Tudo sobre o sistema de defesa aérea que derrubou um satélite do espaço

Ministério da Defesa da Rússia/TASS
A primeira unidade do sistema de defesa antiaérea de nova geração S-500 já está defendendo a capital russa e, segundo especialistas, será vendida para diversos países estrangeiros até o final da década. Enquanto isso, supõe-se que ele já tenha derrubado um satélite do espaço.

A recente destruição de um antigo satélite soviético no espaço atraiu muita atenção à nova arma que supostamente lançou o míssil para a órbita da Terra. O sistema de mísseis antiaéreos S-500 "Prometey" é um complexo universal de longo alcance que pode abater alvos de cruzeiro, incluindo mísseis balísticos. É o primeiro complexo de mísseis capaz de derrubar alvos aerodinâmicos e mísseis hipersônicos na órbita próxima da Terra, ou seja, a mais de 100 quilômetros de altura.

O comando militar russo não divulga detalhes sobre as caraterísticas técnicas do S-500, mas, segundo as informações já reveladas, o sistema pode atingir alvos a uma distância de até 600 km, ou seja, 200 quilômetros a mais que os sistemas S-400 que estão defendendo as fronteiras da Rússia.

Segundo a imprensa russa, até hoje, o exército russo recebeu apenas um sistema de defesa aérea S-500, que é usado no 15º Exército das Forças Aeroespaciais Russas para defender Moscou e o Distrito Industrial Central.

Segundo Víktor Murakhôvski, editor-chefe da revista "Arsenal da Pátria", o sistema de defesa aérea da nova geração ainda não está totalmente pronto.

“Os militares receberam uma versão piloto do S-500. Esse sistema ainda não conta com diversas funções e características necessárias para ser chamado de unidade de defesa aérea da nova geração”, diz.

De acordo com ele, isto é uma prática normal: o exército sempre recebe versões piloto de novas armas para que os desenvolvedores possam consertar os menores problemas e adaptar a arma para o uso prático. Ao mesmo tempo, os militares russos estão continuando os testes de tiro do sistema e treinando equipes para operar o S-500.

“O primeiro complexo S-500 será entregue ao exército quando o desenvolvimento do complexo for concluído, provavelmente em 2022. As entregas em massa começarão em 2024”, diz Murakhôvski.

Exportação para Índia, China e países da Otan

De acordo com o diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnica Militar, Dmítri Chugaev, a Índia, a China e vários outros países poderão se tornar os primeiros compradores estrangeiros dos sistemas S-500. Especialistas militares acreditam que a Turquia também está na lista dos primeiros potenciais compradores

“Tendo em conta que o Ministério da Defesa anunciou os planos para desenvolver o sistema ainda mais novo S-550, o complexo S-500 provavelmente será fornecido para a China, Índia e Turquia, que já estão usando os complexos S-400 russos”, diz o analista político da Universidade Estatal de Moscou, Artiom Kosorukov.

Segundo ele, a principal vantagem do S-500 sobre seus análogos estrangeiros é seu radar de longo alcance, que permite derrubar não apenas aviões furtivos, mas também mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, mísseis hipersônicos e veículos aéreos não tripulados.

Especialistas militares afirmam que a exportação dos sistemas S-500 começará apenas quando as forças russas estiverem totalmente equipadas com eles, ou seja, em 2028.

"Os modelos de exportação sempre diferem, eles não usam tecnologias secretas e têm menos funções. Em outras palavras, os engenheiros protegem seus desenvolvimentos mais avançados e, mesmo se um cliente desmontar um S-500, ele não verá nada de inovador", diz o presidente da União Russo-Asiática de Industriais e Empresários, Vitáli Mankêvitch.

Segundo Maksim Startchak, pesquisador do Centro de Política Internacional e de Defesa da Universidade Queens, a versão para exportação terá um alcance de radar reduzido em algumas centenas de quilômetros.

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