Como Diego Rivera trabalhou tanto para Stálin quanto para a família Rockefeller

Getty Images; Public Domain
Artista mexicano nunca teve medo de expressar sua opinião ou confrontar pessoas altas e poderosas, incluindo membros da família Rockefeller e da liderança soviética.

Durante muito tempo, o artista e muralista mexicano Diego Rivera foi considerado um amigo de honra da União Soviética. Um comunista dedicado, Rivera visitou a URSS várias vezes e fez uma série de desenhos do povo soviético – até se ofereceu para pintar um retrato de Stálin. 

No entanto, a proposta nunca se materializou. O artista mexicano não tinha medo de expressar sua opinião e criticava muito algumas questões da arte socialista soviética.

Diego Rivera comandando procissão de funeral  do líder cubano assassinado Julio Antonio Mella, em 1929

Rivera se decepcionava com o fato de que os artistas soviéticos modernos ignoravam as tradições de artesanato popular camponês russo. “Olhe para a sua pintura de ícones, bordados maravilhosos e caixas envernizadas, entalhes de madeira e couro, brinquedos. A grande herança que você desconhecem e não usam”, disse, certa vez.

Diego Rivera comandando procissão de funeral  do líder cubano assassinado Julio Antonio Mella, em 1929

Essa posição era inaceitável entre os círculos de arte soviéticos, onde Rivera fez muitos inimigos. No entanto, a principal razão pela qual o artista mexicano se tornou uma persona non grata na URSS foi a política.

Em meio ao conflito entre dois proeminentes líderes soviéticos – Stálin e Trótski – Rivera apoiou o último. O artista até abrigou Trótski no México depois de se exilar da União Soviética.

Trótski e sua mulher Natália Sedova em encontro com Diego Rivera no México, 1937

A ruptura com a Rússia de Stálin não significou, porém, uma ruptura com o comunismo. Rivera continuou a promover ideais socialistas, mesmo enquanto trabalhava para os Rockefellers no início dos anos 1930.

Abby Aldrich Rockefeller era grande fã de sua criatividade, e os magnatas americanos contrataram-no para pintar um enorme afresco em seu arranha-céu em Nova York.

Os Rockefellers imaginavam o artista como uma transição, olhando para o futuro e, ao mesmo tempo, enraizado no passado, uma mistura de incerteza e esperança – mas, em última análise, optando por buscar um futuro novo e mais otimista.

Hugh Curry e Diego Rivera pintando mural em 1933

Rivera respondeu o chamado à sua maneira. Em seu afresco O Homem na Encruzilhada, uma pessoa fica entre o mundo capitalista das guerras, da crueldade e do pecado, e o novo mundo promissor do socialismo, do trabalho e da fraternidade.

Recriação de O Homem na Encruzilhada, com adição de Trótski, Karl Marx e Friedrich Engels

Os Rockefeller estavam ainda dispostos a aceitar a obra, exceto pela inclusão de Lênin. Apesar dos inúmeros pedidos de Nelson Rockefeller para substituí-lo por uma imagem de uma “pessoa desconhecida”, Rivera se ateve à ideia e negou.

Os Rockefellers decidiram apagar o afresco. Mais tarde, Rivera o recriou no México, renomeando como Homem Controlador do Universo, e acrescentando as imagens de Trótski, Karl Marx e Friedrich Engels, que não estavam presentes no original.

Recriação de O Homem na Encruzilhada, com adição de Trótski, Karl Marx e Friedrich Engels

Pouco antes de sua morte, Rivera fez as pazes com a liderança soviética e visitou a URSS pela última vez. 

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