Como um coronel soviético criou primeiro sintetizador musical

Evguêni Murzin, diretor e supervisor científico do estúdio experimental da empresa Melodia.

Evguêni Murzin, diretor e supervisor científico do estúdio experimental da empresa Melodia.

M. Filimonov/RIA Novosti
Invenção foi batizada em homenagem a famoso compositor russo.

Nada melhor que um sintetizador para simbolizar a inovação musical da segunda metade do século 20. Poucas pessoas, no entanto, sabem que foi o coronel do Exército Vermelho Evguêni Murzin quem inventou o primeiro sintetizador musical, em 1958. Em 25 de outubro deste ano, celebram-se os 103 anos de seu nascimento.

Nascido em 1914, Evguêni Murzin estudou no Instituto de Engenharia de Moscou. Durante a Segunda Guerra Mundial e após o conflito, ele liderou o desenvolvimento científico de um detector eletromecânico antiaéreo.

Murzin ganhou o prêmio Stalin por esta invenção e se tornou engenheiro-chefe do centro de comando do sistema de defesa aéreo do país.

Fã de música, ele queria misturá-la à tecnologia e, em 1938, quando ainda era estudante, teve a ideia de criar uma máquina que pudesse fazer qualquer tipo de som, timbre e intervalo que um compositor quisesse.

A invenção foi baseada no método de gravação de som foto-ótico, usado em cinematógrafos, que tornou possível obter uma imagem visível de uma onda sonora e também sintetizar um som a partir de uma onda sonora gerada artificialmente.

Por causa da guerra, ele levou quase 20 anos para colocar a ideia em prática. O primeiro modelo de sintetizador musical, batizado em homenagem ao inovador compositor russo Alexander Nikolaevich Scriabin, surgiu em 1958, e foi exibido em Londres e Paris.

O aparelho se tornou conhecido como ANS, as inicias do nome do compositor.

Estrela musical

ANS, o primeiro sintetizador musical eletrônico soviético.

O ANS foi levado para o Museu Scriabin, em Moscou, e tornou-se a principal atração do local, sendo usado com frequência em eventos musicais.

O instrumento abriu novos horizontes criativos para a comunidade musical de Moscou, capaz de criar qualquer som de 720 faixas de áudio.

Não havia teclas, e em seu vidro havia uma linha pela qual um raio de luz passava para as fotocélulas. Era semelhante a uma pintura de música.

A invenção era perfeita para aquela era – tempo de exploração espacial -, e o ANS podia criar “música espacial”.

Diferente de sintetizadores modernos, o instrumento não foi feito para performances, mas apenas para a criação de sons.

O ANS foi estrela de muitos filmes soviéticos, depois que Murzin criou um laboratório especial para trabalhar com o aparelho.

Os compositores soviéticos Eduard Artemiev e Stanislav Kreichi usaram o ANS para escrever trilhas sonoras para filmes como “Diamond Arm”, “Solaris” e “O Espelho”.

 “Solaris foi o único filme em minha carreira musical onde a linguagem dos eletrônicos era a base da trilha sonora”, lembrou mais tarde Artemiev.

Em 1967, o Estúdio Experimental de Música Eletrônica liderado por Murzin foi inaugurado no Museu Scriabin, em Moscou.

Naquela época, ele já tinha deixado o exército. Em 1969, o compositor soviético alemão Alfred Schnittke compôs sua peça “Electronic Stream” no ANS. Como Schnittke lembrou mais tarde, “foi uma tentativa de formalizar a acústica”.

Após a morte de Murzin em 1970, seu ANS foi usado para treinar pessoas para falar e aprender a linguagem dos golfinhos.

O instrumento depois foi levado para a Universidade Estadual de Moscou, onde permanece até hoje.

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