Rússia apresenta, pela primeira vez, 6 indicações para o Globo de Ouro

Cena do filme The Bull

Cena do filme The Bull

Boris Akopov / VGIK-Debut, 2019
Longas foram submetidos para concorrer a vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira da premiação norte-americana em 2020. Veja por que vale a pena assistir a cada um deles.

1/ Uma Mulher Alta

Estreia em 12 de dezembro

A comunidade cinematográfica tem grandes esperanças para o diretor Kantemir Balagov, de 28 anos. Em 2017, seu filme de estreia “Tesnota” causou alvoroço no Festival de Cannes, onde foi selecionado para competir no programa paralelo Un Certain Regard e levou o prêmio da FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema). Até então, o destino do segundo filme também parece promissor: a história das relações entre duas amigas no pós-cerco a Leningrado já começou a fazer o história na temporada de festivais europeus, vencendo, por exemplo, em Cannes – tanto o prêmio da FIPRESCI, como Melhor Diretor no Un Certain Regard.

A história é centrada em uma mulher chamada Iya (apelidada de Mulher Alta), artilheira antiaérea que foi desmobilizado após ser atingida por uma bomba e que agora trabalha como enfermeira e cria um menino. Certo dia, sua amiga Masha, que acabara de voltar do fronte, aparece na porta de casa. É outono de 1945. O que acontece a seguir se desenrola nas decisões não convencionais das duas mulheres e nas histórias emocionantes de apoio uma a outra. Há morte, chantagem, sexo, manipulação psicológica e, enfim, relacionamento homoafetivo.

2/ Kaddish

Sem previsão de estreia no Brasil

Este é o terceiro da série de filmes de Konstantin Fam relacionados às consequências da Segunda Guerra Mundial. O primeiro – o curta-metragem “Shoes” – foi lançado em 2012 e ganhou prêmios em vários festivais russos e internacionais, incluindo uma indicação ao Oscar. O segundo filme, “Brutus”, que conta a história da guerra pelos olhos de um pastor alemão, também foi incluído na lista preliminar ao Oscar e levou prêmios em Nevada e Los Angeles (EUA), Sochi, Hong Kong e Helsinque.

A história gira em torno do testamento de um ex-prisioneiro de um campo de concentração. Quando nossos contemporâneos – um violinista de Moscou e um jovem professor judeu de Nova York – chegam para resolvê-lo, isso muda completamente suas vidas. Segundo o diretor, este é um filme importante sobre a dor causada pela guerra e sobre a importância de lembrá-la, sobretudo na realidade atual. É um longa para quem gosta de dramas de guerra sem bombardeios. 

3/ The Bull

Sem previsão de estreia no Brasil

Este filme se passa na década de 1990 – um período de gangues criminosas em todos os bairros, crise econômica, skinheads, soco-inglês e máfia tchetchena – e todos tentam sobreviver da melhor maneira possível. O protagonista, apelidado de “O Touro”, é um jovem de grande coração (literalmente, porque possui um problema cardíaco; e no sentido figurado, pois também se vê no caminho do crime na tentativa de sobreviver). Os tempos são o que são, e não lhe resta outra opção.

Esta imagem de um universo provinciano é retratada no longa de estreia de Borís Akopov. O filme conquistou o prêmio máximo no Kinotavr, o principal festival de cinema da Rússia. Segundo os críticos, em grande parte, deve seu sucesso a inúmeros clichês e elementos que marcaram a época, como o videogame SEGA Mega Drive, papel com foto adornando as paredes de apartamentos, câmeras instantâneas Polaroid e raves – tocando tanto júri quanto os telespectadores, tomados pela nostalgia. 

4/ Saving Leningrad

Sem previsão de estreia no Brasil

O enredo é baseado em uma história verídica, do outono de 1941, que permaneceu secreta até 2004. A cidade de Leningrado (atual São Petersburgo) é cercada por tropas alemãs, e as pessoas fogem do local às pressas em uma barcaça. A missão da barcaça é evacuar as pessoas e seguir a “Estrada da Vida”, a única rota de transporte que liga a cidade ao continente através do lago Ladoga. Os fatos subsequentes já são esperados desde o início: a barcaça superlotada começa a afundar bem no meio do lago. A situação se agrava ainda mais com uma tempestade forte e um ataque aéreo alemão.

Na Rússia, o lançamento desse sucesso de bilheteria coincidiu com o 75º aniversário do levantamento do Cerco a Leningrado. Curiosamente, o diretor Aleksêi Kozlov rodou o filme inteiro em condições reais, usando dezenas de adereços complicados, maquetes e instalações experimentais – uma grande raridade nos dias de hoje.

5/ Estranhos da Paciência

Estreou em 18 de outubro de 2018 (Mostra Internacional de São Paulo)

Os acontecimentos se passam nos dias de hoje. Um fotógrafo de sucesso em São Petersburgo está se preparando para uma grande exibição em Veneza. Ele encontra então uma encantadora modelo surda e muda do interior do país. No entanto, as sessões de fotos em sua casa vão se prolongando e continuam dia após dia – até sua musa se transformar em uma espécie de prisioneira.

A estreia mundial do thriller psicológico de Vladímir Alenikov aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Montreal, onde venceu um prêmio.

6/ Wild League, codirigido por Andrêi Bogatirev e Art Camacho

Sem previsão de estreia no Brasil

Para ficar com a garota que ama, o jovem camponês Varlam deixa sua cidadezinha e vai a Moscou para fazer dinheiro. Lá se envolve em brigas e é notado pelo proprietário britânico de um clube de futebol, que lhe oferece um contrato. Porém, a equipe rejeita o russo, e Varlam decide mostrar seu “próprio futebol”.

Esse drama esportivo, que se passa no início do século 20, é baseado na história real do primeiro time de futebol profissional da Rússia, o KGO (abreviação russa para “Sociedade de Ginástica Kolomna”). Com muito humor russo, mostra como o futebol se tornou parte importante da vida no país eslavo.

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