4 russas mundialmente famosas através dos tempos

Pintura de Gala por seu marido, Salvador Dalí.

Pintura de Gala por seu marido, Salvador Dalí.

Getty Images
O que uma escritora norte-americana, uma professora sueca, uma agente artística espanhola e uma psicanalista alemã têm em comum? Elas todas nasceram na Rússia, falavam russo e conheciam a cultura do país, mas deixaram a pátria antes de se tornarem mundialmente conhecidas por razões diversas.

1. Ayn Rand (Alisa Rosenbaum), escritora libertária e filósofa

Quem imaginaria que a filósofa norte-americana do século 20 autora de "A revolta de Atlas", era na verdade uma estudante de cinema russa que sonhava em chegar a Hollywood?

Alisa Rosenbaum, mais tarde conhecida como Ayn Rand, nasceu em São Petersburgo, em uma família judia, e de lá emigrou quando tinha 20 anos de idade.

O pai de Alisa era dono de uma farmácia, a qual foi nacionalizada após a Revolução Russa - o que claramente influenciou seus pontos de vista filosóficos posteriores.

Ela estudou na faculdade de cinema na URSS e, depois, matriculou-se em um estágio nos EUA.

Sua tia imigrou ainda antes da Revolução e concordou em hospedá-la por alguns meses. Para surpresa de todos, Alisa teve permissão de deixar o país e partir para o estágio - um caso raro na era soviética.

A jovem deixou a família e a pátria para seguir seu sonho. Ela queria fazer carreira em Hollywood e mudou de nome, virando Ayn Rand, mas a indústria cinematográfica não era seu destino.

Ayn Rand ganhou fama mundial depois de publicar os romances "The Fountainhead" e "A revolta de Atlas".

Odes apaixonadas à liberdade, à individualidade e a um egoísmo razoável, seus livros se tornaram reflexo da filosofia de Rand, que mais tarde teve uma grande influência sobre o movimento libertário dos EUA.

2. Gala Dali (Elena Diakonova), agente e musa de Salvador Dalí

Durante sua carreira artística, Salvador Dalí reconheceu que devia o sucesso, a fama e a glória a sua musa e agente, Gala Dalí: "Amo Gala mais que meu pai, mais que minha mãe, mais que Picasso. E ainda mais que dinheiro! Obrigado, Gala!"

Elena Diakonova nasceu em Kazan, filha de funcionário público, antes da família se mudar para Moscou. Em 1912, a jovem foi internada em uma casa de saúde em Clavadel, na Suíça, para ser tratada de tuberculose.

Lá, conheceu o jovem que viria a ser o grande poeta francês Paul Eluard. Logo os dois se casaram e se mudaram para a França. Alguns anos depois, porém, o pintor alemão vanguardista Max Ernst juntou-se à família e eles passaram a viver juntos. Foi nesta época que Elena começou a usar o pseudônimo Gala.

Em 1929, aos 35 anos de idade, Elena conheceu Salvador Dali, que tinha então 25, e se apaixonou pelo jovem e talentoso pintor.

Ela se tornou sua esposa, a única modelo para suas pinturas, sua agente e promotora. Incansável, Gala pagou críticos de jornais e percorreu por galerias para promover Dalí, reuniu um exército de fãs, falava o tempo todo sobre a genialidade de seu amado marido e obteve excelentes resultados.

Na década de 1930, as pinturas de Dalí eram vendidas meia hora após a abertura das exposições. O próprio artista começou a acreditar em sua genialidade e se tornou o pai do surrealismo.

  1. Lou Salome, uma das primeiras psicanalistas

Luiza Salomé é conhecida não apenas como escritora, filósofa e psicanalista, mas também como a femme fatale da sociedade europeia de seu tempo.

Dizia-se que ela enlouqueceu Nietzsche: depois do relacionamento entre os dois, o filósofo nunca se casou e terminou seus dias em um sanatório.

Salomé também é "culpada" pela paixão de Rainer Maria Rilke pela cultura russa. O escritor chegou a aprender o idioma, conhecer Lev Tolstói e escrever as porções mais belas de sua lírica "sob sua influência".

Escritora talentosa e cientista, esta mulher tinha um forte charme feminino, pelo qual os homens se apaixonavam, e influenciava suas ideias filosóficas e criativas.

Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Friedrich Nietzsche, 1882.

Salomé nasceu em São Petersburgo em uma família aristocrata de origem alemã. Após a morte do pai, Salomé se mudou para a Suíça para estudar na universidade (na Rússia, isto era proibido às mulheres naqueles tempos).

Na Europa, Salomé uniu-se a círculos intelectuais de elite, escreveu romances e poemas e realizou seus corajosos pontos de vista feministas em seu próprio estilo de vida.

Em 1911, Salomé conheceu Sigmund Freud e dedicou 25 anos de sua vida à psicanálise. Entre os livros que ela escreveu, o mais conhecido é "Erotismo".

Ela também publicou mais de 130 artigos sobre o assunto e praticou a psicanálise em Goettingen, na Alemanha.

4. Sofia Kovalevskaia, primeira professora universitária de matemática do mundo

Para seguir seus sonhos e fazer da matemática sua profissão, esta mulher foi forçada a contrair um casamento fictício. Mas isto não foi em vão: Sofia Kovalevskaia tornou-se a primeira professora de matemática do mundo!

Na Rússia, no final do século 19, as mulheres não podiam ingressar no ensino superior. Para continuar sua educação no exterior, uma mulher precisava de permissão por escrito dos pais. Kovalevskaia queria estudar matemática, mas seu pai era contra. A jovem então persuadiu um amigo da família, o biólogo Vladímir Kovalevski, a contrair um casamento fictício para que ela pudesse escapar da influência do pai. Ele concordou, e juntos eles colocaram o plano em prática.

O casal foi para Heidelberg, na Alemanha, onde Sofia estudou em uma universidade local. Depois disso, Kovalevskaia continuou a estudar matemática em Berlim.

Sofia Kovalevskaia defendeu sua tese de doutorado sobre a teoria das equações diferenciais com distinção. Ela se tornou a primeira mulher matemática na Rússia e a primeira professora universitária de matemática do mundo. Ela também foi uma talentosa escritora e romancista.

Após o suicídio do marido, Kovalevskaia mudou-se para Estocolmo, onde, com enorme facilidade, conseguiu um lugar na Universidade de Estocolmo. Lá ela se tornou professora do Departamento de Matemática da Universidade de Estocolmo, onde deu palestras em alemão e em sueco.

 

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