Surpresa na Rússia: como Roberto Carlos e Vágner Love fizeram rios de dinheiro em clubes russos

Vários astros do futebol internacional, incluindo brasileiros, se recordam com saudades do tempo que passaram nos clubes de futebol russos. Alguns deles até consideram a experiência como a melhor época de suas vidas.

“Nós tínhamos uma ótima vida lá, éramos felizes! Foi o período mais feliz da minha vida, sério!” É assim que Samuel Eto’o, um dos melhores jogadores de futebol da década passada, descreveu seus sentimentos sobre o período que passou jogando para o clube Anji Makhatchkalá, do Daguestão, região no sul da Rússia.

Isso foi em 2011, quando Suleiman Kerimov, um bilionário russo de origem caucasiana, investiu uma fortuna para formar um time dos sonhos em um clube relativamente desconhecido do Daguestão. Ele provavelmente tinha em mente algo parecido com o que Roman Abramovich havia feito com o Chelsea anos antes. A primeira aquisição importante foi o ex-jogador e treinador brasileiro Roberto Carlos, que havia sido campeão mundial em 2002 e vencedor do Golden Foot em 2008.

‘Um daguestanês no espelho’

Segundo Roberto Carlos revelou mais tarde, Kerimov se aproximou dele e colocou sobre a mesa alguns pedaços de papel com nomes escritos: Neymar, Messi e Eto’o. A oferta de Kerimov acabou sendo especialmente atraente para o jogador camaronês Samuel Eto’o, também vencedor do Golden Foot, que atuava pelo Inter na época.

E foi assim que, em agosto de 2011, Eto’o se mudou para a capital do Daguestão, Makhatchkalá, uma cidade com cerca de 600 mil habitantes. Kerimov também trouxe a bordo de seu clube Yury Zhirkov, que então jogava pelo Chelsea, e alguns outros jogadores de peso. O holandês Guus Hiddink, que liderou a seleção russa na conquista do bronze na Eurocopa de 2008, tornou-se o técnico da equipe.

Em 2013, os investimentos de Kerimov começaram a render frutos. Pela primeira vez na história, o clube ficou em terceiro lugar no campeonato russo e se tornou finalista na Copa Russa – embora não tenha levado o troféu principal, chegou bem perto disso.

Para Eto’o, o tempo que passou no Daguestão foi “algo inesquecível”. “Toda vez que voltávamos a Makhatchkalá, era um momento de verdadeira felicidade! Quando jogávamos lá, a vida na cidade simplesmente parava! Era fantástico!”, disse, mais tarde, em um entrevista. Segundo o jogador, sua experiência foi boa não somente por causa do alto salário, mas porque, “eu entendo quando alguns dizem que [eu apreciava meu tempo no Anji porque] eu era tratado de forma muito especial. Mas não, esse estado da minha alma não foi criado pelo dinheiro. As pessoas não me tratavam como um astro – eu era amigo deles, irmão, membro da comunidade. Ainda hoje vejo uma pessoa do Daguestão (...) quando olho para o espelho.”

Moscou além dos clichês na TV

Eto’o gostava não só do Daguestão, mas também da capital russa. Em sua opinião, muitas vezes, as pessoas assumem que Moscou não é uma cidade atraente por causa dos vários clichês e generalizações que rondam a imprensa.

“Quando digo aos céticos que Moscou é uma das cidades mais bonitas do mundo, eles não conseguem acreditar ou entender isso. Por quê? Porque vivemos numa sociedade em que há muitos clichês, e a televisão nos impõe sua visão de mundo”, disse.

Jogar na Rússia também foi uma boa experiência para Roberto Carlos, que considera seu período no Anji como um dos “mais agradáveis ​​de sua carreira”. Em uma entrevista, ele disse que se não jogasse no Brasil, concordaria em receber cidadania russa e se tornar o primeiro jogador negro da seleção russa.

Infelizmente para o futebol do Daguestão, em 2013, o dono do clube mudou sua estratégia e parou de investir tanto dinheiro em novas contratações. O Anji perdeu o seu lugar no campeonato russo, e a história de sucesso do time dos sonhos acabou.

In Love pela mentalidade russa

Houve também outro famoso jogador brasileiro que flertou – embora brevemente –  com a ideia de se tornar um cidadão russo. Vágner Love começou a jogar pelo CSKA de Moscou quando tinha apenas 20 anos e ganhou 14 títulos em oito anos atuando pela  equipe. Na final da Copa da UEFA de 2005-6, o gol de Vágner Love selou a vitória do clube moscovita, e na Copa da UEFA de 2008-9, foi o artilheiro do campeonato. Love também jogou 20 partidas pelo Brasil, marcando quatro gols.

O jogador brasileiro, que hoje atua pelo Besiktas, descreveu seu período no CSKA como, “provavelmente, o melhor de sua carreira”. “O CSKA sempre estará no meu coração”, disse. Segundo um renomado treinador russo, Love se encaixa bem no contexto russo porque “em termos de mentalidade, ele parecia um russo de verdade”.

Para Love, jogar em um clube russo também significava receber uma quantia enorme de dinheiro. “Quando vim para a Rússia, fiz gol em três jogos e ajudei o clube a entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões. Quando voltei para Moscou, houve uma conversa sobre um bônus. Me mostraram um pacote de dinheiro. Eu pensei que só veria parte daquilo, mas não – depois de assinar os papéis, recebi tudo. Eu nunca tinha visto tanto [dinheiro]! Eu estava tremendo, e não sabia onde colocá-lo… Mais tarde, comprei uma casa nova para minha mãe. Eu estava muito feliz”, contou.

“Eu guardava o dinheiro em uma sacola em casa. Eu não sabia como gastar. Marcava um gol, ganhava um bônus. O clube me deu um carro, um apartamento. Tinha dinheiro para qualquer capricho. A Rússia me pagava o quanto eu merecesse.” Mas Love garante que não se tratava apenas disso. “Eu sentia o que era amor e respeito.”

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