Mergulhador sem braços nem pernas submerge 40 metros e bate recorde

Open Water Challenge
Boia especialmente concebida permitiu que paratleta administrasse equipamento.

Na última segunda-feira (7), o paratleta Dmítri Pavlenko fez história ao mergulhar sozinho 40 metros abaixo da superfície do mar Vermelho, no Egito, alcançando a profundidade máxima em um mergulho recreativo. O feito foi possível graças a um ‘braço flutuante’ desenvolvido pela Universidade Politécnica de Moscou (MPU).

As bolsas de ar padrão que ajudam os profissionais a mergulhar em águas profundas só podem ser controladas com os dedos. Esse novo dispositivo, no entanto, permite que Pavlenko o administre sem os braços. Para criá-lo, a MPU realizou um “hackaton” (uma maratona de programação) com estudantes e jovens desenvolvedores, e o dispositivo foi impresso em 3D pela startup russa Anisoprint. 

Pavlenko perdeu os braços e as pernas após uma bomba explodir enquanto servia no exército. Em 2017, tornou-se o primeiro cidadão russo sem os membros a receber um diploma de mergulho permitindo a imersão em águas abertas.

“Tenho 38 anos, agora tenho uma família e um trabalho que amo. Passei por um longo e difícil processo de reabilitação física e psicológica. Enquanto tentava me reerguer, muitas vezes me inspirei em outras pessoas. Observava quem fez o quê, e como fizeram isso, e depois tentava adaptar suas experiências à minha situação.”

“Sinto que agora meu exemplo pode motivar outras pessoas com deficiência a dar o primeiro passo para sair da gaiola onde muitos se encontram após uma lesão.”

Para tornar seu sonho uma realidade, Pavlenko arrecadou cerca de US$ 4.600 no planeta.ru, uma plataforma de financiamento coletivo russa semelhante ao KickStarter. Antes de estabelecer seu recorde mundial, o mergulhador testou três diferentes “braços flutuantes”. O primeiro quebrou, e o segundo estava desconfortável. O terceiro, finalmente, permitiu ao atleta atingir seu objetivo.

Em 2013, o mergulhador francês Philippe Croizon, cujos braços e pernas foram amputados após um acidente, tornou-se o primeiro quádruplo amputado a mergulhar a uma profundidade de 33 metros em uma piscina em Bruxelas.

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