5 livros obrigatórios para conhecer Bulgákov

Russia beyond (Foto: Press photo; Domínio público)
Este sábado (15 de maio) marca os 150 anos de nascimento do autor de “O Mestre e Margarida”. Um dos escritores mais misteriosos e engraçados da Rússia, ele teve uma vida turbulenta e complicada e problemas com a censura e o sistema soviético. Tudo isso se refletiu em suas brilhantes obras.

1. “A Guarda Branca

Cena de

Primeiro romance de Bulgákov, este livro retrata a cidade de Kiev, que fazia parte do Império Russo e vivia então o turbilhão da Guerra Civil que ocorreu na Rússia após a Revolução Bolchevique. Em 1918, a cidade ainda não tinha sido tomada pelos bolcheviques e muitos dos militares e nobres tsaristas foram para lá.

O livro conta a história da família Turbin, que é pega pelos turbulentos eventos políticos. A casa deles é o último abrigo de uma vida anterior, agora arruinada pela guerra. Eles ainda recebem convidados e bebem chá, mas o mundo mudou e as pessoas reagem às novas circunstâncias de maneiras diferentes: alguns se tornam traidores, outros fogem, enquanto alguns poucos preferem morrer lutando.

Este é um romance quase autobiográfico e os membros da família de Bulgákov tornaram-se protótipos de seus personagens, enquanto a casa em que os Turbin vivem é claramente semelhante à casa real de Bulgákov em Kiev.

“A Guarda Branca” foi publicado em 1925 e, no mesmo ano, Bulgákov, escreveu uma peça baseada no romance. “Os Dias dos Turbin” se tornou uma das peças mais encenadas nos teatros russos e russófonos. Apesar de a trama abarcar oficiais antibolcheviques, o próprio Stálin gostou da peça e a assistiu várias vezes no teatro.

2. “Anotações de um jovem médico e outras narrativas

Cena do seriado de 2012-2013.

Um jovem médico chega a uma aldeia do interior para iniciar seu trabalho. Ele ainda é muito inexperiente, mas tem que realizar tarefas incrivelmente complicadas: amputações, uma traqueotomia e um parto que exigia virar o bebê no útero. Este livro ganhou ainda mais popularidade depois que foi adaptado para uma série estrelada por Daniel Radcliff, em 2013.

Na verdade, ele é uma coleção de contos semiautobiográficos, já que Bulgákov trabalhou como médico por muitos anos. Depois de se formar na faculdade de medicina da Universidade de Kiev, ele foi médico militar durante a Primeira Guerra Mundial e, depois, enviado para uma pequena aldeia na região de Smolensk.

O ciclo de “Anotações de um jovem médico” não inclui seu popular conto “Morfina”, que é frequentemente relacionado a ele. Nele, um jovem médico encontra os diários de sua companheira, que se tornou viciada em morfina. Outro tema quase autobiográfico da vida de Bulgákov, que também sofreu pelo vício em morfina por um tempo.

3. “Coração de Cachorro

Cena do filme de 1988.

No alvorecer de um novo país, a União Soviética, um cirurgião genial de Moscou chamado professor Preobrajênski (cujo protótipo teria sido o tio de Bulgákov) faz um experimento científico fora do comum. Ele pega um cachorro vira-lata e transplanta uma parte de um cérebro humano e testículos nele.

Como resultado, o cão assume a forma humana — mas se torna um bêbado e desordeiro, embora se adapte perfeitamente à nova sociedade soviética. Nesta obra, Bulgákov zombava do fato de pessoas com pouca educação das classes baixas pré-revolucionárias de repente se tornavam a classe dominante.

O livro foi escrito em 1925, mas o manuscrito foi confiscado pelos serviços de segurança do Estado. No entanto, o livro circulou entre a intelligentsia soviética por meio de samizdat (cópias feitas à mão ou à máquina) nos anos 1960 e causou um verdadeiro fuzuê. “Coração de cachorro” só ganhou uma edição oficial após a Perestroika, em 1987.

A história é incrivelmente popular entre os russos, especialmente graças a sua brilhante adaptação para a TV, e tornou-se “viral”: uma porção de citações se tornaram aforismos.

4. “Um romance teatral

Cena do filme de 2002.

Um escritor e dramaturgo moscovita leva o leitor a dar uma olhada por trás das cortinas da vida teatral e literária de Moscou na década de 1930. Ele entra em várias instituições sugerindo que suas obras sejam publicadas ou encenadas, mas a censura não aprova nenhuma delas.

Esta é mais uma obra semi-autobiográfica de Bulgákov. Na década de 1920, ele mudou-se para Moscou e, depois de algum tempo, começou a trabalhar como dramaturgo e diretor teatral. Várias de suas peças foram um grande sucesso nos teatros de Moscou, mas, ao mesmo tempo, muitas delas foram proibidas pela censura soviética. Bulgákov sofria com os críticos oficiais acusando-o de antissoviético. Muitas vezes, por não poder ver seu trabalho publicado ou encenado, ele sofria com a falta de dinheiro.

Em “Um Romance Teatral”, ele zomba de escritores e diretores excêntricos e de vários funcionários envolvidos no processo teatral. Bulgákov descreve uma versão exagerada das coisas que ele mesmo viveu. Mas, para não sofrer ainda mais, ele escreve que todos os fatos descritos ali são inventados e ficcionais.

5. “O Mestre e Margarida”

Cena do seriado de 2005.

Dois escritores soviéticos caminham pelo centro de Moscou quando encontram um estranho, provavelmente um estrangeiro. Mas este homem inteligente parecia ser o próprio diabo. Depois de sua chegada a Moscou, coisas incrivelmente estranhas e misteriosas começam a acontecer. Ele age como se quisesse ensinar-lhes uma lição de moral e verdade.

O Mestre está escrevendo um romance sobre Jesus de Nazaré e Pôncio Pilatos. Os capítulos de seu romance são intercalados dentro do livro e existem como uma metanovela. Como o trabalho da vida do Mestre está sendo criticado e proibido de ser publicado no novo Estado soviético antirreligioso, ele está ficando louco e acaba em um hospital psiquiátrico. Para salvá-lo, sua amada Margarita decide assinar um contrato com o diabo...

Este é, sem dúvida, o romance mais famoso de Mikhaíl Bulgákov e o livro mais diabólico da literatura russa. O autor começou a trabalhar nele a partir do final dos anos 1920 até sua morte, em 1940.

Mas ele só foi publicado oficialmente na URSS em 1966 e com edições muito censuradas. Pesquisadores dizem que o romance contém muito de autobiográfico. O mais surpreendente é que a mulher de Bulgákov, Elena, pode ter colaborado com a KGB (o que pode ter sido feito para salvar seu marido da prisão). Ele retratou isso no livro como um contrato com o diabo, mas justificado por uma grande missão: salvar a pessoa amada.

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