Rússia reduz pagamentos em dólares com países do Brics

Nikolay Gyngazov/Global Look Press
Embora participação do dólar no comércio externo da Rússia esteja caindo, tentativas do Banco Central e nova estratégia de empréstimos cambiais não possibilita uma completa recusa da moeda norte-americana.

Na primeira metade de 2019, a participação do dólar no comércio entre a Rússia e os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) caiu de 79,9% para 50,4%, ou seja, diminuiu US$ 17,45 bilhões, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Segundo estudo realizado pela empresa financeria “Finekspertiza”, a maior parte do comércio em dólares dos Estados Unidos, ou seja, US$ 15,92 bilhões, está ligada a exportações russas.

"Se levarmos em conta não apenas os países do Brics, mas todos os parceiros comerciais estrangeiros da Rússia, no primeiro semestre de 2019, o comércio em moeda americana caiu apenas 4,9%: de 57,2% para 52,3%”, lê-se no relatório da empresa.

A rejeição do dólar é especialmente notável nas exportações russas para os países do Brics. Hoje, apenas 35,2% dos produtos russos são vendidos em dólares. No final do primeiro semestre de 2018, essa participação era de 85,5%.


Fracasso de ‘desdolarização’

A Rússia iniciou em 2013 uma política financeira de “desdolarização” - um processo de redução das remessas em moeda dos Estados Unidos - após a deterioração das relações entre Moscou e Washington.

No entanto, segundo os economistas, os resultados são ínfimos.

Desde 2013, a participação da moeda norte-americana no comércio exterior da Rússia diminuiu apenas de 64,2% para 52,3%, enquanto o volume de negócios em euros aumentou de 17,3% para 24,2% e, em rublos, de 17,2% para 20,5%.

Embora a Rússia tenha conseguido alterar os pagamentos de hidrocarbonetos para moedas nacionais com diversos países da Europa, é muito difícil evitar completamente o uso do dólar em tais contratos, por que os preços dessas commodities ainda são determinados na moeda norte-americana, de acordo com os economistas.

O Banco Central também tentou reduzir a participação do dólar nas reservas russas. Após a introdução das sanções financeiras em 2018, o regulador russo conseguiu diminuir a participação da moeda norte-americana nas reservas russas, que foi de 46% para 24,2%. No entanto, devido ao consequente aumento da participação do yuan nas reservas, o Banco Central russo perdeu pelo menos US$ 4 bilhões após a queda da moeda chinesa.

Futuro incerto

A Rússia continuará tentando evitar contratos em dólares, segundo Aleksêi Antonov, analista da corretora “Alor Broker”.

O Ministério das Finanças está desenvolvendo uma nova estratégia de empréstimos cambiais a fim de fazer mais concessões em rublos e recuperar as dívidas em moeda nacional russa, segundo declarou Antonov ao portal Gazeta.ru.

Além disso, a Rússia já criou um análogo nacional do sistema financeiro global SWIFT, que deverá ser conectado ao Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China, de acordo com declaração ao portal Gazeta.ru de Mikhail Kogan, chefe de pesquisas analíticas da Escola Superior de Gestão Financeira da Rússia.

No futuro, a participação de liquidações em rublos entre parceiros comerciais continuará a crescer, mas somente se todas as partes estiverem convencidas de que a moeda russa não corre risco de nova desvalorização, segundo os economistas.

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