Físicos russos avaliam uso de armas nucleares para destruir asteroides

Getty Images
Experimentos envolvem cópias em miniatura exatas de corpos celestes perigosos. Método, porém, é criticado por astrônomos.

Um grupo formado por cientistas do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou (MIPT, na sigla em inglês), do Instituo de Pesquisa Espacial e de outros dois institutos de pesquisa da Corporação Estatal de Energia Nuclear (Rosatom) estão calculando o efeito destrutivo de explosões nucleares em asteroides perigosos.

“Nós desenvolvemos coeficientes e condicionamentos para diferentes tipos de asteroides que nos permitirão simular rapidamente a explosão e encontrar critérios para destruição”, disse Vladimir Ufa, professor associado do MIPT.

Durante o experimento, os físicos russos criaram um modelo em miniatura com características do asteroide, incluindo forma e estrutura; segundo eles, a temperatura e a pressão que foram necessárias para destruir a cópia em miniatura do asteroide com um laser são comparáveis ​​a uma explosão nuclear de um objeto real.

Os modelos foram criados a partir de uma substância dos meteoritos mais comuns, levando em consideração aspectos como composição química, densidade, porosidade e força. Os processos naturais de formação de asteroides – precipitação, compressão e aquecimento – também foram respeitados, originando formas diversas.

“Também estamos trabalhando em um método de deflexão de um asteroide sem destruí-lo, e esperamos que nossos colegas internacionais se juntem a nós”, disse Ufa.

As pesquisas com modelos em miniatura de várias forças e composição prosseguirão, pois acredita-se que a forma das cópias possa influenciar os critérios de destruição.

Pesquisa desde Tcheliabinsk

Os cientistas russos têm estudado as possibilidades de explodir asteroides com armas nucleares desde o dia em que um meteorito de 20 metros de diâmetro caiu nos arredores de Tcheliabinsk. Na ocasião, as janelas de mais de 3.600 prédios ficaram estilhaçadas, o telhado de uma fábrica cedeu, e mais de 1.200 pessoas receberam atendimento devido a ferimentos causados por detritos e cacos de vidro.

Em 2016, uma equipe de pesquisadores da Universidade Estatal de Tomsk conduziu uma série de testes, usando o supercomputador SKIF, para avaliar as possibilidades de explodir um asteroide de 200 metros de largura com armas nucleares.

Pouco antes, especialistas da agência espacial russa (Roscosmos) participaram de um estudo pan-europeu voltado ao uso de armas nucleares contra ataques de asteroides.

No entanto, embora os cientistas nucleares afirmem ser possível determinar a força exata de uma explosão usando cópias de asteroides, a proposta é alvo de críticas entre astrônomos. O diretor do Instituto Russo de Astronomia, Boris Chustov, comparou o método com “usar um martelo a vapor para quebrar uma noz”.

Na semana passada, o presidente Vladimir Putin apresentou um novo míssil com motor nuclear que pode realizar manobras militares sem limite de tempo. Leia mais.

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