Aumento de casos de covid-19 na Rússia sugere propagação mais intensa do que na primeira onda

Reuters
Em novo recorde diário, foram registrados 11.493 casos nas últimas 24 horas. Apesar de prognóstico negativo, especialistas garantem que país está mais preparado para enfrentar pandemia.

A rápida disseminação do coronavírus nos últimos dias na Rússia, com a incidência crescendo em 60 regiões russas, sugere que o número de novos casos poderá superar os indicadores da primavera, segundo o professor Anatóli Alchtein, do Instituto de Pesquisa Gamaleya, responsável pela vacina Sputnik V.

O país registrou 11.493 novos casos nas últimas 24 horas, e a contagem total chegou a 1.260.112, de acordo com o centro de crise anticoronavírus. Esses números representam um crescimento de 0,9% nos últimos cinco dias.

“Agora estamos em uma posição em que deveríamos apenas assistir à epidemia. Ainda é impossível dizer precisamente quando atingirá o pico”, afirmou Alchtein em entrevista ao canal de televisão Moscou 24 na quarta-feira.

Para a chefe do Rospotrebnadzor (órgão equivalente à Anvisa na Rússia), Anna Popova, “é óbvio que a situação epidemiológica na Rússia está se tornando mais complicada. Estávamos nos preparando para isso: temos um aumento em 60 regiões russas, em 20, a situação é estável, e em alguns lugares até diminuiu”.

Popova destacou que a diminuição da incidência ocorre nas regiões onde os moradores respeitam as exigências de prevenção da disseminação do vírus.

“E não temos escolha. Ou cumpriremos [normas] ou teremos que tomar outras medidas”, acrescentou a chefe do Rospotrebnadzor.

A mesma preocupação foi expressa pelo pneumologista-chefe do Ministério da Saúde russo, Serguêi Avdeiev. “Hoje vemos um aumento óbvio no número de casos a cada dia, especialmente em Moscou”, disse o especialista.

A capital russa confirmou 3.323 novos casos covid-19 nas últimas 24 horas, contra 3.229 no dia anterior. Porém, segundo Avdeiev, o país conta agora com especialistas treinados e leitos hospitalares suficientes para atender pacientes.

“Preparamos, desde a primavera, uma base hospitalar com leitos, equipamentos e, o que é mais importante, pessoal. Portanto, esperemos que os recursos que temos hoje para o combate ao coronavírus sejam suficientes”, acrescentou.

Mais cedo, o ministro da Saúde russo, Mikhaíl Murachko, avaliou a disseminação do coronavírus na Rússia como “controlável”, devido a, entre outros fatores, novos fármacos para o tratamento dos pacientes de covid-19 que já demonstraram certa eficácia.

Confiança em número

Em meio a boatos sobre número forjados, o Kremlin reiterou, por meio de seu porta-voz, Dmítri Peskov, que não há razão para suspeitas. “Não vemos motivos para desconfiar desses dados. A coleta de todos os dados é bem gerenciada pelo centro de crise do governo e foi simplificada nos últimos meses”, disse Peskov.

Quando solicitado a comentar sobre as alegadas recusas de testar cidadãos para não prejudicar as estatísticas, Peskov afirmou que tais fatos devem ser tornados públicos. “Isso se tornará motivo para uma ampla investigação”, acrescentou.

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