Kombi soviética completa 60 anos e ganha versão de aniversário; veja fotos

UAZ
A União Soviética criou sua própria versão da Kombi: lançada há 60 anos, a Buhanka ainda é objeto de desejo de russos e estrangeiros, leva turistas ao Vesúvio e ao Etna, é vertida em trailer e inspira japoneses.

Era o ano de 1958 na pequena cidade de Ulianovsk, a 700 quilômetros de Moscou, à beira do rio Volga, quando a esteira de produção da fábrica de carros local soltou o off-road UAZ-450. Com uma carroceria alongada - como uma caixa com as pontas arredondadas -, ele lembrava uma enorme “buhanka” (o pão de forma preto russo). E foi assim que logo o chamaram os próprios desenvolvedores do automóvel.

Inicialmente, ele foi criado para suprir as necessidades do exército soviético: o automóvel era parte das preparações em grande escala para a guerra atômica, de cuja inevitabilidade  poucos duvidavam.

Buhanka usada para entrega de produtos industrializados.

Este poderia ser o automóvel ideal para a retirada de feridos e mortos. Mas, felizmente, não foi preciso. Tal guerra não ocorreu.

Mas a Buhanka se mostrou a melhor invenção para as duras condições dos rincões russos. Ela podia atravessar lugares onde sequer a aviação chegava. O off-road foi testado em areia, geadas e chuvas torrenciais, e já em 1959 foi firmado o primeiro contrato para fornecimento de 35 Buhankas para funcionaram como ambulâncias.

Os veículos foram levados à Sibéria, ao Extremo Norte russo e ao ponto mais gelado da Terra, a aldeia de Oimiakon, na Iakútia. Alguns furgões também foram enviados então para a Indonésia e a Síria.

Conserto à martelada e xingamentos

Avião ambulância recebe remédios trazidos por Buhanka para levar a pastos em áreas montanhosas.

A Buhanka se mostrou literalmente “indestrutível”. Ao mesmo tempo, é claro que ela em momento algum passou por um teste de segurança. E todos que andaram nela pelo menos uma vez na vida sabem: ela sacode tanto que é difícil não saltitar no banco. Mas há motivos para, digamos assim, reverenciá-la.

Criou-se todo um mito em volta da Buhanka. Por exemplo, que o automóvel pode estar com óleo vazando ou com a embreagem quebrada sem motivos aparente, mas isto não o impede de chegar com tranquilidade ao mecânico.

O UAZ-452 soviético é produzido desde 1965 pela fábrica de automóveis de Ulianovsk.

Ou então que é possível consertar qualquer mau funcionamento do carro batendo nele com um martelo ou gritando palavrões para ele.

Hoje, a Buhanka pode ser encontrada em qualquer cidade russa. Ela serve de carro de polícia, ambulância, resgate etc. Nos rincões ela é utilizada como automóvel rural e como lotação.

É também justamente a Buhanka que até hoje leva turistas aos vulcões Vesúvio e Etna. Na Itália a Buhanka é usada da mesma da mesma forma para se fazer trailers: seu tamanho permite colocar dentro dela chuveiro, banheiro, fogão, pia, frigobar e sofá. Aliás, pode-se comprar uma dessas lendas soviéticas hoje por cerca de 100 a 200 mil rublos (6.000 a 12.000 reais).

No Japão, o design da Buhanka ainda goza de grande popularidade. Seu conceito chegou até mesmo a ser copiado pela Honda para a picape T80. Os japoneses, por sua vez, dizem que a Buhanka lhes faz lembrar dos carros japoneses dos anos 1960.

Em 2018, este ícone automobilístico russo-soviético completa 60 anos. Por isso, sua fábrica lançou uma versão especial do veículo: um furgão branco e verde de 758 mil rublos (R$ 45.000) que ganhou aquecimento nos assentos da frente, antes inexistente, e novas maçanetas nas portas.

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