Economia russa se estabilizou, anuncia Pútin no Spief-2015

Pútin: "Previam que fôssemos ter uma crise profunda, mas isso não aconteceu" Foto: Valéria Charifúllin/TASS

Pútin: "Previam que fôssemos ter uma crise profunda, mas isso não aconteceu" Foto: Valéria Charifúllin/TASS

Discurso do líder russo no Fórum em São Petersburgo foi marcado por otimismo. Para manter a estabilidade recuperada, governo vai priorizar a cooperação com os países do Círculo do Pacífico e a criação de empresas competitivas.

Apesar das sanções e da queda do preço do petróleo, a economia russa conseguiu restaurar a estabilidade, declarou o presidente russo Vladímir Pútin, em discurso no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (Spief, na sigla em russo). Evento de três dias se encerra neste sábado (20).

“Ainda no final de 2014, previam que fôssemos ter uma crise profunda, mas isso não aconteceu. Estabilizamos a situação e estamos atravessando com confiança esse período de dificuldades”, disse Pútin. “Temos um orçamento estável, soubemos nos adaptar às novas condições, e conseguimos estabilizar a taxa de câmbio e manter as reservas.”

Segundo o presidente russo, as autoridades não recorreram a restrições na circulação de capitais, como feito em 2009. “Não respondemos às limitações externas com o fechamento da economia; pelo contrário, abrimos ainda mais”, afirmou Pútin.

Ao contrário do que se previa, as sanções econômicas não resultaram na redução das reservas dos fundos soberanos do país, que se mantiveram quase no mesmo nível: o fundo de reserva permanece em US$ 76,25 bilhões, e o Fundo Nacional de Previdência, em US$ 75,85 bilhões.

“A introdução das chamadas sanções nos levou a acelerar o trabalho de substituição das importações e, desse ponto de vista, há um enorme potencial na indústria petroquímica, nas indústrias leve e de processamento, nas farmacêuticas”, acrescentou o presidente, ressaltando a importância de utilizar recursos internos para desenvolver o próprio país.

De igual para igual

“O mapa do desenvolvimento econômico global está mudando: os países do Círculo do Pacífico e da Ansea [Associação de Nações do Sudeste Asiático] já cobrem um quarto da economia mundial e vão se tornar determinantes na demanda por bens e serviços”, afirmou Pútin.

O fortalecimento da parceria com os países do Círculo do Pacífico é um pré-requisito para o desenvolvimento do Extremo Oriente russo, onde já estão se formando áreas de desenvolvimento com foco em investidores asiáticos.

Apesar da guinada ao Oriente, Pútin deixou claro que isso não significa que a Rússia irá menosprezar a relação com seus parceiros tradicionais. “Queremos cooperar com todos que estejam dispostos a trabalhar em condições de igualdade.”

Tecnologia para o futuro

Após o sucesso das medidas operacionais de apoio à economia e ao sistema financeiro, é preciso “focar agora na agenda de desenvolvimento a longo prazo, para garantir um fluxo de investimentos e melhorar o clima empresarial”, declarou Pútin.

O governo, que já fixou as taxas dos impostos para os próximos quatro anos, pretende criar mais incentivos a empresas em desenvolvimento e aumentar a transparência das corporações russas. “Para que a nossa jurisdição nacional seja competitiva é necessário (...) entender até que ponto as medidas tomadas estão sendo eficazes.”

O presidente também enumerou algumas reformas a serem iniciadas no país em um futuro próximo. Além da criação de um centro para o desenvolvimento de novas estratégias de gestão, estão previstos o estabelecimento de gabinetes regionais para o desenvolvimento do ambiente de negócios e uma ampla modernização da indústria.

A expectativa é que, a partir de 2019, a implementação das melhores tecnologias disponíveis seja uma condição obrigatória para as empresas nacionais. “Assim poderão ocupar um lugar de liderança nos setores que vão moldar o futuro”, concluiu Pútin.

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