Rio recebe marcha em memória da Segunda Guerra

Mais de 200 russos e brasileiros participaram de caminhada do Regimento Imortal na capital carioca.

Na última quarta-feira (9), o Rio de Janeiro foi palco de uma marcha comemorativa do "Regimento Imortal". A iniciativa tem como objetivo recordar os soldados mortos na Segunda Guerra Mundial e homenagear a participação brasileira e russa no conflito, além da vitória sobre a Alemanha nazista.

“Cerca de 200 pessoas participaram da ação, o dobro do que esperávamos. Isto é muito bom!”, disse uma dos organizadores da marcha, a presidente do Conselho de Coordenação dos compatriotas russos no Brasil, Elena Serebriakova, à agência de notícias russa Tass.

“É a primeira vez que conseguimos realizar uma marcha verdadeira no Brasil. No ano passado, o evento 'Regimento Imortal' teve um caráter local e foi realizado no território do Consulado Geral da Rússia”, disse.

A marcha foi organizada com apoio das autoridades do Rio, que garantiram a segurança dos manifestantes.

O evento contou com a presença de pelo menos 100 brasileiros que se uniram ao Regimento Imortal. "Fiquei impressionada com o número de brasileiros que desfilaram com fotos e cartazes de seus antepassados”, disse Serebriakova à Tass.

Eles eram sobretudo militares que lutaram na Europa como parte das Forças Aliadas. O Brasil foi o único país da América do Sul que participou dos combates no continente europeu durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre setembro de 1944 e maio de 1945, mais de 400 soldados e oficias brasileiros foram mortos na guerra na Europa. Além disso, durante a Segunda Guerra, mais de 1,4 mil marinheiros brasileiros morreram nos navios que foram afundados por submarinos alemães e italianos.

Memória imortal

Uma das participantes da marcha, a brasileira Rosana Rodriguez desfilou coma a foto em preto e branco de seu pai, o primeiro tenente Murilo Rodrigues de Souza.

“Ele gostaria deste evento, ficaria feliz", disse Rosana ao correspondente da Tass. Segundo ela, seu pai foi ferido e recebeu a notícia da rendição da Alemanha de Hitler no hospital. Depois de retornar ao Brasil, ele continuou a carreira militar e chegou ao posto de general.

"Meu pai tinha muito orgulho do fato de ter participado da guerra. Descobri sobre essa ação com a minha irmã na Associação de Ex-soldados da Força Expedicionária Brasileira e decidimos participar. Achamos que muito legal!”, disse Rosana à Tass.

"Quando vivemos no exterior, começamos a sentir necessidade de nos comunicar com os compatriotas. Esta ação é uma ótima oportunidade para se encontrar com outros russos, conversar, cantar músicas que todos nós conhecemos. Queremos apoiar os veteranos, lembrar deste dia e fazer de tudo para garantir que a guerra não aconteça mais", disse a participante da marcha Margarita Videira, uma russa que mora no Brasil.

Ela foi à marcha com um retrato de seu bisavô, Filipp Rostovtsev. "É o pai da minha avó, que eu, infelizmente, não conheci. Ele nasceu em 1902 e foi ferido em 1941”, contou.

Tradição russa

Outro participante do evento, o vice-presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, Israel Bleiberg, disse à Tass que os sul-americanos começaram a adotar a tradição russa do Regimento Imortal.

"Em Belo Horizonte, no domingo passado, foi realizada uma ação semelhante, mas sem participação dos russos. Só os brasileiros trouxeram retratos de seus parentes ou estavam vestidos de camisetas com suas fotos”, disse Bleiberg.

Para ele, faz sentido enraizar a tradição russa no Brasil, porque é necessário preservar a memória dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

O embaixador da Rússia no Brasil, Serguêi Akopov, disse que ação realizada na última quarta-feira é um evento histórico.

"Isto nunca aconteceu na história de nossas relações com o Brasil. O evento reuniu não apenas os russos, mas também muitos brasileiros. Estamos muito gratos às autoridades brasileiras pelo apoio total e ajuda na organização do evento", disse o embaixador àTass.

A marcha Regimento Imortal foi realizada pela primeira vez em 2012, na cidade siberiana de Tomsk, onde um grupo de jornalistas locais achou que dessa forma poderia ajudar os moradores da cidade a honrar a memória de seus antepassados que combateram na Segunda Guerra.

No Brasil, a marcha ocorreu pela primeira vez em 2017, em São Paulo.

Com informações da agência de notícias TASS

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