‘Tchak-tchak’, o ouro de mel da Bachquíria

Além do sabor e da tradição, outra vantagem da receita é que ela tem grande duração devido às propriedades do mel como conservante Foto: Lori / Legion Media

Além do sabor e da tradição, outra vantagem da receita é que ela tem grande duração devido às propriedades do mel como conservante Foto: Lori / Legion Media

O “tchak-tchak”, uma massa frita banhada com mel, é, provavelmente, o doce mais tradicional da região russa da Bachquíria.

Sua origem exata é incerta, mas diz-se que o quitute foi criado por nômades da Ásia Central: em tempos remotos, esses errantes colhiam mel de abelhas selvagens e trituravam cereais silvestres, que eram usados em sua confecção. 

Feitos de pedacinhos de massa fritos em gordura de carneiro e regados com mel, os tchak-tchak eram dispostos em travessas uns sobre os outros, como um montículo dourado, forma que se preserva até os dias atuais. 
Apesar de ter sido inventado há muito, o tchak-tchak quase não sofreu alterações em sua receita. E, se hoje ele é um prato corriqueiro, no passado só aparecia em festas, sobretudo casamentos e visitas entre os pais dos noivos. 

Todas as mulheres participavam de sua confecção: as mais jovens preparavam e cortavam a massa, as casadas fritavam, e as mais velhas regavam com mel e lhe davam forma.

Para o povo bachquírio e o tártaro, o tchak-tchak simboliza a prosperidade e a união. Reza a lenda que um cã - título conferido aos antigos líderes das estepes asiáticas -, ao oferecer a guloseima ao filho e sua noiva nas bodas, desejou que eles “vivessem colados um a outro, como o tchak-tchak impregnado de mel, tivessem tantos filhos quanto os tchak-tchak que a massa rende e dispusessem sempre de ouro em abundância, como os montículos dourados de tchak-tchak dispostos nas travessas, subindo na vida”. 

Além do sabor e da tradição, outra vantagem da receita é que ela tem grande duração devido às propriedades do mel como conservante. Depois de pronto, o tchak-tchak pode ser consumido em até três semanas.

Ingredientes:
 
· 500 g de farinha;
· 1/2 copo de leite;
· 30 g de manteiga;
· 3 ovos;
· 2 colheres de sopa de açúcar;
· 1/2 colher de chá de sal;
· 300 g de mel;
· 200 g de açúcar;
· 300 a 400 ml de óleo.

Modo de preparo:

Bata os ovos com o açúcar e o sal. Peneire a farinha em um recepiente, adicione o leite, os ovos batidos, a manteiga derretida e misture bem. A massa deve ficar macia, sem grudar nas mãos. Caso fique seca demais, acrescente um pouco de leite.

Sove a massa por 5 a 7 minutos e deixe descansar por uma hora. Abra-a até que fique com uma espessura de 0,5 cm e corte-a em tiras de 1 cm a 1,5 cm de largura. Das tiras, faça rolinhos cilíndricos com cerca de 0,5 de diâmetro, da mesma maneira como no preparo do nhoque, mas corte em pedaços mais compridos que a massa italiana, como na foto. Se preferir, molde seus tchak-tchak em bolinhas.

Frite a massa já cortada e moldada em óleo até dourar, e deixe escorrer em papel toalha para tirar o excesso de óleo.

Aqueça o mel em fogo baixo, mexendo sempre. Adicione açúcar e continue mexendo até esse dissolver. Após a fervura, coloque em fogo alto e deixe por cerca de cinco minutos. Para obter uma consistência viscosa, mexa devagar, de vez em quando.

Em seguida, coloque a massa frita em um recepiente grande, despeje o mel e misture bem.

Molhe com água fria as mãos e a travessa onde será servido o tchak-tchak. Com as mãos, disponha a mistura de massa e mel na travessa, dando-lhe a forma que desejar. Se o mel começar a grudar nas mãos, molhe-as novamente com água fria.

Enfeite o prato com nozes picadas e frutas secas. Esses ingredientes também podem ser adicionados ainda na fase de misturar a massa frita com o molho de mel.

Priátnogo appetita!

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