Catedral de São Basílio completa 456 anos nesta quarta

Catedral sobreviveu a diferentes períodos históricos e regimes

Catedral sobreviveu a diferentes períodos históricos e regimes

Panthermedia/Vostock-photo
Um dos pontos turísticos mais visitados e fotografados de Moscou, a Catedral de São Basílio, celebra seu 456º aniversário nesta quarta-feira (12). Confira abaixo algumas curiosidades e relatos pouco conhecidos sobre sua história.

1. Seu nome oficial é Catedral da Intercessão da Santíssima Theotokos

Foi erguida entre 1555 e 1561 por ordem do tsar Ivan, o Terrível, para celebrar sua vitória sobre o Canato de Kazan, que aconteceu no feriado da Intercessão da Virgem Santa.

A igreja ficou conhecida então como a Catedral da Intercessão da Virgem Santa no Fosso devido a sua localização: até 1813, o Kremlin, vindo do lado da Praça Vermelha, estava protegido por um fosso.

Quatro das oito capelas da catedral foram nomeadas em referência a datas religiosas que coincidiram com os principais eventos na campanha em Kazan. Também há uma que recebeu o nome de Santíssima Trindade, pois acredita-se que na Idade Média havia uma Igreja da Trindade naquele local.

2. A catedral simboliza a Cidade Celestial

Segundo uma teoria, a catedral simboliza Jerusalém Celestial, ou, em outras palavras, o Reino de Deus, cujas paredes são decoradas com pedras preciosas. Já outra teoria, diz que seus arquitetos tentaram replicar a Igreja de Santa Maria de Blachernae, em Constantinopla, a cena do Milagre de Intercessão quando a Santíssima Virgem apareceu aos cristãos orando por proteção contra um exército sarraceno e cobriu todo o mundo cristão com seu manto.

3. São nove igrejas em uma

No início, o porão da futura catedral servia como base para nove pequenas igrejas construídas uma após a outra e conectadas por galerias e passagens. Curiosamente, no século 16, o porão era também usado para resguardar os cofres da igreja e as economias dos moradores mais ricos da cidade.

O exterior da catedral foi feito para parecer alvenaria, mas cada época deixou seu traço na arquitetura desse marco. Após um incêndio em 1595, as igrejas foram decoradas com abóbadas com aspecto de cebola, que adquiriram suas cores vivas de hoje apenas no século 18. Mais para frente, em 1817, durante uma renovação da Praça Vermelha, o arquiteto Joseph Bove reforçou o muro de contenção da catedral com pedra e ergueu uma cerca de ferro fundido.

4. O segundo nome da catedral deriva de um moscovita abençoado

O segundo nome da catedral – em honra a Basílio, o Abençoado – tem uma razão para existir. Basílio de Moscou, seguidor de Cristo, pôde ver o futuro e previu o fogo de 1547, em que quase um terço de Moscou foi destruída. Ao longo de sua vida, Basílio sofreu privações, era sem-teto e não usava roupas ou sapatos, independentemente do clima. Quando morreu, o Metropolita de Moscou Macário celebrou seu funeral, e o próprio Ivan, o Terrível carregou o caixão, juntamente com outros boiardos.

Depois de Basílio ser canonizado em 1588, uma décimo igreja foi adicionada à catedral, para onde suas relíquias foram transferidas, e todo o conjunto foi nomeado em homenagem ao novo santo.

Foto; Lori / Legion-MediaFoto: Lori / Legion-Media

5. Os arquitetos da catedral foram cegados após as obras

Há várias teorias sobre os responsáveis pelo projeto da catedral. A mais aceita é que a catedral foi projetado pelos arquitetos Barma e Postnik. Reza a lenda que Ivan, o Terrível, ordenou que os arquitetos fossem cegados após concluírem os trabalhos da catedral de modo que não pudessem replicá-la ou construírem outra ainda mais bela. No entanto, é improvável que se trate de mais do que uma lenda, uma vez que, mais tarde, Postnik se envolveu na construção da Catedral da Anunciação, bem como das paredes e das torres do Kremlin de Kazan.

Há, ainda, outra teoria segundo a qual a Catedral de Intercessão pode ter sido construída por um arquiteto italiano que estava trabalhando no Kremlin de Moscou.

6. Os franceses queriam explodir a catedral, e as autoridades comunistas, demoli-la

Situado bem no coração de Moscou, o templo esteve em perigo mais de uma vez. Em 1812, quando as tropas francesas estavam recuando, elas queriam explodir a Catedral de São Basílio, mas não tiveram tempo para fazê-lo. No final da década de 1920, as autoridades soviéticas decidiram botar a catedral abaixo, afinal, não estavam muito interessadas em ter “uma casa de culto” no centro da cidade. A catedral foi salva pelo arquiteto e restaurador Piotr Baranovski, que chegou a enviar um telegrama a Stálin pedindo para brecar os planos. Como resultado, a Catedral da Intercessão não foi demolida, mas Baranovski ficou sujeito a represálias por ‘atividade antissoviética’.

Foto: Lori / Legion-MediaFoto: Lori / Legion-Media

7. Apenas um sino original sobreviveu

O campanário da catedral permanece em operação. No entanto, contando a multidão de sinos que a catedral já teve desde que foi construída no século 16, apenas um sobreviveu até os dias de hoje. Em 1929, as autoridades soviéticas exigiram que os sinos de bronze fossem derretidos e, segundo o sineiro Aleksêi Konovalov, é um milagre que um dos sinos tenha sido preservado – incluindo o som que produz.

8. Hoje é um patrimônio mundial

A Catedral da Intercessão foi uma das primeiras a se tornar posse do jovem Estado soviético. Em 1923, foi convertida em um museu de história e arquitetura e, seis anos depois, tornou-se uma filial do Museu Histórico do Estado. No início dos anos 1990, a catedral, incluindo a Capela de Basílio, o Abençoado, voltou a ser usada para fins religiosos. Na mesma época, passou a ser um Patrimônio Mundial da Unesco.

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