8 rituais bizarros do povo komi na Rússia

Valery Matytsin/TASS
A República Komi está localizada a oeste dos Montes Urais, no nordeste da Planície Europeia Oriental. Os povos indígenas que ali vivem têm uma ligação forte com a natureza, acreditam em magia e ainda mantêm muitas tradições que parecem um pouco estranhas ao mundo externo...

1. Proteção defumada

Os homens komi acreditam que forças obscuras podem estragar caçadas e pescarias. Para evitar isto, eles juntam  galhos de abeto vermelho secos, põem fogo neles e defumam redes, arcos, machados, bolsas e roupas especiais riscadas. Cada homem komi acrescenta um toque especial ao ritual, que é passado de pai para filho há diversas gerações.

  1. Sistema de segurança doméstica

As mães ensinam suas filhas como defender a casa, a família e o gado de espíritos maus. Elas ainda colocam os ossos de aves na soleira e penduram galhos de bétula ou pele de arminho sobre a entrada de cabanas, estábulos e outras construções.

  1. Burocracia espiritual

Quando um homem sofre um grande infortúnio, como perder o gado na floresta, os komi pedem ajuda aos “pow-wow”. Eles escrevem uma kabala (um apelo especial aos espíritos) em um pedaço de curtume.

Ele é então dividido em duas partes: um “bilhete” e um “pedido”. O primeiro é queimado no forno e o segundo é deixado na floresta para que as forças superiores saibam sobre a má sorte do homem. Os moradores locais dizem que realmente funciona.

4. A receita da paixão

Os komi têm um ritual especial para quem quiser encontrar o amor. É preciso encontrar três ervas que façam o amado sentir falta daquele que o ama.

As urtigas são destinadas a fazer o coração do amado doer sem o “feiticeiro”. Uma planta do gênero Carex fixará firmamente sua imagem na mente do amada e a lindíssima flor Anthriscus sylvestris (também conhecida como cicuta!) para adocicar as ligações entre os dois.

Um cacho de cabelo deve ser adicionado à mistura de ervas, e tudo junto deve ser colocado em uma ranhura na cabana do amado.

5. Tratamento quente

A cerimônia de cura é geralmente realizada em uma sauna de madeira chamada “bânia”. Os “pow-wow” abençoam os bebês ali, segurando-os sobre a madeira quente da lareira.

A água também é usada ativamente em ritos assim. Ela deve ser retirada do rio e de dois poços diferentes de manhã cedo. Os magos enfeitiçam a água e a derramam sobre os doentes.

Uma prática comum era a de imitar o momento do nascimento, apertando o doente com um laço.

6. Machado falante

Parentes mortos podem enviar doenças ao povo komi. Para entender quem está na linha de fogo, o “pow-wow” realiza o rito do “Tcherechlan”. Para tanto, ele joga um cone de lúpulo no fogo e pendura um machado sobre dele. Depois, o “pow-wow” lista os parentes um a um até que o machado caia.

O ritual é feito geralmente de manhã, quando os mortos estão acordados. Os komi acreditam que depois do meio-dia eles adormeçam e não digam uma só palavra.

Ofertar os pratos favoritos dos ressentidos no local de sua sepultura é uma maneira eficaz de se reconciliar com ele. Detalhe: a comida deve estar quente, pois os espíritos só ingerem o vapor que ela libera.

7. Recarregador humano

Os komi amam a natureza e gostam de sua história. Eles vão a lugares especiais chamados “vej-mesta” para recarregar a energia.

Antigamente, eles cavavam fossas e se enterravam quando conquistadores chegavam a suas terras e queriam convertê-los ao cristianismo. Hoje, os locais que ali chegam tocam o solo sagrado e levam galhos de árvores como amuletos.

8. Puro amor

A magia komi pode combater até a inveja. Para fortalecer o amor de mulheres casadas que queiram continuar atraentes para seus maridos, elas guardam a água com que se lavam na bânia e a levam para o amado beber.

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