Os 3 governantes mais belicosos da Rússia

Cena do filme “Tsárskaia nevesta” (1965, em tradução livre, “A noiva do tsar”), em que Piotr Glebov fez o papel do tsar Ivan, o Terrível.

Cena do filme “Tsárskaia nevesta” (1965, em tradução livre, “A noiva do tsar”), em que Piotr Glebov fez o papel do tsar Ivan, o Terrível.

Sputnik
Em sua longa história, a Rússia liderou muitas guerras. Listamos aqui os três líderes mais belicosos do país, que amavam lutar ou se viram simplesmente forçados a fazê-lo.

1. Sviatoslav 1° (942-972)

Lema: “Venho até você!”

Sviatoslav passou todo seu reinado em constante guerra com os vizinhos da Rus’.

“Ele não carregava em suas expedições carroças ou tachos... Ele não tinha sequer uma tenda e, ao invés disso, estendia uma manta de cavalo sob o corpo e colocava a sela sob a cabeça, e toda sua comitiva fazia o mesmo.”

É assim que a primeira crônica do Leste Eslavo descrevia Sviatoslav (também grafado em português como Esvetoslau 1° de Quieve), guerreiro “a la Esparta” do século 10 que ocupava o trono da antiga Rus.

Sviatoslav passou todo seu reinado em guerra com os vizinhos da Rus. Ele foi o último governante pagão do antigo Estado russo. Ele não quis se converter ao cristianismo, temendo perder a sujeição de seus guerreiros.

Diz-se que no decorrer do seu governo ele tentou esculpir com sua espada o maior Estado da Europa.

Ele derrotou um poderoso poder na região, o Canato Cazar, que controlava a parte inferior da rota comercial do rio Volga. Sviatoslav subjugou algumas tribos eslavas orientais e aniquilou os alanos, povo de origem iraniana no Cáucaso, e os protobúlgaros do Volga.

Ele também derrotou os búlgaros no oeste e, diz-se, queria transferir a capital de Kiev para o Danúbio.

Mas suas vitórias sobre os búlgaros desagradaram o Império Bizantino, seu vizinho, e Constantinopla enviou tropas contra o beligerante príncipe eslavo.

Ele foi forçado a se retirar e, no caminho de volta a Kiev, caiu em uma emboscada de uma tribo nômade. Há suspeitas de que os nômades não fizeram isso sozinhos, mas sim com ajuda dos bizantinos.

Sviatoslav foi morto na batalha e o chefe da tribo, segundo a crônica antiga, fez de seu crânio uma taça.

2. Ivan, o Terrível (1530-1584)

Lema: "O líder do nosso exército é Deus, não um ser humano"

Ivan 4°, também conhecido como Ivan, o Terrível, foi um governante cruel e que não desistia de cumprir seus planos tanto em questões de paz, como de guerra. Isto é patente já em sua primeira campanha, contra o canato de Kazan, em 1547. Os dois canatos - de Kazan e Astrakhan - eram o que restava do outrora poderoso Estado mongol (a chamada Horda Dourada), que governou vastas áreas da Rússia por mais de dois séculos.

Exceto pela necessidade prática de evitar os ataques dos canatos em terras russas, a campanha tinha uma dimensão simbólica: cortar completamente a antiga dependência e demonstrar o novo status de Moscou.

“A vitória nessas guerras exigiu enormes esforços e sacrifícios. É suficiente dizer que a captura de Kazan precisou de três campanhas de grandes dimensões, que envolveram a maioria das forças armadas russas”, explica o historiador russo Vitáli Penskoi (em russo).

Depois de expandir e esvaziar as fronteiras orientais que trilharam o caminho para ampliar o território da Rússia à Sibéria, Ivan voltou sua atenção para o sul e o oeste.

Os tártaros da Crimeia invadiam e saqueavam frequentemente as terras russas, chegando por vezes até Moscou. Em 1571, o cã da Crimeia incendiou a cidade.

Mas este foi seu ápice: no ano seguinte, seu exército, com 120 mil homens, foi aniquilado por contingente muito menor liderado por Ivan, o Terrível. Apenas 10.000 guerreiros da Crimeia conseguiram retornar para casa. O problema dos ataques da Crimeia foi resolvido.

Mas não foi o mesmo que aconteceu com os inimigos de Ivan a oeste. Com o objetivo de obter acesso às rotas comerciais do Mar Báltico, o tsar declarou guerra à Ordem da Livônia, que habitava área que hoje pertence aos Países Bálticos.

“Nos primeiros 20 anos de guerra (ela durou um quarto de século), Ivan, o Terrível, tomou a dianteira, apossando-se de parte significativa da Livônia, exceto suas duas maiores cidades, Reval (hoje, Tallinn, capital da Estônia) e Riga (capital da atual Letônia)”, conta Penskoi.

Mas depois ele perdeu tudo. “Moscou carecia de recursos para realizar guerras simultâneas e ser bem-sucedida em duas frentes, ou seja, no sul e no oeste”, explica Penskoi.

No entanto, a Guerra da Livônia teve importância secundária para Ivan. Sua batalha principal foi contra os tártaros de Kazan, Astrakhan e Crimeia, e ele venceu.

3. Catarina, a Grande (1729-1796)

Lema: "Enquanto eu viver, defenderei minha terra natal com a pena e a espada”

Alemã étnica, Catarina 2°, também conhecida como Catarina, a Grande, conseguiu mais conquistas para o Estado russo do que a maioria dos governantes que eram russos étnicos.

Seu reinado, que durou 40 anos na segunda parte do século 18, foi marcado por muitas guerras, todas elas, vitoriosas. No governo de Catarina, a Rússia lutou com quase todos os vizinhos - em certos casos, várias vezes.

A Rússia de Catarina desafiou duas vezes a Turquia e tomou como troféu a Crimeia e o norte da região do Mar Negro - a última, constituindo hoje grande parte do território ucraniano.

Diversas guerras que ela travou contra a Polônia levaram a Rússia a tomar controle das regiões ocidentais do território que hoje compõe a Bielorrússia e a Ucrânia.

Catarina também derrotou a Suécia e a Pérsia. Por vezes, a Rússia conduzia duas guerras simultaneamente em diferentes fronteiras.

Catarina também conseguiu derrotar a maior rebelião da Rússia Imperial, o motim de Pugatchov (em português, também transliterado como “Pugatchev” e “Pugachev”).

Como escreveu um dos principais historiadores russos do período oitocentista, Serguêi Soloviov, ao promover o desenvolvimento do Estado Russo, Catarina “seguiu de perto as pegadas de Pedro, o Grande, de quem também tirou a alcunha ‘Grande’”.

O historiador contemporâneo Nikolai Pavlenko leva a comparação ainda mais além, afirmando que “enquanto Pedro, o Grande, obteve o acesso ao Mar Báltico e criou a frota do Mar Báltico, Catarina se estabeleceu nas margens do Mar Negro, criou uma poderosa frota do Mar Negro e anexou a Crimeia à Rússia. Pedro transformou as margens do Leste Europeu em um império, enquanto Catarina jogou um pouco de brilho neste império, expandiu suas fronteiras e fortaleceu seu poder”.

Leia aqui: De calendários a batatas: 5 legados de Pedro, o Grande, para a Rússia!

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