De yankees a homens-sapos, apelidos maldosos de estrangeiros na Rússia

Natalya Nosova
Expressões são usadas para zombar de outras nacionalidades.

As pessoas gostam de fazer piadas umas com as outras, e isso é uma grande verdade. Diferenças culturais estimulam a criação de estereótipos e, às vezes, surgem apelidos grosseiros para descrever pessoas de outros países.

Na América Latina, um loiro branquelo pode ser chamado de “gringo”. Alguns franceses chamam alemães de “boches”.

Essas coisas acontecem em todos os lugares – as pessoas amam odiar umas as outras! A Rússia também tem seus próprios apelidos para pessoas de outros países. Conheça alguns.

Americanos – Pindosi, Yankee

O segundo é bem óbvio e universal: até mesmo os britânicos que lutaram contra os revolucionários chamam os americanos desse modo.

O resto do mundo, incluindo a Rússia, segue o padrão. Mas o que quer dizer o misterioso “pindosi”? Esta é difícil.

De acordo com a versão mais popular, o apelido é bem antigo – remonta ao século 18 ou 19 – e era usado para descrever... os gregos.

A montanha de Pindus existe de verdade no norte da Grécia. Por isso, os russos que viviam na costa do Mar Negro e tinham conflitos com os gregos (que costumavam migrar para lá fugindo dos russos) chamavam-nos de “pindosi”.

Mas o que isso tem a ver com os americanos? A palavra “pindosi” foi quase esquecida no século 20, mas reapareceu durante a guerra nos Balcãs, quando russos e americanos conviveram nas tropas de paz da antiga Iugoslávia.

A palavra supostamente estava associada a pessoas estúpidas mas perigosas (também um pouco remanescente de diversos xingamentos russos), por isso os russos a transformaram em um apelido para os americanos, de quem não gostavam nem um pouco.

Franceses – Liaguchátniki

“Pindosi” tem as origens mais complicadas, mas muitos outros nomes pejorativos são fáceis de serem entendidos.

Russos mal-educados chamam os franceses de “liaguchátniki”, que significa “homens-sapo”. Este apelido é baseado no estereótipo de que os franceses gostam de comer sapos.

Claro que isso é um exagero – as pernas de rã são consideradas uma iguaria na culinária francesa, mas ainda assim são exóticas.

Além disso, a maior parte dos franceses nunca experimentou o prato, mas isso não quer dizer que outros países não façam piadas com eles por isso.

Os russos não são os únicos: no século 19, os britânicos retratavam o rei Charles X como o rei dos sapos.

Alemães – Fritzi, Hansi

Russos e alemães têm uma longa (e um pouco conturbada) relação histórica, por isso não é surpresa que os russos tenham alguns apelidos para os alemães.

Para começar, até mesmo a palavra russa para “alemães” (nêmtsi) é um ex-apelido, com origem na palavra “nemoi”, que significa “mudo”.

Durante a Idade Média, quando os alemães visitavam Moscou, muitos russos ficavam desapontados com a incapacidade dos visitantes de responder algo na língua local.

Para esses russos medievais, os visitantes eram praticamente mudos, por isso surgiu a palavra “nemtsi”.

Hoje, a palavra original não tem conotação pejorativa, ao contrário de outras. Mas, às vezes, os russos chamam os alemães de “Fritzi” ou “Hansi”, de modo mais ofensivo.

Esses apelidos surgiram durante a Primeira Guerra Mundial, quando os russos que se comunicavam com os prisioneiros alemães descobriram que Fritz e Hans eram os nomes mais comuns entre eles.

Do mesmo modo, na Alemanha e em outros países os russos são chamados de Ivan.

Italianos – Makarônniki

Sim, mais uma vez apelidos ligados à comida. Talvez nem todo francês coma rãs, mas a massa é um dos símbolos nacionais da Itália.

Não é surpresa, portanto, que os russos usem essa palavra para criar outro apelido não tão respeitoso.

“Makarônniki” significa, literalmente, “povo do macarrão”. A massa é tão popular na Rússia que esse apelido pode até ser considerado simpático.

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