. “Ele não queria atirar, porque dali vinha a logística da brigada de mercenários. ‘Há muito lá, temos que saber o que traz esse navio’, disse Fidel.”.

Houve tanta insistência para que o navio fosse atacado, que Fidel, segundo López Cuba, disse: “Bem, vamos lá, prepare um tanque”. Um T-34 e um SU-100 foram disponibilizados ao líder revolucionário. Embora Fidel tenha avançado no T-34, de acordo com a imprensa oficial cubana, ele atirou contra o Houston a partir do Su-100, deixando-o em chamas logo após o disparo. De acordo com outras versões, o navio havia sido seriamente danificado por aviões Sea Fury cubanos. 

Quais tanques soviéticos foram usados ​​contra as tropas da CIA?

T-34

Fidel Castro, Soldado das Ideas/youtube.com

O T-34 é um tanque médio de fabricação soviética que foi produzido entre 1940 e 1958. Graças à sua blindagem, poder de fogo e fabricação simples, tornou-se o tanque mais produzido do mundo. Na segunda metade do século 20, o T-34 foi usado nos conflitos que se seguiram até a década de 1990 (na Iugoslávia). Uma das fotos mais lembradas de Girón é aquela em que Fidel salta de um desses tanques. Em Cuba, o modelo teve sua torre adaptada, e eles se tornaram parte da artilharia autopropulsada.

SU-100

Um dos melhores caça-tanques da Segunda Guerra Mundial (utilizado no último ano do conflito), era capaz de penetrar 125 mm de carcaça vertical a uma distância de 2.000 metros. Usado ​​por décadas em várias guerras por todo o planeta, eles aparentemente continuavam operando no Exército Popular do Vietnã em 2006. Em Cuba, segundo as poucas informações existentes, o modelo permaneceu em serviço até os anos 1980. Estima-se que cerca de 15 foram usados para fortificações costeiras, e outros foram afundados no mar para servir de recifes artificiais e atração turística.

Su-100 usado por Castro para bombardear o “Houston”, exposto em Havana

O capitão Matiukhin, marinheiro que levou os primeiros tanques soviéticos para Cuba, lembraria anos depois: “Sempre vou guardar na memória uma das missões de solidariedade mais importantes de minha longa carreira como marinheiro: a oportunidade memorável de levar a Cuba, naquele verão de 1960, os tanques que, nas mãos dos heroicos filhos da ilha, contribuíram para infligir ao império norte-americano essa derrota militar e política sem precedentes”.

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