Caçada real, do diário do tsar à história do passatempo

Apesar de considerada um privilégio da realeza por muitos anos, a caça na Rússia tem uma história mais rica do que na maioria dos países – tanto em variedade como em escala.

Vários membros da família Romanov ficaram conhecidos pelo apreço a caça. Desde o reinado do tsar Aleksêi Mikhailovich (pai de Pedro, o Grande), príncipes e grão-duques saíam regularmente para caçar com aves de rapina. Falcões eram capturados para a corte real por caçadores especiais.

Esse tipo de caça na Rus Kievana não era apenas um esporte, mas também um meio de construir relações; os falcões eram enviados como presentes aos Estados vizinhos.

A caça com cães se espalhou sob a servidão. Aleksandr 2º era conhecido por sua proeza e dedicação à caça, ensinando a prática aos filhos desde que eram pequenos.

Seu filho Aleksandr 3º participou de caças de ursos ainda garoto. Casado, jamais perdeu uma oportunidade de uma grande caçada. Até mesmo sua mulher, a imperatriz Maria Feodorovna, se interessou pela paixão do marido.

Ela acompanhava alegremente o marido a lugares tão distantes como Spala e Skierniewice, na atual Polônia, onde caçadas eram organizadas para o imperador e sua família. O casal imperial também fazia frequentes excursões de caça nas montanhas da Crimeia, não muito longe da residência real em Livadia.

Confiante e graciosa sobre a sela, Maria gostava de caçar veados montada a cavalo e com a ajuda de cães de caça.

Aleksandr 3º e Maria eram também fascinados por armas de fogo. Em 9 de maio de 1887, fizeram uma visita à fábrica de armas de Tula, onde cada um deles foi presenteado com um fuzil Berdan II.

Nikolai 2º compartilhava o amor do pai pelo passatempo. Seus diários registram as caças diárias de veados, lebres e cabras.

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“Voltamos para casa com uma pequena captura: um cervo e várias cabras”.

“Havia apenas três cercados. A matança consistiu de um grande javali, três cabras e um monte de lebres. Minha parte foi um bode e duas lebres.”

Mas, às vezes, os imperadores tinham pouca sorte e voltavam de mãos vazias: “Às 7h30, mamãe partiu em uma caçada particular, enquanto viajávamos para os cafundós com nada para mostrar em nosso retorno”.

“Almoçamos com Vladimir, que se divertiu muito com o nosso fracasso. Sentimos tanto vergonha, como se fôssemos arrastados pela lama, uma vez que tinha ensacado apenas uma única lebre.”

Poucos tempo depois dessa caçada, em 1898, o recém-formado Congresso de Caçadores de Toda a Rússia proibiu a caça de predadores durante o ano todo: raposa comum, raposa do Ártico e arminho. Além disso, a caça de zibelina foi proibida, bem como estabelecidas reservas para a espécie.

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