Como a Rússia treina seus soldados para operar os sistemas S-300 e S-400

Sergei Malgavko/TASS
Após intenso treinamento de campo, somente os ‘homens-mísseis’ mais durões garantem proteção dos céus contra ameaças.

As tropas de defesa aérea da Rússia estão equipadas com sistemas de mísseis poderosos, que protegem os céus de países ao redor do mundo. Os militares russos passam cinco anos preparando-se para usá-los e poucos ultrapassam os desafios para se tornar guardas de fronteira armados até os dentes com os S-300s e S-400s.

O treinamento de militares para repelir um possível ataque de mísseis tem dois estágios. O primeiro consiste em estudar os planos do teórico ataque aéreo do inimigo e a preparação para detê-lo.

“O dispositivo de cálculo de cada sistema transmite seu plano de ação ‘oralmente’ e no papel. O objetivo é maximizar o uso do potencial do sistema e o poder de disparo de seus mísseis para, assim, abater o maior número possível de alvos aéreos”, disse Dmítri Safonov, ex-colaborador militar do jornal ‘Izvêstia’, ao Russia Beyond.

Durante o treinamento nas academias militares, uma quantidade significativa de tempo é destinada a esse estágio, e os professores podem repreender severamente os futuros oficiais caso não tenham conseguido compreender alguma etapa.

Após a preparação, o modelo computacional da situação passa para o “papel”.

“Aqui são determinadas todas as ações da equipe de cálculo do sistema de defesa aérea: as informações que eles passam uns aos outros e à equipe de direção são anotadas, assim como as ações do grupo. Simultaneamente, o ‘cenário de combate’ é dificultado por interferências e possíveis falhas nos sistemas. Desse modo, é criada uma simulação completa do combate real, para que a equipe esteja preparada ao máximo para todas as situações da vida real”, acrescentou o especialista.

Treinamento ‘prático’

É aqui que acontece a parte mais interessante: o segundo estágio compreende ao aperfeiçoamento do sistema no campo de tiro, com disparos reais. A diferença, porém, é que esses testes são disparados sem munição e contra os homens-mísseis.

“Alguns combatentes voam dos campos de tiro próximos que devem penetrar o escalão de defesa aérea. São feitos disparos contra eles – obviamente, apenas em computadores. Os aviões lançam projéteis ou mísseis no alvo e deixam a trajetória de voo para que os mísseis S-300 reais não os abatam”, explicou Safonov.

Além disso, durante os disparos, alvos ou drones são geralmente enviados a partir do solo, e os ‘homens dos mísseis’ devem rastrear e derrubá-los.

“Tudo é realizado em três estágios: o radar detecta e captura o alvo, é feita a estimativa da trajetória de voo do alvo para o solo, e o míssil é lançado para atingir o objeto. Em seguida, o dispositivo de cálculo monitora a situação no ar, enquanto as máquinas de recarga reabastecem o conjunto de combate das unidades.” 

Estrutura de defesa da Rússia

O sistema de defesa antiaérea da Rússia conta com mísseis antiaéreos S-300 e S-400.

Essas máquinas detectam alvos a uma distância de 250 a 400 km e seus mísseis podem derrubá-los a uma distância de 150 a 250 km. Os objetos inimigos podem ser abatidos mesmo se estiverem voando a uma velocidade de 2,5 km/s.

Além disso, os radares do S-400 e do S-300 são capazes de detectar até 36 alvos, e cada instalação de lançamento pode disparar simultaneamente contra 12 objetos.

Os dados exatos sobre a quantidade de tecnologia e número de militares são confidenciais. Mas o número de instalações antimísseis, radares de vigilância e sistemas de acompanhamento e mira podem chegar a várias centenas.

Soldado de batalhão do Sistema de Mísseis de Defesa Aérea do Distrito Militar Oriental

“Os sistemas de artilharia antimísseis Pantsir-S1 dão apoio aos sistemas S-300 e S-400. Este é um escalão de defesa aérea de curto alcance que ‘aniquila’ os mísseis que, por ventura, seus antecessores atingiram nos arredores da cidade”, destacou o professor de ciências militares Vadim Koziulin.

Segundo ele, o Pantsir-S1 tem um alcance de 10 a 15 quilômetros.

“Além desses sistemas de defesa aérea, os céus também são protegidos pelos caças interceptadores Su-30MS, Su-35, MiG-29 e MiG-31. Os aeroportos onde estão localizados ficam perto das bases do sistema de defesa aérea”, completou Koziulin.

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