Apesar da crise, turismo e restaurantes retêm clientes

Estabelecimentos tentam manter preços mesmo quando gastos estão vinculados a moedas estrangeiras Foto: Anton Butsenko/ TASS

Estabelecimentos tentam manter preços mesmo quando gastos estão vinculados a moedas estrangeiras Foto: Anton Butsenko/ TASS

Mercados e lojas são os mais afetados por economia fraca, revela pesquisa. Embora alguns setores tenham conseguido manter o fluxo de consumidores, aumento da inflação aperta cada vez mais grande parte da população russa.

De acordo com uma pesquisa da Fundação de Opinião Pública (FOM), 51% dos russos tentam superar a crise cortando gastos com comida, sobretudo carne, queijo e frutas.

“Antes, só o meu marido costumava a ir às compras”, conta Elena Azálina, de 45 anos. “A gente reservava 5.000 rublos [quase 285 reais] por semana para comida, e isso era suficiente. Mas agora já não podemos nos dar a esse luxo, e eu passei a ir ao mercado, porque meu marido não presta atenção aos preços.”

Além de afetar o setor alimentício, a crise que se instalou no país desde o final de 2014 também vêm causando preocupação entre os comerciantes. Estima-se, por exemplo, que 26% dos russos reduziram o consumo de roupas nos últimos meses.

“Se antes o fator determinante na compra de um produto era a marca, agora é o preço”, diz Alina Gruzdeva, consultora de compras on-line. “Quando os clientes telefonam, a primeira coisa que eles informam é o quanto podem gastar. Também diminuiu significativamente o interesse por tecnologias de luxo.”

Paralelamente, apenas 13% dos russos deixaram de comprar produtos de cosmética e perfumaria, e 12% reduziram os gastos em restaurantes e viagens.

“A crise não afetou o número de clientes nem o valor médio das contas”, diz a coproprietária do clube-restaurante Ribambelle, Oigul Mussakhanova. Em um dos mais estabelecimentos sofisticados da rede, as contas permanecem, em média, em 2.160 rublos (mais de 120 reais).

Para manter os clientes, os proprietários do Ribambelle decidiram não aumentar os preços, apesar de alguns dos gastos estarem vinculados a moedas estrangeiras.

Turismo interno

Uma pesquisa de opinião realizada em junho pelo Centro Nacional de Pesquisa de Opinião Pública (VTsIOM) revelou que, em meio a dificuldades financeiras, quase 40% dos russos planejavam passar o verão no próprio país.

Enquanto 26% da população prefere passar as férias nas datchas (casas de campo) e 11% quer conhecer a Rússia, apenas 6% sinalizou interesse de viajar para o exterior.

“Este ano a demanda pelo turismo interno aumentou cerca de 30%. As causas disso são a alta de moedas estrangeiras, a necessidade de obtenção de vistos e o preço elevado das passagens internacionais”, diz a consultora de turismo Olga Vólkova.

Entre os destinos mais populares no país estão a Crimeia, a região de Krasnodar e a Abecásia. Turquia, Egito e Grécia lideram os destinos preferidos pelos russos no exterior.

“Esses destinos no exterior estão sendo requisitos não pelos turistas que já viajaram para essas localidades no passado, mas por aqueles que este ano não tiveram dinheiro para ir a Espanha ou Itália”, acrescenta Vólkova.

Inflação disparada

Para alguns russos, entretanto, existem questões mais importantes do que a escolha do destino de férias ou a compra de roupas novas. Segundo a pesquisa da FOM, 39% dos entrevistados admitiram não ter dinheiro suficiente para viver até o salário seguinte.

“Eu dei à luz em fevereiro de 2014 e havia planejado ficar em casa por pelo menos um ano”, conta Evguênia Golítsina.

“Mas, quando a minha filha completou cinco meses, tive que voltar para o trabalho, pois o salário do meu marido não era suficiente, apesar de ele ganhar um extra com o trabalho de motorista que conseguiu nos finais de semana”, continua.

Atualmente, um em cada três russos pensa em conseguir uma fonte de rendimentos complementar ao salário, e apenas 13% deles estão satisfeitos com o salário atual.

De acordo com o Serviço Federal de Estatística da Rússia, desde o início do ano, os preços no país já subiram, em média, 8,5%. Pela previsão do Ministério do Desenvolvimento Econômico, a inflação chegará a quase 12% até o final do ano.

 

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