3 estrangeiros que mudaram o curso da história russa

Orfanato de Moscou (vista panorâmica em 10 partes), 1848. Benois, Philippe.

Orfanato de Moscou (vista panorâmica em 10 partes), 1848. Benois, Philippe.

Getty Images
Bastante conhecidos em sua terra natal, estes três estrangeiros imprimiram sua marca na Rússia entraram para os livros de história.

Bastante conhecidos em sua terra natal, estes três estrangeiros imprimiram sua marca na Rússia entraram para os  livros de história.

1. Patrick Gordon, mentor militar de Pedro, o Grande

Retrato do general Patrick Gordon. Artista desconhecido, século 18. Museu Estatal de História, Moscou.

Descendente de um dos clãs mais antigos da Escócia, Patrick Gordon foi convidado a se unir ao serviço militar russo em 1661, como reconhecimento por sua proeza em batalhas contra a Rússia na Guerra Russo-Polonesa.

Em 1687, Gordon já era general no exército russo. Mas foi sua amizade com Pedro, o Grande, que trouxe ainda mais fama a Gordon.

Em 1689, quando Pedro decidiu conter o poder de sua irmã mais velha, Sofia, Gordon servia comandado por Vassíli Golítsin, braço direito de Sofia.

Mas quando Pedro convocou todos os comandantes militares estrangeiros a apoiá-lo contra a irmã, Gordon, sem o consentimento de Golítsin, reuniu suas tropas e se juntou ao jovem tsar.

O Streltsi (Guarda Real da Rússia) estava relutante em se opor a Pedro porque os soldados de Gordon eram muito fortes. Assim, com a ajuda de Gordon, Pedro derrubou a irmã sem um grave derramamentos de sangue.

Quarenta anos mais velho que Pedro, Gordon era altamente respeitado pelo tsar. Ele foi o primeiro estrangeiro na história russa a quem o tsar russo fez uma visita particular - em 1690, quando Pedro, aos 18 anos, foi à casa de Gordon no Bairro Alemão de Moscou para conversar (e, provavelmente, tomar uma jarra de cerveja).

Gordon tornou-se o mentor de Pedro em assuntos militares. Ele treinou os soldados dos regimentos Preobrajênski e Semionovski, fundados por Pedro, e eles passaram a constituir as tropas mais experientes do exército da Rússia.

Gordon também introduziu exercícios militares regulares em artilharia, engenharia militar, fortificação de campo e formações militares.

Em 1694, ele planejou e realizou um grande exercício militar próximo à aldeia de Kojukhovo (hoje, parte de Moscou), que provou que os novos regimentos ao estilo europeu eram muito superiores em batalha.

Gordon, que morou na Rússia até a morte, em 1699, lançou as bases do novo exército russo, que logo se tornaria o mais forte da Europa e derrotaria a Suécia na Guerra do Norte, em 1721.

Ele também deixou um diário - uma fonte inestimável de história militar do século 17.

2. Catarina, a Grande, uma patriota russa da Alemanha

Retrato de Catarina II por Georg-Christoph Grooth, pintado por volta do ano de 1754. Museu Estatal Hermitage, São Petersburgo.

Princesa de um clã europeu nobre, Sophie de Anhalt-Zerbst, foi escolhida pela imperatriz russa Isabel para se tornar esposa de Karl Pedro Ulrich, sobrinho de Isabel e herdeiro do trono russo.

Para Sophie, a Rússia não parecia ter um futuro brilhante. Quando, em 1744, ela arrumou as malas, levou até uma jarra de cobre – já que não estava certa de que existissem jarras na “bárbara” Rússia.

Logo após o casamento, Sophie (Catarina, após o batismo) aprendeu que o marido preferia treinos militares que passar o tempo com ela.

Pedro também era indiferente a suas responsabilidades como imperador, o que irritava o tribunal e altos funcionários.

Catarina, ao contrário, começou a aprender a língua e a cultura russa, determinada a conhecer melhor o país.

Ela podia ser educada e delicada, mas não era um anjo - evidências sugerem que ela tenha planejado o assassinato do marido para chegar ao trono, em 1762.

