Os gringos que arquitetam a Rússia

Premium class hotel complex in Crimea, by Norman Foster

Premium class hotel complex in Crimea, by Norman Foster

Mriya Resort & Spa
No últimos 20 anos, vários nomes da arquitetura mundial têm se mantido ocupados na Rússia. Confira 10 construções de destaque projetadas por ícones estrangeiros.

Há séculos que os arquitetos estrangeiros atuam em terras russas. Durante a Idade Média, os italianos desempenharam um papel importante na construção do Kremlin e das primeiras igrejas de Moscou. No século 18 e início do 19, os tsares e as tsarinas se recorreram a arquitetos italianos e franceses para construir São Petersburgo; já na segunda metade do século 19, os arquitetos do Norte da Europa se tornaram-se mais proeminentes, especialmente os propulsores da art nouveau.

Atualmente, os estrangeiros se deparam com um terreno político e social mais complexo, e nem sempre são bem-vindos, por razões diversas: projetos altamente inovadores às vezes não combinam os gostos estéticos dos russos, e outras vezes os projetos ultrapassam o orçamento disponível.

1. Museu de Arte Contemporânea Garage (Moscou), de Rem Koolhaas

(Foto: Iwan Baan/OMA)(Foto: Iwan Baan/OMA)

A OMA, empresa do arquiteto holandês Rem Koolhaas, assumiu o desafio de transformar um antigo restaurante soviético em uma museu de arte contemporânea.

Contratado pela patrona da arte mais famosa da Rússia, Dacha Jukova, Koolhaas transformou as ruínas de um edifício abandonado em uma moderna construção retangular de policarbonato, com ênfase na funcionalidade. No interior, entretanto, conservou alguns elementos decorativos, como um painel de mosaico e azulejos.

(Foto: Iwan Baan/OMA)(Foto: Iwan Baan/OMA)

“Nesse projeto, mostro respeito por aquela época e atmosfera da década de 1960. As metáforas soviéticas ainda estão aqui dentro”, disse Koolhaas. O arquiteto holandês também trabalhou na concepção de um novo distrito em São Petersburgo, chamado Pérola do Báltico, mas o projeto acabou sendo assumido pelo chinês Heng Li.

2. Torre Domínio (Moscou), de Zaha Hadid

(Foto: Iliá Ivanov)(Foto: Iliá Ivanov)

A arquiteto e designer de ascendência iraquiana e britânica Zaha Hadid, que iniciou sua carreira na OMA de Koolhaas, possui dois prédios futuristas na Rússia.

O primeiro , um prédio de escritórios em Moscou, chamado Torre Domínio, foi construído no estilo desconstrutivista favorito de Hadid. O projeto foi concebido em 2005 e as obras tiveram início em 2008. Devido à crise financeira global, a conclusão acabou sendo adiada, e o prédio foi inaugurado apenas em setembro de 2015.

A Torre se destaca em meio à paisagem – é um edifício futurista e geométrico no meio de uma zona industrial em Moscou.

(Foto: Iliá Ivanov)(Foto: Iliá Ivanov)

O outro edifício de Hadid na Rússia é uma casa particular na vila de Barvikha. Segundo boatos, o empresário russo Vladislav Doronin teria feito a encomenda para a sua então namorada, a modelo Naomi Campbell.

A casa, que se chama Capital Hill Residence, parece um ônibus espacial.

3. Mriya Resort & Spa (Crimeia), de Norman Foster

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)

O arquiteto britânico Norman Foster, autor da Millennium Bridge em Londres, construiu o luxuoso hotel Mriya Resort & Spa a 25 quilômetros de Ialta.

O complexo tem formato de pétalas de lótus e oferece acomodação em 422 quartos, sala de conferências, área de spa e uma zona residencial privada.

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)

Foster, porém, teve vários projetos na Rússia que não se concretizaram e foram cancelados devido à crise financeira. Um exemplo disso é a Torre da Rússia, de 612 metros, que seria erguida na zona empresarial de Moscou. O prédio foi iniciado, mas depois demolido, e a área, eventualmente transformada em estacionamento.

4. Ponte Dourada (Vladivostok), de Norman Foster

(Foto: Getty Images)(Foto: Getty Images)

As autoridades soviéticas queriam tornar Vladivostok melhor do que certa cidade do outro lado do Pacífico – a norte-americana São Francisco.

Foster foi o escolhido para projetar a Ponte Dourada, cuja estrutura se estende por quase 1,3 km e que veio a se tornar o principal símbolo da cidade. Essa ponte estaiada paira sobre a baía do Chifre de Ouro e foi erguida para a cúpula da Apec em 2012.

(Foto: Iúri Smitiuk/TASS)(Foto: Iúri Smitiuk/TASS)

Atualmente, o arquiteto britânico está envolvido também no projeto da sede da Companhia Russa de Cobre, que deve ficar pronta em 2019.

5. Academia de Xadrez (Khanti-Mansisk), de Erick Van Egeraat

(Foto: Vladímir Fedorenko/RIA Nôvosti)(Foto: Vladímir Fedorenko/RIA Nôvosti)

O arquiteto holandês Erick Van Egeraat trabalha na Rússia desde o início dos anos 2000 e falou diversas vezes sobre o “grande potencial” do país. A sua Academia de Xadrez em Khanti-Mansisk lhe rendeu o prêmio internacional Best Building em 2011.

(Foto: Vladímir Fedorenko/RIA Nôvosti)(Foto: Vladímir Fedorenko/RIA Nôvosti)

Van Egeraat iria originalmente projetar as torres “Cidade das Capitais” na zona empresarial de Moscou, mas o projeto foi considerado “complicado”. O contrato foi, enfim, entregue ao escritório americano de arquitetura NBBJ.

6. Shopping Verchina (Surgut), de Erick Van Egeraat

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)

O prêmio Best Building de 2012 também foi para um projeto de Van Egeraat: o shopping Verchina, em Surgut, em que os frequentadores podem caminhar em sentido horário. O holandês também apresentou o projeto para reconstruir o estádio do Dinamo, em São Petersburgo, que deveria ser concluído para a Copa do Mundo de 2018. A Sociedade de Preservação do Patrimônio Arquitetônico, porém, considerou o projeto inovador demais, e um escritório nacional assumiu a missão.

7. Novo palco do Teatro Mariinsky (São Petersburgo), de Diamond Schmitt

(Foto: Diamond Schmitt Architects)(Foto: Diamond Schmitt Architects)

Valéri Gerguiev, diretor do Teatro Mariinsky, teve a ideia de construir um novo teatro em 1997. Quando a concorrência foi realizada, cinco empresas internacionais de arquitetura apresentaram propostas. O arquiteto francês Dominique Perrault venceu o concurso, mas, algum tempo depois, foi demitido do projeto, e o novo teatro acabou sendo concluído escritório canadense Diamond Schmitt Architects.

(Foto: Diamond Schmitt Architects)(Foto: Diamond Schmitt Architects)

O novo Mariinsky, no entanto, é considerado um fracasso. Segundo o crítico Grigôri Revzin, o edifício ficou “algo entre uma loja de departamentos e McDonalds”.

8. Gazprom Arena (São Petersburgo), de Kisho Kurokawa

(Foto: Ruslan Chamukov/RIA Nôvosti)(Foto: Ruslan Chamukov/RIA Nôvosti)

Esse é um dos projetos de construção mais atrapalhados e onerosos na história recente, e o estádio mudou de nome diversas vezes durante as obras: Zenit, Zenit Arena e Gazprom Arena. O projeto foi assinado pelo japonês Kisho Kurokawa.

(Foto: Nikolai Gyngazov/Global Look Press)(Foto: Nikolai Gyngazov/Global Look Press)

O orçamento original do estádio era estimado em US$ 113 milhões. Em 2007, entretanto, o arquiteto morreu logo depois do início dos trabalhos. O valor previsto sofreu aumentos até atingir US$ 728 milhões este ano, quando foi inaugurado.

9. Novo terminal do aeroporto Púlkovo, de Grimshaw Architects

(Foto: Grimshaw Architects)(Foto: Grimshaw Architects)

O primeiro terminal do único aeroporto de São Petersburgo foi construído entre 1936 e 1950 (a construção foi paralisada durante a Segunda Guerra Mundial). Em 1980, o terminal 2 de Púlkovo ficou pronto, e o aeroporto permaneceu do mesmo tamanho até 2013.

(Foto: Grimshaw Architects)(Foto: Grimshaw Architects)

Foi nessa época que o projeto liderado pelo escritório britânico Grimshaw Architects, em parceria com Ramboll (Dinamarca) e Pascall + Watson (Reino Unido), deu origem a um novo terminal. Segundo os responsáveis, o designer é inspirado nas igrejas, palácios e paisagens de São Petersburgo, com suas pontes e ilhas.

10. Parque Zariadie (Moscou), de Diller Scofidio + Renfro

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)

O estúdio de design Diller Scofidio + Renfro, de Nova York, ganhou a concorrência para construir um parque no centro de Moscou, nos arredores do Kremlin. A área se estende por cerca de 13 hectares, e o espaço deverá ser aberto em setembro.

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)

Uma das promessas do novo parque é apresentar “quatro zonas climáticas”, além de uma sala de concertos, um complexo hoteleiro e um “ponte flutuante” para pedestres.

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