Como a Rússia se tornou líder mundial na exportação de gás?

Aleksandr Riúmin/TASS
País tem as maiores reservas de gás natural do mundo e orçamento totalmente dependente da exportação da commodity.

A Rússia tem mais gás que qualquer outro país do mundo. O país é líder mundial em reservas de gás, o sexto em reservas de petróleo e um dos líderes em reservas de níquel, platina, ouro, minério de ferro e muitos outros minerais, de acordo com a Câmara de Contas da Rússia, principal órgão estatal a controlar o governo.

O valor bruto das reservas minerais exploradas é estimado em US$ 28 trilhões. Petróleo, gás e carvão respondem por cerca de 75% desse montante. Ao mesmo tempo, as reservas de gás natural comprovadas do país durarão mais de 50 anos.

"O subsolo natural da Rússia tem a maior quantidade de reservas comprovadas de gás natural, que constituem cerca de 20% do total mundial", diz Oleg Tcherednitchenko, professor associado do departamento de teoria econômica da Universidade Econômica da Rússia.

No total, as reservas de gás da Rússia estão estimadas em 38 trilhões de metros cúbicos. Em seguida vem o Irã, com 32 trilhões de metros cúbicos, e o Qatar, com 24,7 trilhões de metros cúbicos.

Quanto gás natural a Rússia exporta?

Em 2019, a maior empresa de gás russa, a Gazprom, exportou 236,9 bilhões de metros cúbicos de gás. É o indicador mais alto da história da empresa.

Os volumes fornecidos a países europeus, principalmente para França, Áustria, Hungria e Holanda, atingiram seu máximo histórico.

Espera-se que, em 2020, o volume de gás exportado caia devido à pandemia do coronavírus, chegando a algo entre 165 e 170 bilhões de metros cúbicos.

Como a Rússia se tornou exportadora?

A Rússia passou a ser o principal exportador de gás natural do mundo devido a dois fatores: reservas enormes e baixos custos de produção.

"Mesmo levando em conta a grande distância de transporte para os países da União Europeia, o custo total do gás na fronteira do comprador é menor que o de todos os concorrentes", explica o pesquisador do centro de pesquisas de mercados industriais da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública, Dmítri Gordeev. Segundo ele, graças às enormes capacidades de exportação dos gasodutos russos, a Gazprom pode satisfazer qualquer demanda.

Perspectivas

Segundo os economistas, o governo não pretende diminuir os volumes de exportação de gás e faz de tudo para aumentar as vendas de gás natural liquefeito. Isso permite atrair produtores independentes para exportar gás natural, já que eles que estão proibidos por lei de exportar gás via gasodutos estatais, e também reduz os riscos políticos ao diversificar as rotas de exportação.

Segundo Tcherednitchenko, embora a atual situação global no mercado de gás não seja favorável à Rússia, o país continuará sendo o maior exportador de gás do mundo.

Na maioria dos casos, a Rússia fornece gás sob contratos de compra obrigatória de longo prazo. Isto significa que se o comprador não receber a quantidade de gás destinada a ele por falta de necessidade, ele ainda terá que pagar o valor total. Isso acontece porque a infraestrutura de fornecimento de gás é muito cara e requer soluções tecnológicas difíceis.

Por exemplo, para vender gás para a Alemanha, a Gazprom construiu o gasoduto Nord Stream, e para fornecer gás a Turquia, construiu dois gasodutos submarinos, o Blue Stream e o Turkish Stream. É possível reaver investimentos desse porte apenas por meio de contratos de longo prazo.

"A infraestrutura é a principal condição para alcançar um equilíbrio ideal em termos de formação de custos de produção e fornecimento de gás e, como resultado, estabelecer um preço competitivo", diz Oleg Tcherednitchenko.

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