A Estátua da Liberdade é feita de cobre russo?

Origem parcialmente russa de icônica estátua dos EUA é motivo de investigação e até exposições

Origem parcialmente russa de icônica estátua dos EUA é motivo de investigação e até exposições

Daniel Hohlfeld/Global Look Press
Um presente precioso da França para os EUA, essa estátua simboliza a liberdade por mais de dois séculos e, ao longo desse tempo, tornou-se uma das principais atrações turísticas da cidade de Nova York. As origens do monumento, porém, ainda são envoltas em mistério, e muitos russos de uma pequena cidade industrial nos Urais estão certos de que é feito de cobre produzido justamente em sua terra natal.

A cidade russa de Níjni Taguil (a 1.370 km a leste de Moscou) não tem quase nada em comum com Nova York. No entanto, essa cidadezinha remota nos Urais, e com população de 355 mil habitantes, exerceu um papel importante na indústria russa depois que suas fábricas começaram a produzir metal em 1722. A própria população foi inicialmente composta por operários das fábricas de ferro e cobre.

Em termos de negócios ou cultura, no entanto, a cidade está longe de ser considerada uma metrópole e não é mesmo um centro regional de Sverdlovsk, onde está situada. Ainda assim, os moradores locais garantem ter uma conexão com um dos principais símbolos da cidade de Nova York – Estátua da Liberdade –, inaugurado em 1886.

Níjni Taguil  costumava ser uma das 'capitais do cobre' da Rússia

Cobre de quem?

Um guia on-line de Níjni Taguil afirma que ‘o orgulho dos escultores franceses e das mentes americanas foi construído graças às tecnologias russas e aos trabalhadores das fábricas’ locais. Isso porque, segundo o site, o cobre dos quase 91 mil quilos de placas usadas na camada externa de Estátua da Liberdade teria sido fabricado na região.

Até hoje, ninguém sabe exatamente onde Frédéric Auguste Bartholdi, o escultor francês que projetou a estátua, adquiriu o cobre. Existe, além da versão russa, outras histórias análogas na Noruega, no Reino Unido e na Espanha. Mas a teoria dos russos tem respaldo, uma vez que seu cobre era um dos favoritos na Europa no século 19.

A marca “Velha Zibelina” era, por exemplo, a mais popular em todo o continente, sobretudo na França, e, em 1867, venceu o primeiro lugar na Feira Mundial de Paris.

Segredo maçônico

Se a lenda for verdadeira, por que a contribuição russa nunca foi mencionada em nenhum documento relacionado com a construção da estátua (sobre o qual, ao que parece, sabe-se quase tudo do resto)? Para os defensores dessa teoria russa, isso poderia estar conectado com as lojas maçônicas.

Estátua da Liberdade observada por dentro

Os maçons do século 19, tanto americanos como franceses, participaram da comemoração do aniversário da independência dos EUA, pois seus ideais eram semelhantes aos propostos na Revolução Americana: liberdade, igualdade e fraternidade. Seus homólogos russos também puderam participar – em segredo.

Por quê? As organizações maçônicas eram perseguidas pelo governo russo desde 1822. Alexandre 1º proibiu encontros de todas as sociedades secretas no Império Russo. Os maçons, no entanto, ainda se reuniam em segredo e não estavam dispostos a atrair qualquer atenção para si. Portanto, mesmo que tenham realmente participado da criação da Estátua da Liberdade, provavelmente quiseram manter em segredo.

Em 2015, duas exposições com o mesmo nome foram realizadas na cidade de Nova York e em Níjni Taguil dedicadas, em partes, à lenda dos russos ajudarem a construir um dos monumentos mais emblemáticos dos Estados Unidos. 

Estacão de trem em Níjni Taguil na região de Sverdlovsk

Teoria mais provável

Não há, porém, evidências convincentes sugerindo que industrialistas ou maçons russos tenham qualquer envolvimento com a construção da estátua. Embora a história não esteja completamente clara, a versão de que os franceses adquiriram o cobre da Estátua da Liberdade da Noruega é provavelmente a mais próxima da verdade. Na década de 1870, um francês era proprietário de uma mineradora norueguesa que explorava um campo de cobre local. Além disso, uma análise espectrográfica realizada por cientistas norte-americanos mostrou que amostras da estátua e da mina norueguesa eram muito similares, embora não fossem idênticas.

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