Quatro questões sobre o setor de energia da Rússia

Alexei Danichev/Sputnik
País se empenha em migrar para fontes limpas e renováveis, mas petróleo e gás ainda dominam sua pauta de exportações e compõem quinhão significativo das receitas de exportação da Rússia. A energia nuclear, por sua vez, ainda é consumida em grande escala.

Quanta energia a Rússia produz?

As estatísticas oficiais do Ministério da Energia mostram que, em 2018, a Rússia extraiu quase 556 milhões de toneladas de petróleo bruto, incluindo condensado de gás - um recorde nos últimos 30 anos.

No ano passado, o país também produziu 725,4 bilhões de metros cúbicos de gás natural, 439,3 milhões de toneladas de carvão e 1.092 trilhões de kWh de eletricidade.

Esses volumes tornam a Rússia o terceiro maior produtor de energia, depois dos Estados Unidos e da China, segundo a chefe do Centro de Energia da Escola de Administração Skôlkovo, Tatiana Mitrova.

“Somos responsáveis por 10% da produção global de energia primária e a Rússia é responsável por cerca de 16% de todo o comércio global de energia", diz Mitrova.

Quanta energia a Rússia consome?

Das 556 milhões de toneladas de petróleo que a Rússia produziu em 2018, cerca de 409,3 milhões de toneladas foram exportadas.

A exportação cresce devido à queda do consumo interno, que se estende há mais de 20 anos. Desde 1990, as exportações de petróleo sobem, saltando de 47,7% para 73,6% da produção total do produto, segundo a última pesquisa da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública.

O consumo de petróleo na Rússia está caindo devido ao aumento do consumo de gás natural. No entanto, a Rússia continua sendo o quarto maior consumidor de energia do mundo, com 5% de participação no consumo global, segundo as estatísticas da petrolífera britânica BP.

“Cerca de 52% do consumo total de energia na Rússia é em gás natural, o combustível fóssil que produz a menor quantidade de emissões de gás carbônico. Além disso, a Rússia consome muita energia nuclear e hidrelétrica, assim como energia de outras fontes renováveis, como a solar e a eólica”, explica Mitrova.

Segundo a BP, em 2017, o gás natural representou 52,3% do consumo interno, seguido pelo petróleo (quase 22%) e carvão (13%). O consumo de energia de fontes renováveis cresce mais rapidamente do que os outros, mas permanece muito pequeno – constitui apenas 0,04% do consumo de energia primária do país. Para efeitos de comparação, a energia nuclear representa cerca de 6,6% do consumo total.

Quem consome a energia russa?

Em 2018, a Rússia exportou 260,2 milhões de toneladas de petróleo, 150,1 milhões de toneladas de derivados, 220,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural e 36,7 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL), segundo as estatísticas do Banco Central da Rússia.

De acordo com o jornal russo Vêdomosti, as exportações estão sendo reorientadas da Europa para os consumidores asiáticos, principalmente para a China. No ano passado, o fornecimento de produtos petrolíferos para a China cresceu 20% e atingiu os 71,5 milhões de toneladas, segundo o portal especializado nas relações bilaterais entre os países Sinorusofocus.

Os Estados Unidos também estão comprando cada vez mais petróleo russo para compensar o fornecimento que perdeu da Venezuela, que está sob sanções, e os cortes na oferta por membros da OPEP

Apenas na primeira metade do mês de maio de 2019, a Rússia enviou 13 navios com 5 milhões de barris de petróleo e derivados para os EUA. No total, em 2018, os EUA adquiriram 137 milhões de toneladas de petróleo russo, segundo os dados da Administração de Informação de Energia dos EUA.

Quanto ao gás natural, a estatal russa Gazprom forneceu 200,8 bilhões de metros cúbicos de gás para a Europa em 2018. Entre os principais importadores estão Alemanha (58,5 bilhões de metros cúbicos), Turquia (24 bilhões de metros cúbicos), Itália (22,8 bilhões de metros cúbicos), Reino Unido (14,3 bilhões de metros cúbicos) e França (13 bilhões de metros cúbicos).

Além disso, a Rússia exportará à China anualmente 1,3 trilhão de metros cúbicos de gás assim que a construção do gasoduto Sila Sibiri estiver concluída.

Já o gás natural liquefeito russo compôs 5,8% de todas as exportações de energia russas e foi destinado principalmente a Japão, Coreia do Sul e Taiwan, segundo os dados do Grupo Internacional de Importadores de GNL.

Rússia desenvolve energias alternativas?

A Rússia está gradualmente investindo em energias renováveis, criando a infraestrutura e obtendo as competências necessárias, segundo Mitrova. As autoridades estão tentando criar condições para que as energias renováveis sejam economicamente competitivas.

“Isso é o que o governo russo está tentando fazer com a energia eólica e solar. Eles criaram uma tarifa especial para essas fontes de energia para torná-las mais atraentes do que todas as outras. O governo pretende criar uma infraestrutura de produção de equipamentos que permitirá vender esse tipo de energia a um preço menor”, explica Mitrova.

Segundo ela, o governo terá que empreender um programa de subsídio às fontes de energia renovável durante os próximos 10 a 15 anos.

Um dos primeiros exemplos positivos de produção de energia renovável é a usina eólica de 900 quilowatts construída pela empresa RusHydro na região da Iakútia, no Extremo Oriente da Rússia.

A empresa também construiu 19 usinas de energia solar com capacidade combinada de 1,6 megawatts e quatro usinas eólicas com capacidade conjunta de 3,1 MW no Extremo Oriente da Rússia.

LEIA TAMBÉM: Por dentro das megaestruturas russas: a maior hidrelétrica do Extremo Oriente

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