Rússia responde a apelo brasileiro por motorista detido com substância proibida

Jair Messias Bolsonaro/Facebook
Três horas após postagem de Bolsonaro, embaixada russa no Brasil se manifestou sobre caso nas redes sociais. Robson, motorista do jogador Fernando, não foi o único estrangeiro detido com medicamentos que são considerados proibidos no país, apesar de aprovados na pátria.

Na última terça-feira (06 de outubro) o presidente brasileiro Jair Bolsonaro postou em suas redes sociais uma mensagem pedindo à Rússia a libertação de Robson Oliveira, 47, brasileiro preso há mais de 500 dias em solo russo por transportar, a pedido do sogro do jogador Fernando, medicamentos que são proibidos no país.

O tribunal da cidade de Domodêdovo, na grande Moscou, analisará o caso de Robson no dia 8 de outubro. O motorista continua detido e é acusado de tráfico internacional de drogas e preparação para o tráfico.

“A justiça russa é bastante rígida e independente, mas um perdão do governo local será buscado por nós”, escreveu nas redes sociais Jair Bolsonaro, mencionando que buscará uma via “diplomática” para o perdão de Robson.

Três horas após a postagem do presidente brasileiro, a embaixada russa no Brasil se manifestou a respeito do caso nas redes sociais: “Informamos que a Embaixada está tomando todas as medidas necessárias para transmitir estas mensagens às autoridades responsáveis da Federação da Rússia e acompanha com atenção todos os desdobramentos da situação.”

Nos últimos dias temos recebido um grande número de mensagens pedindo apoio da Embaixada ao cidadão brasileiro Robson do...

Posted by Embaixada da Rússia no Brasil on Tuesday, October 6, 2020

Robson já está preso há mais de um ano e meio na Rússia e seu caso passou a ser amplamente divulgado nos últimos dias com a hashtag #justiçaporRobson, após novas reportagens sobre o caso feitas pela Globo, que acompanha a situação desde o princípio.

As circunstâncias de Robson também foram mencionadas, ainda antes de Bolsonaro, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já havia dito que levaria o caso do motorista ao presidente. Mas Bolsonaro fez questão de salientar nas redes sociais ter sido o jogador Felipe Melo, do Palmeiras, quem lhe informou da situação.

O começo de tudo

Robson é companheiro de Simone Barros, cozinheira da família de Fernando que foi convidada a se mudar para a Rússia para acompanhá-los. Sob a condição de levar Robson, que trabalharia então como motorista da família, Simone aceitou o convite e os dois partiram para Moscou em sua primeira viagem internacional – eles sequer tinham passaportes quando aceitaram.

Com todos os documentos preparados pelo advogado da família, em 29 de novembro de 2018, o casal recebeu, no aeroporto do Rio de Janeiro, de um conhecido de Fernando, três malas com as quais Robson deveria embarcar à Rússia.

Dezoito horas depois, no aeroporto Domodêdovo, próximo à Moscou, os agentes alfandegários encontraram em uma das malas 2 caixas de Metadona 10 mg, medicamento para dor vendido apenas com receita no Brasil e proibido na Federação da Rússia. Robson passou por interrogatório e teve coletadas amostras de urina, sangue e cabelo, de acordo com o portal Sports.ru.

As amostras de Robson apontaram para vestígios de uso de cocaína e os advogados russos contratados por Fernando recomendaram que o motorista admitisse a culpa com o objetivo de reduzir a pena: seriam, segundo sua advogada, cinco anos com a confissão e de 13 a 15 anos sem ela.

O volante Fernando jogava na época no clube Spartak e mora hoje na China, vestindo a camisa do Beijing Guoan. Há seis dias (desde 1° de outubro de 2020), Fernando passou a postar sobre o caso Robson em sua conta no Instagram, defendendo-se, em suas próprias palavras, da acusação de ter “abandonado” o motorista. Para tanto, ele publicou um recibo de pagamento do advogado russo e outros documentos.

Situação semelhante e libertação devido à pandemia

A situação de Robson não é única na Federação da Rússia. Em caso similar, o norte-americano Gaylen Grandstaff, 55, foi detido, em junho de 2017, suspeito de contrabando após comprar pelo site chinês AliExpress um produto de limpeza que continha substância considerada ilegal na Federação da Rússia, a Gama-butirolactona.

Casado com uma russa, Grandstaff vivia desde 2011 no país, onde trabalhava como professor de inglês, e podia enfrentar uma pena de até 20 anos de prisão, mas acabou libertado após dois anos e foi evacuado em abril de 2020, devido à pandemia de coronavírus, de acordo com o jornal The Moscow Times.

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