Como estrangeira, Catarina tinha que agradar a nobreza, por isso implementou uma lei do marido que libertou os nobres russos de prestar serviço obrigatório ao Estado - pela primeira vez desde Pedro, o Grande, que introduziu  originalmente a medida.

Diferentemente do marido, Catarina tinha muito entusiasmo pela administração do Estado. Muitas das instituições e medidas que ela introduziu moldaram a Rússia até 1917.

Catarina dividiu o país em regências e permitiu empreendimentos privados (o que levou a um aumento significativo de fábricas e moinhos.

Ela governou seguindo as linhas do “absolutismo esclarecido”, escreveu peças e foi autora do Nakaz, uma instrução política compilada a partir das obras dos Lumière.

Catarina II em seus últimos anos de vida.

Sua política interna, porém, esteve longe de ser bem sucedida, levando a uma crise econômica e à fome, que desencadeou a enorme revolta camponesa liderada por Emelian Pugatchov.

Mas Catarina conseguiu estender o território do país (com a Crimeia como sua vitória mais famosa), reestruturar a frota e estimular o comércio internacional.

Durante seu reinado, Catarina enfatizou seu amor pela Rússia. Ela se vestia e se comportou como os habitantes locais, e até adotou alguns hábitos reais russos, como a caça ao falcão.

Ela também gostava de homens russos – e não é segredo que Catarina teve inúmeros amantes e noivos, e diversos filhos fora do casamento.

3. Aristotele Fioravanti, o criador do plano geral do Kremlin

A Catedral da Dormição, na Praça da Catedral do Kremlin de Moscou.

Nascido em Palermo por volta de 1415 na família de um arquiteto, Aristotele Fioravanti restaurou edifícios e criou canais e comportas.

Ele era famoso na Itália e frequentemente convidado para supervisionar obras de construção.

Mas em 1473 ele entrou em uma maré de azar e foi acusado de fabricar dinheiro. Apesar de mais tarde todas as acusações terem sido retiradas, Fioravanti já tinha sido destituído de seus títulos honorários e de sua credibilidade.

Enquanto isso, um desastre atingiu Moscou e a Catedral da Dormição, no Kremlin, colapsou devido a um terremoto. Ivã III, Grão Príncipe da Moscóvia, ordenou que um enviado encontrasse um arquiteto europeu para resolver o problema. Fioravanti logo aceitou a proposta, atraído por uma grande soma de dinheiro.

Ao chegar, Fioravanti descobriu a catedral colapsou por causa de tijolos e cimento de baixa qualidade. Fioravanti fundou uma nova fábrica de tijolos em Moscou, produzindo esse material por meio de tecnologia própria.

Ele também fez a fundação da catedral com pilhas de madeira e melhorou a estrutura geral do edifício. A catedral foi completada em quatro anos e ficou tão robusta que sua primeira restauração após isso foi realizada apenas depois de 400 anos, no final do século 19.

Vista das igrejas e torres do Kremlin a partir da Ponte do Rio Moscou.

Há, porém, outros feitos de Fioravanti menos conhecidos. Em 1485, a renovação do antigo Kremlin de Moscou, que ainda era feito de pedras brancas, tinha começado. Já que Fioravanti era o único especialista em fortificações em Moscou no momento, é quase certo que ele tenha criado o plano-mestre da nova fortaleza.

Além disso, as peculiaridades da construção das muralhas do Kremlin indicam claramente foram elas foram feitas por um arquiteto italiano, já que se assemelhavam ao Castelvecchio, em Verona.

Forte Castelvecchio, em Verona, Veneto.

Posteriormente, Fioravanti trabalhou como engenheiro militar para Ivan III, construindo pontes e supervisionando a artilharia durante as campanhas.

Ele é mencionado pela última vez em crônicas russas de 1485 e, aparentemente, morreu na Rússia aos 70 anos de idade, ou seja, bastante velho para os padrões do século 15.

 

Quer saber mais sobre a Rússia Imperial? Então leia “Quanto sangue russo corria pelas veias dos Romanov?

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Mais reportagens e vídeos interessantes na nossa página no Facebook.
Leia mais

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies