Controvérsia marca data do fim da URSS na Rússia

Para 9%, Dia da Rússia em nada se diferencia de sábado ou domingo comum

Para 9%, Dia da Rússia em nada se diferencia de sábado ou domingo comum

TASS
Poucos sabem realmente o que se comemora em 12 de junho, o Dia da Rússia, e muitos acham que a data sequer deveria ser celebrada.

Neste domingo (12), celebra-se mais um Dia da Rússia. Controverso tanto para estrangeiros quanto para a maioria dos russos, o feriado passou a ser intitulado Dia da Rússia apenas em 2002, e é até hoje erroneamente chamado pelos russos de Dia da Independência.

Uma pesquisa realizada pelo Centro Levada no início da década com 1.600 russos verificou que 41% dos respondentes acreditam que o feriado se refira ao “Dia da Independência”, contra 40% que afirmam ser a data “Dia da Rússia”.

O motivo é que os cidadãos do país relacionam a palavra “soberania” de seu antigo nome, “Dia da Aprovação da Declaração sobre a Soberania Estatal da Rússia”, com “independência”.

A criação do Dia da Rússia teve como pano de fundo vários acontecimentos trágicos iniciados em 12 de junho de 1991, cujo significado para a história só poderá ser avaliado pelas futuras gerações.

Em 19 de agosto daquele ano, o Comitê Estatal de Emergência (GKCP, na sigla em russo) tentou afastar Mikhail Gorbatchov da presidência da União Soviética e interromper a “perestroika”.

Memória popular

O advogado moscovita Serguêi Kolivanov lembra-se bem de como tentou, em férias no litoral do Mar Negro, salvar Gorbatchov daquela situação. “Eu não conseguia aprender a nadar, então meu pai me disse, apontando para um penhasco: ‘Ali atrás fica a casa de veraneio onde o Gorbatchov é mantido em cativeiro por pessoas más. Você quer libertá-lo? Então tem que chegar até lá a nado’. Foi quando aprendi”, conta.

O GKCP decretou estado de emergência, colocou o exército nas ruas de Moscou, nomeou militares para os postos de governadores das repúblicas soviéticas, impôs a censura aos veículos de comunicação e eliminou liberdades e direitos constitucionais dos cidadãos.

O governo da República Russa, a maior das que compunham a URSS, por meio do então futuro presidente Boris Iéltsin, qualificou as ações do GCKP como golpe de Estado e pediu aos moscovitas que saíssem às ruas para defender a Casa Branca (sede do governo da República Russa). Como resultado, houve vítimas fatais.

“Meu marido era médico e chegou em casa depois de trabalhar a noite inteira em uma ambulância. Mas quando soube que os tanques tinham entrado em Moscou, foi à Casa Branca dizendo que podiam derramar sangue e que seu dever era atender os feridos”, conta a dona de casa Liudmilla Pogódina, 41 anos.

O dia 12 de junho foi declarado feriado em 1992. Mas os russos não dão importância à data. Uma pesquisa realizada entre 20 e 23 e abril com 1.601 russos mostra que apenas 3% deles consideram a data entre os principais feriados nacionais.

“Não tenho muitos sentimentos pelo feriado. Mas sou grato aos anos 90, porque agora posso ser relações públicas, algo que não existia naquela altura. Isso é um progresso”, diz o estudante Andrêi Grechak, 20 anos.

Gostaria de receber as principais notícias sobre a Rússia no seu e-mail?  
Clique aqui para assinar nossa newsletter.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.