Vale do Barguzin: um passeio pela terra de milhares de espíritos

De difícil acesso e com clima severo, lugar sagrado é literalmente uma viagem.

O Barguzin é um dos maiores e mais belos vales da Buriátia, estendendo-se por 230 quilômetros do nordeste da república. Ali encontra-se o lar do lendário local de sepultamento de Genghis Khan. A foto abaixo retrata um burkhan (local sagrado) em uma região desabitada de Chene-Galjin, não muito distante de um cemitério xamã. 

Assim como vários dos melhores pontos naturais da Rússia, o vale do Barguzin não é de fácil acesso. A ausência quase completa de estradas é compensada por floresta de taiga, deserto e tundra montanhosa. Mesmo assim, a região atrai aventureiros e turistas de todo o mundo. Nesta foto, vê-se o edifício principal do datsan de Barguzin.

O vale do Barguzin é berço do vento leste, que pode atingir até 20 m/s de velocidade. O clima continental é severo: a temperatura média no verão é de 15°C, caindo para 30°C no inverno, de outubro a maio. A melhor época para visitar o vale é de junho a setembro. Abaixo é possível ver um pedaço de couro de vaca deixada para secar na parede de uma casa; ele será usado para fabricar um tambor de oração.

O vale contém muitos lugares religiosos e sagrados para várias tribos e povos. Os anais do vale do Barguzin estão cheios de contos interessantes. Na imagem a seguir, vê-se um bosque sagrado na subida do Monte Baragkhan. Reza a lenda que o Baragkhan é lar de Khazhar-Sagaan-Noyon, o governante do vale de Barguzin.

Nos locais sagrados da Buriátia, xingar, brigar e jogar lixo são práticas estritamente proibidas. No território dos datsans (monastérios universitários budistas), deve-se mover da esquerda para a direita, seguindo o caminho do Sol. A foto abaixo retrata sílabas tibetanas; neste caso, uma pintura sobre o fogão dentro de um datsan.

Os buriates e evenques que moram no vale não costumam informar os recém-chegados sobre a localização de seus lugares sagrados – motivo pelo qual é recomendável viajar com um guia especializado ou não pedir informações – em geral, os locais responderão que “não sabem”. Nesta foto vê-se a tumba de um xamã.

Um berço no bosque sagrado de Alla. É pendurado por pais sem filhos durante uma cerimônia, conduzida pelo xamã local, para “chamar uma criança”.

Inalando e soltando a fumaça de casca de cedro, o xamã pede aos espíritos para afastar doenças.

Filho se ajoelha enquanto mãe lê um texto sagrado.

Enfeitando um dugan (casa de oração).

Caça e pesca não são permitidas dentro das reservas naturais. Na foto abaixo é possível ver a prática de pecuária, a principal ocupação dos indígenas buriates.

Caçadores retornam do desfiladeiro de Alla ao entardecer.

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