Vassíli Surikov, o pintor que retratou a história da Rússia e as virtudes de seu povo; veja imagens

Esta quinta-feira (24) marca o 171º aniversário de nascimento do artista siberiano.

Vassíli Surikov nasceu em 1848 em Krasnoiarsk, na Sibéria. Seu forte desejo de estudar pintura o levou primeiro a São Petersburgo, onde estudou na Academia local entre 1869 e 1875. 

“Vista do monumento de Pedro, o Grande, na Praça Senatskaia, São Petersburgo”, 1870

Em 1877, Surikov mudou-se para Moscou, e mais tarde ingressou na Associação de Exposições de Arte Itinerante. Na capital, Surikov produziu suas obras mais importantes, incluindo pinturas históricas monumentais como “Menchikov em Berezovo”, 1883...

“Menchikov em Berezovo”, 1883

...e “Boiarinia Morozova”, 1887. Com a profundidade e discernimento de um verdadeiro historiador e visionário religioso, o artista revelou nessas pinturas as trágicas contradições da história e a lógica sobrenatural com que esta avança, além de mostrar a luta das forças históricas na época de Pedro, o Grande, durante o cisma.

“Boiarinia Morozova”, 1887

O grande protagonista dessas imagens é o povo russo, as massas em toda a sua diversidade, desnudando o caráter nacional russo. 

“A princesa visitando o mosteiro das mulheres”, 1912

Surikov sentia-se atraído por fortes personalidades vibrantes nas quais o espírito rebelde do povo se revela: a determinação feroz e o espírito indomável do barba ruiva Streltsi em “Manhã da Execução de Streltsi”, de 1881, e a paixão e ascetismo fanático de Boiarinia Morozova na pintura epônima.

“Manhã da Execução de Streltsi”, 1881

Com grande habilidade e amor, esse gênio nacional retratou vividamente as praças e ruas da antiga Moscou, tomada por multidões de pessoas. O artista retrata com maestria os detalhes de roupas, utensílios, bordados, esculturas de madeira, arquitetura religiosa e paisagens rurais. 

“O campanário de Ivan, o Grande e a cúpula da Catedral de Uspenski”, 1876

Após a morte repentina de sua mulher, em 1888, Surikov entrou em uma grave depressão e perdeu o interesse pela pintura. Ninguém sabe a dor e a angústia mental que suportou. Mas sua vontade de viver e produzir arte não acabou.

A pintura “Jesus Curando Homem Cego”, de 1888, na qual o recipiente do milagre revela uma certa semelhança com o artista, é peculiarmente simbólico de seu próprio esclarecimento.

“Jesus Curando Homem Cego”, 1888

Ao superar a angústia espiritual (após uma viagem à Sibéria entre 1889 e 1890), o artista criou a extraordinariamente brilhante e alegre tela A tomada da torre de gelo, em 1891, retratando a clássica imagem do povo russo, cheio de ousadia, saúde e alegria de viver.

“A tomada da torre de gelo”, 1891

Em suas pinturas históricas da década de 1890, Surikov mais uma vez revisita o tema da história nacional. A obra “A conquista da Sibéria por Iermak”, de 1895, retrata o heroísmo dos guerreiros russos em prol da libertação de sua terra natal.

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A pintura foi apresentada na 23ª Exposição Itinerante, em São Petersburgo. A mostra recebeu as visitas do tsar Nicolau 2º e da Imperatriz Aleksandra, que comprou o quadro por 40.000 rublos. Na época, o país estava comemorando o 300º aniversário da conquista da Sibéria e a abertura da Ferrovia Transiberiana, de modo que Surikov, inadvertidamente, “acertou em cheio”, assumindo o papel de pintor oficial.

“A conquista da Sibéria por Iermak”, 1895

Em 1895, o Conselho da Academia concedeu-lhe o título de acadêmico. A tela “Suvorov Cruzando os Alpes”, de 1899, celebra a coragem e a bravura do Exército russo. Mas falta a esses trabalhos a perfeição de suas obras-primas dos anos 1880.

 “Suvorov Cruzando os Alpes”, 1899

O trabalho histórico seguinte do artista foi “Stepan Razin”, em 1910. As primeiras esquisses foram apresentadas em 1906 em uma exposição em Moscou, mas Surikov não ficou satisfeito com os resultados – não sentiu a unidade entre Razin e os demais personagens e, por isso, voltou ao tema e tentou aperfeiçoá-lo.

“Stepan Razin”, 1910

O gênero da pintura histórica foi muito popular no século 19. Em geral, as pinturas históricas aderiam a todos os cânones da arte clássica: delicadamente executadas, eram um tanto reminiscentes de produções teatrais sobre temas históricos.

As pinturas de Surikov não se encaixavam no padrão: o autêntico século 17, formidável e implacável, olhava para o observador da tela. Seu poder de expressão era tão extraordinário que ninguém duvidava de que, de alguma forma, tivesse “visto com seus próprios olhos”. 

“Rosto de Boiarinia Morozova”, 1886

Além de suas obras sobre temas da história russa, Surikov também produziu alguns retratos de câmara, nos quais o talento do mestre para retratos e profundo interesse no mundo espiritual do povo russo se manifestou. 

“O retrato de sua filha Olga” (Olga tornou-se esposa de outro proeminente artista russo, Piotr Kontchalovski), 1888

Totalmente imerso em suas pinturas como se estivesse vivo nelas, Surikov sofria de “terríveis pesadelos (...) Toda noite vejo execuções. O cheiro de sangue está por toda parte. Tenho medo da noite. Eu acordo e me alegro, olho para a pintura. Graças a Deus, esse horror não existe. Tudo é mantido em minha imaginação, para não sobrecarregar o espectador. Assim, a calma pode prevalecer. Eu me esforço muito para não perturbar meu público com sentimentos desagradáveis. Poderia dizer que sou puro, mas outros (...) Afinal, o sangue, as execuções, eu estive lá, passei por isso”.

“O assassinato de Júlio César”, 1875

Em seus últimos anos, Surikov produziu diversos retratos e autorretratos. Considerando que seus retratos anteriores (com algumas exceções) – “Retrato de uma mãe”, de 1887, "Com um violão”, de 1882; “Retrato de Olga Surikova”, de 1888, e outros – estavam de certo forma ligados às suas grandes visões históricas, eles adquiriram então seu próprio valor intrínseco: “Retrato do Dr. A.D. Iezerski”, de 1910; “Retrato de um homem com uma mão machucada”, de 1913.

“Retrato de um homem com uma mão machucada”, 1913

O artista passou o verão de 1915 na Crimeia, tomando sol e caminhando pelas montanhas. O esforço foi demasiado para o seu coração fraco.

 “Montanhas Ai-Petri, Crimeia”, 1908

Surikov faleceu em 6 de março de 1916. “Estou desaparecendo” foram as palavras finais do grande artista russo do século 19.

“Autorretrato”, 1879

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